A intensidade dos movimentos de Hulda Lopes

Hulda Lopes é natural de Teresina, formada em Direito e técnica de Dança. É bailarina há dezessete anos e professora de dança na escola Gomes Campos desde 2015. Ela já participou dos grupos Lume, Escola de Ballet Helly Batista, Escola de Dança do Estado do Piauí Lenir Argento, Núcleo de Dança Casa de Zabelê, Companhia de dança Jose Nascimento (onde atua desde 2015) e Coletivo de Mulheres Ondas (atua atualmente). Participou dos espetáculos “Na Barra”, “Pétalas” e “Quintura”. Como coreógrafa ela destaca os espetáculos “Manifesto Pau Brasil” e “Diversidade Corpo-Mulher”. Contemplada com a Cia José Nascimento no Festival de Dança. Hulda Lopes é proprietária ao lado da irmã, Débora Evangelina, do Estúdio de Dança Arte 2.

 

Foto: Mikael Costa

“Penso na dança como algo presente nas minhas criações, ela faz parte de mim. Ela é algo palpável na minha vida.” Hulda Lopes

Nome Completo:  Hulda Léia Lopes Silva Santana                    

Descrição: Bailarina, Coreógrafa e Professora de Dança

Data de Nascimento: 05/08/1989

Local de Nascimento: Teresina- Piauí

Escrito por: Alisson Carvalho
Revisado por: Paulo Narley 

 

A importância dos projetos sociais na construção da artista

Hulda Lopes é filha de professora, então ela conta que por isso já existiu uma aproximação com a educação, entretanto o eu contato mesmo com as artes aconteceu por meio dos programas televisivos e em outros ambientes. Nesse período, com treze anos de idade, a artista residia no bairro Grande Dirceu e comenta que lá ela teve contato com os projetos sociais oferecidos pelo Núcleo de Apoio Integral a Criança e Adolescente (Naica Dirceu) que disponibilizava aulas em vários seguimentos das artes e em horários alternados de tal forma que quem estudava pela manhã poderia passar a tarde nas oficinas oferecidas no projeto. Esse contato com as aulas de dança aconteceu por curiosidade da própria artista, pois como esses projetos existiam em toda a cidade isso acabou chegando até seu conhecimento e ela se matriculou nas aula de dança, permanecendo por lá até os seus dezoito anos de idade que era a faixa etária limite para permanecer ligado ao projeto.

 

A arte que ecoa

Depois de vivenciar uma rica experiência com a dança no projeto do Naica, Hulda Lopes continua mergulhando no universo da dança e conhece outros projetos de dança e começa a dançar com o Negro Val, depois Elizabeth Báttali que convidou os bailarinos (que se desligaram do projeto por causa da idade, já que o projeto no Naica só assistia jovens até dezoito anos de idade) para um núcleo que virou o grupo Lume Cia De Dança com a maioria composta por esses bailarinos pregressos do Núcleo de Apoio Integral a Criança e Adolescente. Para a bailarina, a dança era a hora mais aguardada do dia, por isso ela conta que a adaptação foi sempre um desafio muito instigante. Posteriormente, Hulda ingressa nas aulas de Ballet Clássico na Escola de Ballet Helly Batista, depois ela começa a atuar na Escola de Dança do Estado do Piauí Lenir Argento concomitantemente ao grupo Núcleo de Dança Casa de Zabelê. Depois disso Hulda Lopes ingressa no curso superior e deixa a dança de lado por um curto período, mas a necessidade de dançar e se expressar artisticamente falou mais alto.

 

O movimento que germina no Sonar

SoNAR é um espetáculo criado/vivenciado, partindo de experimentos em modo remoto, onde os bailarines/interpretes em suas casas foram atravessados por sons que nos tocam corporalmente. Segundo Hulda Lopes, essa é uma experiência de criação focada em sensações sentidas no âmbito particular, mas também tem uma ligação íntima com o som que chega até os bailarines que tiveram aulas e ensaios totalmente virtuais e tiveram que se reinventar n período de pandemia. Por isso, “Sonar” é um momento da Cia José Nascimento e uma possível resposta a importância desse dado que é o som em um mundo cujo contato, algo muito forte na dança, é deixado de lado. “O som é internalizado até reverberar para fora nos membros, na cabeça, nos quadris, sem ser coreografado. O Sonar é uma brincadeira com sons, mas não é a música que está me levando para o ritmo, é o puro som agindo.”

“A dança é como eu me coloco politicamente. Ela me transforma totalmente.” Hulda Lopes

Criar é compartilhar

Além de bailarina Hulda Lopes também é professora de dança e coreógrafa. Ela já atua na Escola Gomes Campos desde 2015 dando aulas em disciplinas do curso Técnico em Dança. Com essa experiência ela aprendeu a dialogar com a diversidade dos corpos dos bailarinos e bailarinas, pois como educadora ela conta que tem que aprender sobre a individualidade de cada corpo. Por isso, a sua criação como coreógrafa envolve observar os corpos para ir guindo cada um dentro da capacidade dos movimentos de cada um. Para Hulda, a montagem não é uma imposição, mas essa conversa sustentada por pesquisas não só práticas como teóricas sobre os temas de cada uma das montagens propostas. Para a coreógrafa as suas montagens não são meramente inspirações abstratas, elas surgem de temas específicos e assuntos palpáveis, dessa forma o que ela apresenta aos seus alunos são elementos palpáveis que que podem ser compreendidos de forma objetiva. Essa é uma metodologia que para ela é eficiente, pois essas pesquisas se tornarão referências e ficarão gravadas inclusive no corpo de cada um dos bailarinos e bailarinas. Hulda acredita que o seu processo criativo como coreógrafa é uma via de mão dupla, tanto propondo quanto absorvendo propostas, um entrelaçamento de criação.

Um corpo político

“A dança é como eu me coloco politicamente. Ela me transforma totalmente”, pontua Hulda Lopes relembrando que a dança e a arte também assumem o papel de provocar o público e discutir sobre diversos assuntos. O seu corpo político é um somatório de diálogos e interações com a sociedade, nessa trajetória ela relembra algumas das referências que contribuíram para a sua formação como o bailarino e coreógrafo Fernando Freitas (que é precursor do movimento Drag Queen no Piauí com a personagem Samantha Menina), o bailarino e coreógrafo José Nascimento, a bailarina e coreógrafa Luzia Amélia, Elizabeth Báttali, Negro Val, entre outros.

Hulda Lopes em parceria com a sua irmã, Débora Evangelina, organizaram tanto o Estúdio de Dança Arte 2 quando o Coletivo de Mulheres Ondas. O coletivo de mulheres surgiu como proposta do despertar do corpo feminista das bailarinas que sentiram a necessidade de discutir sobre suas inquietações com trabalhos mais politizados. Além das irmãs, o coletivo é composto pelas bailarinas Lívia Moura, Júlia R. e Vitória Cruz. Elas criaram recentemente o trabalho “Entre Elas” que está na iminência de estrear.

O legado na dança

A característica de Hulda Lopes são os movimentos intensos que segundo a própria bailarina são vestígios da dança popular e folclórica cuja força e intensidade são elementos típicos dos estilos que marcam o seu início na dança. A bailarina oi socializada no meio das artes e a dança permitiu uma educação do corpo que influenciou na sua performance nos mais variados espaços da sociedade, por isso ela afirma que a dança está presente não apenas nas suas criações, mas é parte de si. Logo, a dança não é uma força abstrata que influencia apenas as suas sensações, mas algo palpável e concreto que direciona o eu olhar, seus movimentos, sua forma de imaginar e projetar ideias. Toda essa vivência flui para os movimentos e também aparece nas suas construções coreográficas. Hulda faz dos palcos uma maneira de se expressar e se torna referência tanto como educadora quanto como uma bailarina.

Contatos

Instagram.com/hulda.lopesss

E-mail: huldalopes5@gmail.com

Fotos

Espetáculos

Como bailarina

“Na Barra”;

“Pétalas”;

“Quintura”.

Como coreógrafa

“Manifesto Pau Brasil”;

“Diversidade Corpo-Mulher”.

Outras fontes

http://demo.pmt.pi.gov.br/semcom_antigo/noticia/Teresina-em-Danca-leva-0-que-te-faz-lembrar-ao-Teatro-do-Boi/20512

https://www.portalaz.com.br/noticia/arte-cultura/5617/teresina-em-danca-leva-%E2%80%9Co-que-te-faz-lembrar%E2%80%9D-ao-teatro-do-boi

Última atualização: 03/11/2020

Caso queria sugerir alguma edição ou correção, envie e-mail para geleiatotal@gmail.com.

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