A Academia Piauiense de Cultura realiza, na próxima quinta-feira (26), a solenidade de posse de 16 novos acadêmicos, a partir das 19h, no Teatro 4 de Setembro, em Teresina. A cerimônia marca a ampliação do quadro da instituição e reafirma o reconhecimento a personalidades com atuação destacada nas artes, na pesquisa, na comunicação e na preservação do patrimônio cultural.
Além da posse, a programação inclui o lançamento da segunda edição da revista Peleja, publicação da Academia voltada à reflexão sobre cultura, memória e produção artística. A nova edição destaca a vida e o legado de Niède Guidon, reforçando o diálogo entre ciência, patrimônio e identidade cultural.

A solenidade deve reunir acadêmicos, artistas, pesquisadores, representantes de instituições culturais e o público interessado, consolidando-se como um momento de celebração e fortalecimento da cultura piauiense em sua diversidade de expressões.
Criada em 2022 e sediada em Parnaíba, a Academia atua na valorização e articulação da cultura piauiense em diferentes linguagens e campos do conhecimento, reunindo artistas, pesquisadores e produtores culturais em torno de ações de memória, formação e difusão cultural.
Para o presidente da instituição, Manuel Domingos, a posse ocorre em um momento simbólico.
“O obscurantismo está na ofensiva: manipulação do povo, negação da ciência, degradação ambiental, racismo, genocídios, guerra… Reagimos. Mobilizamos expressões da cultura e de todas as linguagens artísticas em defesa do Piauí, do Brasil e do mundo”, afirma.
Novos acadêmicos
O conjunto dos novos integrantes evidencia o caráter plural que orienta a atuação da Academia Piauiense de Cultura. A nova formação reúne trajetórias oriundas de diferentes territórios do estado e de múltiplas linguagens — teatro, literatura, música, dança, cinema, artes gráficas, comunicação, pesquisa histórica, preservação do patrimônio material e imaterial, além da gestão e produção cultural.
Há desde veteranos com décadas de contribuição à cena artística piauiense até pesquisadores e agentes culturais que articulam formação, memória e inovação em projetos contemporâneos. Veja a lista das novas cadeiras com seus respectivos patronos e patronesses e os ocupantes que serão empossados:
- Cadeira 21 – Patrono: João Maria Madeira Basto / Francisco Aci Gomes Campelo (Aci Campelo): Ator, diretor e pesquisador da história do teatro piauiense, com ampla atuação em Teresina.
- Cadeira 28 – Patrono: Cândido de Almeida Athayde / Antônio de Pádua Kalume (Antônio de Pádua Francis Kalume): Jornalista veterano e defensor do patrimônio histórico e cultural de Floriano.
- Cadeira 47 – Patrono: Raimundo Araújo Chagas (R. Petit) / Diego Renê de Oliveira Carvalho (Diego Renê): Cronista, contista, ambientalista e professor da rede pública em Piripiri.
- Cadeira 48 – Patrono: Domingos Martins da Fonseca (Domingos Fonseca) / Francisco Antônio Vieira (Pellé): Ator e produtor cultural, dirigente do tradicional Grupo Harém de Teatro.
- Cadeira 49 – Patrono: Geraldo de Almeida Borges / Geraldo Brito: Cantor, compositor e cronista da vida musical do estado.
- Cadeira 50 – Patronesse: Niède Guidon / Jacqueline Dourado: Doutora em Comunicação, professora universitária e autora de livros e artigos acadêmicos.
- Cadeira 51 – Patronesse: Maria Luiza dos Santos Silva (Maria da Inglaterra) / José Araújo Dantas: Sonoplasta e produtor cultural com forte atuação no teatro e na pesquisa cultural.
- Cadeira 52 – Patrono: Lucílio de Albuquerque / Marcelo Evelin: Bailarino e coreógrafo de projeção internacional, com atuação entre Teresina e a Europa.
- Cadeira 53 – Patronesse: Elisabeth Medeiros (Liz Medeiros) / Noé Rodrigues de Holanda Filho (Noé Filho): Escritor, gestor cultural e articulador do coletivo Geleia Total.
- Cadeira 54 – Patrono: Firmino Teixeira do Amaral / Paulo Moura: Artista gráfico e editor com forte contribuição à produção editorial e cultural.
- Cadeira 55 – Patrono: Antônio Bispo dos Santos (Nêgo Bispo) / Ricardo Augusto Pereira: Especialista em patrimônio imaterial e pesquisador da presença afro na cultura brasileira.
- Cadeira 56 – Patrono: Arnaldo da Costa Albuquerque / Simplício Mário de Oliveira (Simplício Mário): Promotor de iniciativas culturais em Piripiri nas áreas de teatro, música e literatura.
- Cadeira 57 – Patrono: Clovis Steiger de Assis Moura (Clóvis Moura) / Solimar Oliveira Lima (Solimar Oliveira): Doutor em História e pesquisador das relações raciais, escravidão e movimento negro.
- Cadeira 58 – Patrono: Luís Mendes Ribeiro Gonçalves / Terezinha de Jesus Mesquita Queiroz (Terezinha Queiroz): Professora da UFPI e uma das mais reconhecidas intelectuais do estado.
- Cadeira 59 – Patrono: Antônio José de Sampaio (Engenheiro Sampaio) / Valderi Ulisses Duarte: Cineasta formado em Cuba, com atuação no documentário desde os anos 1980.
- Cadeira 60 – Patronesse: Almira Silva – Vilebaldo Nogueira Rocha: Professor, poeta e ator, com destacada atuação literária e cultural na região de Picos.
Vindos de cidades como Teresina, Floriano, Piripiri e Picos, esses acadêmicos traduzem a diversidade de experiências que compõem a cultura do Piauí, conectando saberes populares e acadêmicos, tradição e experimentação estética, numa representação ampla da identidade cultural do estado.















Entre os empossados está Francisco Pellé, que ocupará a cadeira 48, cujo patrono é Domingos Fonseca. Fundador do Grupo Harém de Teatro e coordenador do Festluso – Festival de Teatro Lusófono, Pellé destacou o significado da nomeação.
“Fazer parte de tão importante instituição cultural de nosso estado é motivo de apreço e alegria. Sinto-me honrado de estar ao lado de personalidades de mais alto valor”, declara.
A jornalista Jacqueline Dourado será empossada na cadeira 50, tendo como patronesse Niède Guidon. Formada pela Universidade Federal do Piauí, mestre pela UFRJ, doutora pela Unisinos, afirma que a APC tem um compromisso com a alvaguarda e o fortalecimento da cultura como instrumento de transformação.
“Ingressar na Academia de Cultura do Piauí representa integrar um espaço em que a cultura é reconhecida em sua dimensão mais ampla: como patrimônio simbólico, memória coletiva e força estruturante da identidade social”, ressalta.
O escritor, produtor e gestor cultural Noé Filho também passa a integrar a entidade, assumindo a cadeira 53, que tem como patrona Elisabeth Medeiros. Idealizador do coletivo Geleia Total, ele vê a eleição como reconhecimento de uma trajetória coletiva.
“Ter sido eleito como membro da APC é, para mim, um reconhecimento do trabalho realizado com o coletivo Geleia Total. Fico muito feliz com a possibilidade de contribuir com a cultura piauiense também atuando junto a pessoas que admiro tanto na APC”, afirma.
Também toma posse a historiadora Teresinha Queiroz, professora do Departamento de História da Universidade Federal do Piauí (UFPI), que ocupará a cadeira 58, cujo patrono é Luís Mendes Ribeiro Gonçalves. Autora de diversas obras sobre literatura, sociabilidades e cultura histórica, ela destaca a relevância institucional da APC.
“A Academia Piauiense de Cultura representa notável esforço de pessoas interessadas na promoção da cultura piauiense em suas variadas manifestações. Sinto-me honrada com o convite para integrar o seu quadro e espero contribuir nessa jornada cultural em benefício do desenvolvimento da instituição e do estado”, diz.
