Ícaro Uther

Ícaro Uther é natural de Parnaíba onde cresceu junto com uma geração de artistas que marcaram o cenário das artes da sua cidade e do Piauí. Apaixonou-se pela imagem, tornando-se filmmaker, designer, fotógrafo, escritor e aspirante a cineasta. Na literatura Ícaro Uther já publicou “O que vem depois da Saudade” (2015), seu primeiro livro, e pretende lançar uma coletânea de poesias intitulada “Antes do Sol” programada para o segundo semestre de 2018. Ícaro Uther atualmente trabalha na produção audiovisual da cultura piauiense e, embora trabalhe com o design e fotografia, tem como foco principal a produção de filmes curtas metragens e clipes autorais do cenário teresinense. Já produziu os filmes “O Assassinador”, “O Clube dos Sete”, “Disparatio”, “Ressurectionem”. Além, dos clipes das bandas “V-ROAD”, “Deibe Viana”, “Amanda” e “Wonnack”. Ícaro Uther é um entusiasta da arte no Piauí e a sua produção é resultado desse desejo de levar a arte para todos os cantos.

“Literatura pra mim é a forma mais crua e verdadeira de externar os sentimentos.” Ícaro Uther

Nome Completo: Ícaro Uther Rodrigues Fontinele da Silva

Descrição: Escritor e cineasta

Data de Nascimento: 12/06/1992

Local de Nascimento: Parnaíba-PI

Os bastidores da arte

Ícaro Uther cresceu rodeado de boas referências, principalmente pelo estímulo artístico do pai, Antônio José Fontenele, que é professor de literatura e tinha muita afinidade com o teatro, cinema e com a produção nas artes. Surgiu daí a proximidade com os palcos, pois o pai de Ícaro Uther fazia questão de levar o filho para os ensaios teatrais, intervenções artísticas da trupe a qual fazia parte. Ainda menino o artista relembra que gostava de ficar nos bastidores do teatro, sua paixão era acompanhar o processo de montagem das peças. Paralelo a isso o artista relembra que ganhou uma câmera e que começou a gravar vídeos com os amigos da escola no estilo trash movie e a brincadeira foi o despertar para o interesse pelo audiovisual. Além disso, Ícaro conta que foi apresentado ao universo da literatura desde cedo, conheceu a variedade de autores e livros que, de certa forma, a escrita foi o resultado de todas essas influências e foi um processo natural. Foi nas letras que o artista encontrou a primeira forma de se libertar, de expor tudo que tinha acumulado e foi a primeira forma de arte que ele expôs para o público.

A arte da prolixidade

Os diversos estímulos artísticos que fizeram parte do crescimento pessoal e profissional de Ícaro Uther se manifestaram de forma mais forte na escrita, foi nas letras que o artista pôde expor todo o potencial. Ainda adolescente descobriu que não só ele como os colegas, também escreviam e dessa descoberta veio a ideia que agrupar toda potência criativa em um único lugar, por isso decidiram unir todos os autores no espaço virtual de um blog intitulado “A arte da prolixidade”. O blog, que reunia os novos autores de Parnaíba, surgiu da necessidade do diálogo, de consumir novos textos e material literário, além de lutar pela mudança daquele cenário, para tentar dirimir o vazio cultural que tanto incomodava os integrantes do blog. Por isso, segundo Ícaro Uther, a iniciativa despertou nas pessoas a vontade de produzir e debater assuntos relacionados à Literatura tirando a cidade do ponto neutro o qual se encontrava. Desse grupo, que chegou a ser composto por 15 pessoas escrevendo diariamente, surgiram alguns dos escritores que veem se destacando atualmente, como o Ithalo Furtado. A experiência de agrupar escritores com estilos diferentes chamou a atenção do público, despertou a curiosidade também dos críticos e os textos produzidos para o blog foram republicados inclusive nos portais e jornais da região. O grupo foi uma experiência que gerou grandes frutos, fertilizou o solo artístico de Parnaíba e mudou de alguma forma a vida tanto dos integrantes do grupo como dos leitores. O grupo se dissolveu com o tempo, com as novas necessidades dos integrantes, principalmente a saída do ensino médio e entrada no curso superior, mas quem se envolveu na empreitada continuou, mesmo que indiretamente, escrevendo até os dias atuais e demonstrando na prática o poder que a arte possui.

A primeira filmadora

Foi com um presente bem especial e diferente que Ícaro Uther criou a curiosidade pelo vídeo, pois aproximadamente aos nove anos de idade o artista ganhou uma filmadora, foi uma bela surpresa que tanto encantou o pequeno como se tornou um desafio, afinal ele não sabia mexer no novo brinquedo e nem tinha computador para facilitar as suas pesquisas. O presente foi virando paixão e vício, aos poucos o artista foi experimentando as possibilidades da filmadora e tudo passou a girar em torno do vídeo. Na escola todos os trabalhos passaram a ser feitos no formato de audiovisual e o artista conseguiu agrupar amigos interessados no vídeo que começaram a ajudar na produção dos filmes. De toda a galera, Ícaro foi a pessoa que começou a ir além da brincadeira e passou a pesquisar mais sobre os bastidores do cinema, fez do hobby a sua profissão e para isso foi buscando mais conhecimento na área, pesquisado tudo relacionado ao audiovisual. “O que é legal é que eu nunca imaginei que aquela brincadeira de criança se tornasse a minha profissão”. E assim nasceu o aspirante a cineasta e produtor de audiovisual, que faz da sua arte um meio para alavancar a imagem da arte piauiense.

“O cinema consegue extrair de mim várias emoções que eu achava que estavam escondidas.” Ícaro Uther

Os bastidores do cinema e a literatura

Quando não existem caminhos é preciso criar trilhas, construir a própria estrada. A ausência de escolas especializadas em audiovisual dificultou, mas não impossibilitou a pesquisa e o interesse, foi justamente isso que fez Ícaro Uther buscar esses caminhos ainda escassos no cenário local. O autodidatismo no cinema foi sendo construído com uma disciplina diária de buscar novos conhecimentos, sem deixar de lado as experimentações e a prática que permite a aplicação de toda a teoria aprendida. Então, aos 16 anos de idade o artista começou a trabalhar, em Parnaíba, como designer, assumindo diversas funções. Tempos depois, aos 18 anos de idade, surgiu uma oportunidade para trabalhar com vídeo no colégio CEV, que contratou Ícaro para trabalhar com educação à distância na parte de vídeo e edição de vídeo. Posteriormente o artista integrou-se ao projeto “Curta CPI” que é desenvolvido com os alunos do 1º ao 2º ano do colégio CPI por “Ajosé Fontenele”, pai do artista. O projeto, que esse ano completou a sua 9º edição, sempre tem uma temática diferente. Os próprios alunos participam das etapas de criação do filme, conhecendo os bastidores do cinema e percebendo todo processo de montagem e organização das imagens. Atualmente Ícaro compõe a equipe de Marketing do Grupo Hot Sat, cuidando das produções em vídeo, fotografia, design e social media. Com a mudança de ares e as vivências de Ícaro Uther surge a sua primeira obra “O que vem depois da Saudade” (2015), obra premiada pelo Concurso Novos Autores, que é um copilado do trabalho que o autor desenvolveu na sua vivência com a literatura e com o blog “A arte da prolixidade”. A obra foi adotada por diversas escolas como leitura complementar, além disso, o autor comemora o feedback das publicações que está sendo muito positivo.

A paixão pela música

Ícaro Uther se envolveu com a música na adolescência, adquiriu uma bateria e, em pouco tempo, começou a tocar aos 15 anos de idade na banda de Rock intitulada “Besouros da Silva”. Contudo, com a mudança de cidade e a impossibilidade de tocar, Ícaro conta que teve que escolher outras prioridades, pois a nova casa não tinha isolamento acústico para o treino com a bateria musical. Essas dificuldades aliadas ao novo emprego fizeram com que Ícaro Uther se afastasse da música como baterista, a partir de então ele quis contribuir para a música de outra forma, com o audiovisual. E foi por conhecer o cenário musical que o aspirante a cineasta, como ele mesmo se define, abraçou a missão de produzir clipes para as bandas autorais. O objetivo de investir nesse mercado veio das suas percepções enquanto músico, das dificuldades vivenciadas com a banda e no conhecimento dos obstáculos que um músico ou uma banda enfrentam para se projetarem no mercado. Disso surgiu o coletivo 202 Produções (Projeto 202 Sessions), que agrupava as bandas autorais desde o Pop Rock ao Death Metal, sendo bem abrangente. O coletivo chegou a produzir clipes para até 13 bandas, organizou eventos musicais inovadores, apresentando outros olhares nas apresentações dos shows. Ícaro Uther destaca a produção do clipe “You Seem Suffocated” da banda V-Road, pois fizeram o clipe com poucos recursos um trabalho que foi bem recebido. Segundo o artista, em dois anos o coletivo já produziu mais de trinta vídeos para as bandas e é isso que mais empolga no trabalho, ver as bandas exportando um produto audiovisual de qualidade, um trabalho que conta com a contribuição voluntária de muitos profissionais da 202 Produções.

Extraindo o melhor da arte

Seja com a literatura ou com o cinema, Ícaro Uther desenvolveu ao longo da sua trajetória um trabalho artístico maior que a sua própria arte, que beneficia diversos artistas. O artista não se contenta com a calmaria, por isso tenta movimentar a cidade artisticamente, criando caminhos para desenvolver um trabalho de qualidade mesmo quando tem poucos recursos e de forma independente. Desse desejo de transformar o cenário artístico e de exportar o melhor das artes para o Brasil é que nasce o projeto na área musical. Ícaro Uther tenta ajudar com o que possui e é ali nos bastidores que ele constrói esse diálogo. E, para o artista, sentir a empolgação e a identificação com a sua obra é gratificante. “O cinema consegue extrair de mim várias emoções que eu achava que estavam escondidas”

Contatos

http://instagram.com/icaro.u

http://www.youtube.com/user/icar0

https://www.linkedin.com/in/ícaro-uther

+55 86 99467.5637

Fotos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vídeos

Livro

“O que vem depois da Saudade” (2015)

Algumas Poesias

Cabelos Brancos
Quando estiver velhinho
Cantarolando histórias
Reinventando verdades
Lembrarei do sorriso sincero
Do olhar hipnotizante
Do frescor dos lábios
Que mais pareciam
Primavera
Enxugarei as lágrimas
E aquelas mãos enrugadas
Estarão encharcadas de saudade

Circo em Branco e Preto
o palhaço está triste, ele disse
ele disse que o palhaço, mesmo triste,
põe a máscara e rouba a cena, ele disse

eu disse que o palhaço triste
com o nariz em riste, pintando vermelho
diante do espelho, deixa dispersar

se disse, vendo deste lado, triste
do palhaço triste ser palhaço
e ter que atuar

eu disse que o sorriso falha
e o palhaço tarda, pois,
atrás da cortina existe outro espetáculo

Antes do Bloco Partir
quero te ver sorrindo
cantarolando meu samba enredo
dançando feito maré
amando sem dor no peito

pulando meu carnaval e
sujando meu fevereiro
enganando-me todos os dias
lambuzando-me o corpo inteiro

tecendo meu chão a pé
e a boca tão fina trança
do jeito que canso teu dia
tombarei contigo, criança

Trem das Três
Vou levantar carícias,
embalar segredos e
sonegar torpores.

Fazer da calma fé e valsa.
Fazer minh’alma quieta e rasa.
Fazer do frio só coração.

Vou embarcar num trem cargueiro,
apertar tua mão, sentir teu cheiro
e abraçar tua ânsia
me dizendo adeus todas as noites.

Antes do Sol Sarar
ela pisa em meus calos
abre minhas feridas
finca facas em meus gumes
abre cicatrizes e destrói
meu coração que só respira
com essa dor qu’ela constrói
e faz com que eu esqueça
a cabeça em seu colo
toda santa noite

Antes do Sol Marcar
a marca de café sobre a mesa
marca amarga de café com frieza
que marca meu coração e fere a
alma feito ferro e tristeza
que marca os meus dias e deixa
um véu de insalubre incerteza
que não marca hora e não quer
mais largar minha cabeça
nem deixar eu seguir
sozinho na noite

Antes do Sol Virar Moinhos
ela sumiu como
todas as coisas boas que
surgem, assim,
de leve,
e a brisa teima
em querer deixar

mas da leveza que
a vida breve faz
rumo, o vento que
sopra nos cabelos faz
o momento passar

seguindo entre moinhos
nós vamos, buscando um pouquinho
do mundo para no bolso levar

e o prumo faz alegoria
deixando tecer a tarde
fazendo moer o dia e
trazendo paz e saudade
revelando o que dói em nós

Antes do Sol Desaguar
Meu samba é torpe,
sem tom de desaforo, meio
medo, meio agouro e sem
figura singular, para
calar essa plateia que
condena a minha estreia
e dispersa até meu mar.

Mas meu amor está em terra,
mar tão firme, mar me espera,
que inda hei de navegar.

Antes do Sol Queimar meu Abrigo
chega sereno e molda
o sorriso mais claro
e preciso, é claro que
eu preciso de todo esse
calor que seu corpo emite
e persiste e insiste em
grudar feito pele, pois
as peles se grudam e
não querem afastar
nossas peles, pois
ficar longe de você
não é uma opção
– é uma catástrofe

Antes do Sol Pesar
é que às vezes tudo
parece não ter sentido
mas é sem sentido que
começa o que chamamos
de amor, pois se tivesse
sentido perderia a graça
e viver sem chão não
seria, por um lado,
flutuar

Antes do Sol das Três
a sua boca treme ao encontrar
a minha epiderme quente
treme ao encontrar seus
cabelos macios deleitam-se
e embaralham-se entre
meus trêmulos dedos que
enquanto forem firmes
estarão acariciando a maçã
do seu rosto ou a batata da
sua perna ou qualquer fruta
que existir no labirinto do
seu corpo

pequena da cor
escarlate, dos lábios rubros
do amor incandescente feito
névoa que nunca
cessará

Filmes

O Assassinador

O Clube dos Sete

Disparatio

Ressurectionem

Clipes

V-ROAD – You Seem Suffocated

Deibe Viana – Tudo que é Sol

Amanda – Sai pra Lá

Wonnack – Ainda Temos Muita a Viver

Projeto 202 Sessions Live (Bandas Autorais)

https://www.youtube.com/channel/UCM-sdk-70rN2ZrOzvJaJy3A/videos

Outras fontes

[Apenã #013] A Arte Da Prolixidade – Ícaro Uther by Podcast Apenã

https://aartedaprolixidade.wordpress.com/author/poetasdoagreste/

 

Última atualização: 14/01/2018

Caso queria sugerir alguma edição ou correção, envie e-mail para geleiatotal@gmail.com.

Sair da versão mobile