Um vão invisível, por Victor Martins

Foto: Victor Martins

Este é um relato de um fã e amigo de uma grande artista.

Alana Santos é uma artista completa. Poucas pessoas, bem poucas mesmo, conseguem transitar de forma tão completa e colocando uma identidade própria nas produções artísticas quanto ela. Se eu fosse falar de todas as linguagens exploradas por ela, esse texto seria um livro, então, vou me prender em uma que me fez fã e amigo dessa grande artista: a fotografia. Alana consegue, numa forma só dela, explorar seu corpo em fotografias únicas que mostram uma poesia. São autorretratos que nos trazem sentimentos como solidão e medo, fotos que parecem imagens de sonhos explorando o corpo nu.

Alana foi a primeira pessoa com quem eu consegui trabalhar sem nenhum embate artístico: nossas ideias se completam e as que se divergem, de uma forma complexa, encontram-se em algum ponto do caminho. Recentemente, ela desenvolveu a obra Movência, na qual ajudei com as fotografias. A cada encontro para fotografar, ela me dizia o necessário para entender o que ela queria nas fotos. Não tinha ideia do que seria a obra finalizada, mas segui todos os seus mandamentos e fiz as fotos. A obra finalizada não tinha uma linguagem específica, ela transitava pela fotografia, instalação, pintura e poesia. Alana transitou nessa obra no que a artista Rosalind Krauss chama de campo ampliado: ela fez uma obra que não tem uma classificação pronta, mas que é a união de várias linguagens. Essa obra, Movência, é um resumo das produções de Alana, são proposições que transitam por vários meios, são pinturas que parecem poesias, são poesias que parecem com fotografias, fotografias que parecem imagens de sonhos pintados após o despertar…

Temos uma sorte danada de poder acompanhar o caminhar dessa artista.

Ainda bem.

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