Crítica da dramaturgia performativa "O sofá" por Alisson Carvalho

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Toda história tem dois lados, em “O sofá – uma dramaturgia performativa” o público é convidado a conhecer um dos lados de uma história intensa e com muitas surpresas que se mistura com a ficção. Não é por menos que a experiência de vida do artista-performer Jean Pessoa ganhou outras tonalidades transformando-se em obra de arte, afinal “O sofá” é uma situação incomum, mas um alerta de que podemos cair na mesma armadilha de nos acorrentarmos a algum relacionamento abusivo.
O solo é um pequeno relato dos 39 dias convividos com uma outra personagem, uma pessoa com possíveis problemas psicológicos. O trauma do contato com esse outro personagem e tudo que ele representa é o que vai costurando todo o jogo cênico da performance.
E as recordações são materializadas na cena e o performer mergulha no passado vivenciando parte dessas lembranças, trazendo para o drama todas as angustias e reflexões acerca de tudo que foi vivido. Temos uma mistura e confusão entre o que é presente e passado, mas uma confusão que não aparta e sim aproxima da narrativa.
O jogo de improviso que compõe o solo é proposto para ocupar diversos espaços e isso fica bem visível na composição dos elementos de cena. Entre bebidas e cigarros, vemos o personagem mergulhar dentro do sentimento de derrota de ter sido lesado pela paixão. Uma paixão questionada por ele mesmo constantemente.
E como se trata de uma performance pensada para ocupar espaços alternativos, a apresentação é intercalada por ruídos que surgem e se integram à cena como um dado externo que se integra à obra. Essas interferências estranhas também alteram a trajetória da narrativa, comuns aos improvisos ou às artes que se materializam em tempo real. Isso acontece constantemente desafiando o performer.
A interação direta, diluindo a quarta parede, mostra a experiência do próprio artista com o teatro de rua e o seu domínio em trabalhar com o contato direto, com as adversidades e surpresas. Talvez ou apesar disso o artista performer demora um pouco para pegar o ritmo. Mesmo assim há um esforço em criar essa relação com o público.
A trilha sonora da dramaturgia performativa é executada por Esaú Barros que consegue criar dar mais força para a ação, principalmente nos momentos que o ritmo fica menos dinâmico. Jean se desvencilha da rigidez e ingressa numa dramaturgia do processo, deixando-se livre para navegar nesses dados desconhecidos que surgem durante a cena.

Jean Pessoa apresentará quarta-feita, dia 16/05/2018, às 19h no Teatro de Bolso Dolores Ferreira (rua Doutor Gilson Serra e Silva, 1040 – Morada do Sol).

Ficha Técnica

Artista performer: Jean Pessoa
Ideia de dramaturgia performativa: Jean Pessoa
Seleção e Criação de trilha: Jean Pessoa e Esaú Barros
Execução de trilha: Esaú Barros
Produção: Grupo Cabeça de Sol

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