Procissão, de Paulo Narley

Foto de João Paulo (@jpfotoarte)

 

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A procissão toma conta das ruas. O céu lá em cima, cheio de pontos de luz, ilumina os passos daqueles que pedem, com muita fé, por dias melhores e agradecem pela vida.

Não raro me pego pensando nos dias de menino, em que eu, com toda minha inocência, brigava para não ir à procissão de abertura dos festejos da cidade, pois minha cabeça não conseguia dar sentido àquilo. Por que andar pelas ruas entoando hinos católicos? A contragosto, eu saía, com a cara emburrada e cada uma das mãos segurada pela mão de minha mãe e de meu pai. Do lado de cada um deles, meus irmãos.

Terminada a procissão e a missa que era celebrada logo em seguida, eu corria pela praça da cidade, brincava com meus colegas, enquanto meus irmãos viviam suas juventudes e meus pais assistiam ao leilão e proseavam com amigos. Às vezes, eu parava um pouco à mesa, comia, enquanto escutava pedaços das suas falas, apesar de não entender muito do que era dito. Ainda hoje não entendo muitas das conversas de adulto…

Porém, homem em construção que sou, hoje, sinto falta de caminhar pelas ruas de minha terra, junto do povo buritiense, não por ser católico, mas por querer de novo a segurança de estar entre meus pais e meus irmãos e pela magia que envolve essa caminhada. Sinto falta de estar na praça entre amigos, muitos deles ainda os mesmos de outrora. Os cheiros da comida preparada na barraca da igreja ainda se fazem presentes na memória e trazem de volta noites de uma felicidade ímpar.

Onirismo sem fim.

Sinto falta da tranquilidade que a terra natal traz para o coração e da paz que só é possível na casa da infância.

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