A exposição fotográfica Piauí Afropindorâmico segue aberta ao público até o dia 6 de fevereiro, no Museu dos Povos Indígenas do Piauí – Anízia Maria, localizado na Comunidade Nazaré, no município de Lagoa de São Francisco. A entrada é gratuita, de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h e das 14h às 17h.
Com um conceito inovador e simbólico, o projeto marca um momento histórico para a cultura piauiense: esta é a primeira exposição fotográfica realizada dentro de uma oca indígena no estado. A mostra ocupa três ocas do povo Tabajara.

A escolha desses espaços não foi aleatória, pois a proposta da exposição respeita a circularidade e a energia dos ambientes, promovendo uma experiência sensorial única para o público.
“Antes de tudo, o conceito da exposição sempre foi o de se adaptar aos espaços, e não o contrário. Queríamos que os lugares se mantivessem íntegros, preservando a sua função principal e, ao mesmo tempo, recebendo a arte de maneira que respeitasse a cultura local”, explicou o fotógrafo Chico Rasta, responsável pelas imagens expostas.
A exposição já passou por outras cidades do estado, como Oeiras e Amarante, e agora chega à sua terceira etapa, levando aos moradores da Comunidade Nazaré um pedaço da memória afro-indígena do Piauí.
“A nossa intenção sempre foi fortalecer a energia do lugar e fazer com que as pessoas se vissem como protagonistas da exposição, como obras de arte que estão sendo reconhecidas em sua verdadeira importância”, destacou Chico Rasta.
Inspirado em uma conversa com o líder negro e pensador piauiense, Nego Bispo, o título “Piauí Afropindorâmico” é uma homenagem ao conceito de um Piauí afro-indígena. O nome também é uma homenagem à memória e aos ensinamentos do pensador, que se tornou uma figura central na reflexão sobre a identidade cultural do Piauí.
A curadoria das imagens, feita por Marco Moraes, também reflete a diversidade do estado. As fotografias foram cuidadosamente escolhidas para representar a diversidade cultural do Piauí, que abriga desde comunidades quilombolas até povos indígenas, e enfatizam a relação entre a população e a natureza.
Com um acervo que reúne imagens de diversos lugares do Piauí, o fotógrafo destaca a grandeza do estado e a riqueza de seus biomas e paisagens.
“Ao longo dos últimos 15 anos, passei por muitos territórios e tive o privilégio de ouvir as histórias das pessoas que habitam esses lugares. Cada fotografia carrega não só a beleza da paisagem, mas também a sabedoria e os saberes dos habitantes desses territórios”, afirma Rasta.
Outro aspecto importante da exposição é o envolvimento direto da comunidade. O objetivo é que as pessoas se vejam na exposição, se reconheçam como protagonistas e se sintam valorizadas.

A experiência sensorial da exposição é complementada por uma captação de som especial feita pelo cineasta piauiense Fabrício Campos. Sons dos próprios locais fotografados – como o vento, o burburinho das cachoeiras e a fauna local – são incorporados à mostra, criando uma imersão ainda mais profunda para o público.
Ao final, a exposição Piauí Afropindorâmico se configura como uma janela para o reconhecimento e valorização da cultura afro-indígena piauiense, oferecendo não só uma experiência estética, mas também um convite para refletir sobre as raízes e os protagonismos que moldam a identidade do estado.