Palavra-Mágica, de Demétrios Galvão

quando os pés adoecem

e esquecem os caminhos

o corpo precisa inventar voos.

 

os peixes nadam na profundidade da costela direita

na obscuridade do entre-ossos

migrando para o aconchego do litoral carnudo.

 

(a língua quando bem plantada

atinge veios profundos

manancial voluptuoso de fabulações)

 

busco então, a sobrenatural beleza:

as ancas africanas, a envergadura monárquica,

a anatomia incendiária.

 

me visto de asas e de lâmpadas e vou ao teu encontro

com uma palavra-mágica adornando os olhos.

 

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