GOSTO, de Paulo Narley

Eu gosto de como o teu cheiro fica nos meus lençóis após tua ida (não digo partida, pois sempre há um retorno). É como se ele fosse uma extensão tua. Como se tu fosses e, ao mesmo tempo, ficasses aqui comigo.

Eu gosto de como o meu colchão é levado ao chão, por não querermos acordar os vizinhos de quarto com nossa dança, afinal, minha cama grita demais. Vai e vem… E nos perdemos em um entrelaçar de dedos.

Gosto da tua barba a roçar minhas costas e tuas mãos a percorrer-me, descobrindo meus cantos. Gosto de quando teus olhos reviram no momento em que, literalmente, estás dentro de mim.

Eu gosto da maneira como sorri. Como teu olhar pousa no meu e me leva para outro mundo; uma galáxia inteira mora aí dentro, eu sei.

Gosto de te ver cochilar, do modo como teus olhos vão se fechando lentamente e de repente se abrem num susto e eu volto a encarar tua imensidão, enquanto teus braços me abraçam e me encaixam, fazendo de ti morada.

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  1. Cara, eu sou teu fã. Tu é simplesmente foda! Que texto MARAVILHOSO! Eu pode viver suas palavras. Você é brilhante no que faz. Parabéns! Sinto muito Orgulho.

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