E aí cambada, tudo certo por aí? Pois se ajeitem que a prosa hoje é boa demais. Na terça-feira, 10 de março, às 19h, vai ter uma roda de conversa daquelas bem papocadas, com direito a apresentação da sanfoneira Sebastiana, dentro da programação da exposição Rosa dos Ventos. O encontro chega com um lema bonito e cheio de verdade: “Das mãos que plantam ao som que encanta – sonhos possíveis: a trajetória de uma sanfoneira do sul do Piauí”.
A ideia é cabuetar um bocado sobre a caminhada dessa mulher arretada que transformou a própria vida através da música, enfrentando os perrengues do caminho sem largar a sanfona de mão. A roda de conversa ainda vai contar com a participação da produtora Isabela do Kariri e mediação de Douglas Machado, juntando prosa, memória e música num momento de troca e valorização das experiências das mulheres no cenário musical piauiense.
O encontro faz parte da exposição “Rosa dos Ventos: mulheres mudando o rumo da música”, um projeto que chega para amostrar a força das artistas do Piauí que vêm mexendo com o rumo da cultura do estado. Por lá, o público encontra histórias de cantoras, compositoras, instrumentistas, arranjistas, produtoras e diretoras musicais que vêm deixando sua marca na música. Mais do que celebrar talento, a exposição também levanta uma pergunta importante: por que tanta mulher ainda teve sua história apagada ou silenciada dentro da música?
A iniciativa nasceu justamente dessa reflexão. A falta de referência e visibilidade para as mulheres no meio musical ainda é grande, e isso denuncia um apagamento histórico do protagonismo das artistas piauienses na construção da cultura brasileira.
Por trás desse movimento está uma orquestra formada por 18 mulheres, cada uma com sua história, seus pertencimentos e seus atravessamentos. É um bando de artista que não se intimida com os obstáculos que o machismo e o sexismo ainda colocam no caminho de quem vive de música. Se hoje existe uma orquestra formada só por mulheres, é porque outras vieram antes e enfrentaram o rojão para abrir estrada.

E é justamente nesse caminho aberto que entra a história da sanfoneira Sebastiana, grande homenageada da exposição.
Natural de São Raimundo Nonato, no sul do Piauí, Sebastiana é daquelas mulheres que desde menina já sabia o rumo que queria seguir. Artista, mãe e agricultora, ela fez da sanfona e do trabalho na roça o sustento da família, encarando o mundo com coragem e muito talento.
A exposição traz um recorte dessa trajetória de luta e resistência, mostrando como exemplos como o de Sebastiana ajudam a fortalecer outras mulheres que hoje também ocupam espaços na música. Por lá o público encontra fotografias, objetos pessoais, instrumentos, vídeos e arquivos que contam histórias de artistas que vêm ajudando a construir o cenário musical piauiense.
A Orquestra Rosa dos Ventos segue apulumada com o futuro e com a missão de fortalecer a presença feminina na música e no dia 09 (segunda-feira), às 19:30 tem apresentação da orquestra abrindo o Artes de Março. Reunindo mulheres de diferentes gerações, identidades e vivências, o palco vira um verdadeiro espiral de resistência. É uma geração que sabe que o caminho não é reto, mas vai sendo construído passo a passo, juntando a força de quem veio antes com a coragem de quem segue abrindo novas veredas na cultura do Piauí.
