O azul também tem asa, a poética de Laís Romero

A escritora, professora e editora de Teresina Laís de Sousa Romero já publicou cinco números da Revista Trimera. Participou da coletânea de escritoras “Elas escrevem, Elas inspiram”, organizada por Marleide Lins. Publicou poema na revista “Roda de Poesia e Tambores”. Participou da coletânea de ensaios “Dez mulheres antes da hora”, escrevendo sobre Amélia Bevilacqua. Colaborou com o coletivo de poetas Academia Onírica, junto com os escritores Arianne Pirajá, Demétrios Galvão, Kilito Trindade, Fagão Silva e Valadares.

Laís Romero emprestou sua voz para a gravação do álbum de poemas “Veículo QSP”, do grupo Academia Onírica. Publicou e organizou a revista “AO”, do grupo Academia Onírica. Ela também participa como organizadora do Bate-Papo Literário, além de ser voluntária no Salão do Livro do Piauí, desde 2011. Faz parte, ainda, do conselho editorial da Revista Desenredos.

“A literatura que é minha praia, onde eu nado com tranquilidade, felicidade e muito amor.” Laís Romero

Nome Completo: Laís de Sousa Romero

Descrição: Escritora, professora e editora.

Data de Nascimento: 15/10/1986

Local de Nascimento: Teresina

Perfil escrito pela Geleia Total
Escrito por:
 Alisson Carvalho
Revisado por: Paulo Narley

Musicando poemas

Laís Romero cresceu entrelaçada pela arte, pois desde cedo, o pai teve a preocupação de criar bons hábitos na filha, principalmente depois de ler em uma enciclopédia que crianças que escutavam música clássica cresciam mais inteligentes; por isso, Laís cresceu escutando Tchaikovsky. “A literatura é minha praia, onde eu nado com tranquilidade, felicidade e muito amor”, diz Laís Romero. O encanto com o mundo das letas faz parte das primeiras lembranças de alfabetização da menina, ela rememora o momento em que reconheceu a palavra “asa”, escrita em uma placa próxima à sua casa. Desde então, Laís começou a se envolver com a literatura e com as leituras. Laís se autodefine como introspectiva. Dessa forma, as suas maiores companhias eram os livros. Ela lia de tudo, desde as obras de Shakespeare até os diversos poemas musicados pela pequena leitora, que transformava a leitura em brincadeira. Até nas férias, quando ia para a casa da prima, a diversão era brincar de ler mais rápido o livro “O mundo de Sophia”, um dos livros da biblioteca do tio, Luiz Romero. A paixão pela leitura só foi se fortalecendo e entrelaçando a pequena leitora no universo lúdico e sem fronteiras das letras.

Do diário para o blog

Laís Romero cultivou o hábito da escrita desde a infância. Nesse período, ela escreveu o seu primeiro poema na escola para participar de um concurso de poesia, a escritora cursava a sexta série e conquistou o segundo lugar. Depois de ser reconhecida no concurso de poesia, a jovem escritora começou a escrever com mais intensidade e sempre aproveitava as visitas ao trabalho da mãe para datilografar as suas criações. Foi quando ganhou o seu primeiro diário, aos onze anos de idade, que Laís Romero pôde colocar em prática a sua escrita. Depois disso, ela não parou mais de escrever e foi deixando que o resultado das leituras se manifestassem na folha de papel. A escritora conta que as leituras foram servindo como um treinamento para perceber e entender melhor a poesia. No ensino médio, a escritora conheceu as zines e entrou em contato com outros escritores, como Aristides Oliveira e Demétrios Galvão. A partir desse período, o seu envolvimento com o mundo das letras cresceu cada vez mais. Posteriormente, lá pelos dezessete anos de idade, Laís vivenciou o surgimento dos blogs e foi onde ela pode mudar o suporte das suas criações, o diário físico se tornou o diário virtual, embora nunca tenha abandonado os diários físicos, que guarda até hoje. Foi ali no mundo virtual que os poemas saíram do âmbito privado e puderam ser divulgados, lidos e avaliados por outras pessoas.

A literatura na sala de aula

Apaixonada pela literatura, Laís Romero ingressou no curso de Letras – Português, na Universidade Estadual do Piauí. O curso ajudou a aprimorar as ferramentas linguísticas para utilizar como instrumentos de trabalho e foi o espaço de formação e construção do ofício de professora. A escritora adverte que, mesmo com a teoria, é preciso muita leitura e prática para melhorar a escrita e frisa, ainda, que todo escritor deve ser um leitor apaixonado, deve gostar de se debruçar nas leituras, pois conhecer essa arte é vital para quem pretende escrever. E, apesar do bombardeio de informações e o excesso de estímulos que recebemos nesse mundo no qual estamos sempre conectados, Laís Romero reforça a importância dos livros e do poder que a leitura tem para reter a sua atenção como leitora apaixonada. E não tem como escapar dessa realidade, por isso, ela fez da sala de aula o seu espaço de criação como escritora, transformou os seus alunos em leitores e procurou desde sempre compreender cada um deles. A sala de aula é, para Laís, um espaço de diálogo e trocas, mais do que imposição de saberes. Nesse espaço, ela utiliza as ferramentas tecnológicas voltadas para a educação e faz com que a literatura empodere os alunos, ao invés de oprimir. Ser professor, no Brasil, é uma batalha constante, é resistir contra as adversidades e, apesar das dificuldades, a escritora comenta que é ali, ajudando a desenvolver a escrita, guiando os seus alunos, que ela se sente escritora. “Ser escritora é carregar um peso. Afinal, é uma responsabilidade, pois querendo ou não, você se torna uma voz de registro da sua época”, diz Laís Romero.

Inquietação da escrita

A literatura, segundo Laís Romero, é uma tentativa de explicar ou dar significação para o universo do qual fazemos parte. Esse poder de atribuir valor ao mundo e de se emocionar com a arte é algo puramente humano. A literatura demonstra esse esforço de dar significados, algo que sempre existirá enquanto houver humanidade. Além de escritora, Laís Romero é editora e comenta sobre a importância do ofício. O editor é o primeiro leitor, quem fará o trabalho de estabilizar o texto sem descaracterizar a voz do autor. O trabalho é delicado e exige do editor muito cuidado e entrega. Como escritora, Laís Romero costuma escrever poesias, mas tem se aventurado pela prosa, chegando a publicar um de seus contos na Revista Revestrés. Seus temas mais recorrentes são o existencialismo e a metalinguagem, pois foram temas que sempre despertaram grande interesse na escritora. Laís nunca abandonou o hábito da escrita em cadernos e diários, por isso, seu processo criativo envolve escrever, riscar e revisar várias vezes a obra. Seus estímulos e inspirações vêm das diversas leituras e ajudam a elucidar o que se quer transmitir.

Ocupando espaços

Nutrida com referências como Clarice Lispector, Cecília Meireles, Mário Faustino, Da Costa e Silva e Adriano Lobão Aragão, Laís Romero tem uma relação bem forte com a obra desses autores. Além disso, descobriu cedo o autor José Saramago e se debruçou sobre a representação da mulher na sua obra, como tema de pesquisa na graduação. Laís Romero comenta sobre como a literatura é um espaço de poder, no qual as mulheres ainda concorrem pelos espaços, sendo, diversas vezes, invisibilizadas ou inferiorizadas. As muitas ações afirmativas geralmente tendem a apartar as mulheres, limitando-as a espaços à parte da literatura, como uma subcategoria. Por isso, Laís Romero frisa a necessidade de encontrar formas de batalhar pela igualdade, que ultrapassem o discurso sem colocar as mulheres em outro gueto, mas ocupando os espaços na sociedade. Nesse sentido, a escritora destaca o papel de coletivos como o Sarau Tensão, Tesão e Criação que chegou ocupando a Praça Pedro II e criando um espaço para o diálogo entre as artes. A literatura que, muitas vezes, toca em temas tão íntimos sensibiliza e faz com que leitores se sintam representados pela escrita. Por isso, é importante ter cada vez mais mulheres ocupando espaços, para que outras leitoras também se sintam representadas.

Asas da imaginação

Da primeira palavra lida, “asa”, ao livro “Memórias de Adriano”, de Marguerite Yourcenar. Laís Romero empreende a mesma paixão de quem começa a desbravar a literatura. Foi esse encanto pelas letras, a magia pelo significado das palavras e pelo poder lúdico de transportar o leitor para outros universos, às vezes, nunca explorados empiricamente, que levou a leitora para a escrita. A escritora fez da leitura a sua maior amiga e transformou a paixão em profissão, transmitindo todo o conhecimento adquirido nas leituras para a sala de aula e frisando a importância de respeitar as particularidades de cada aluno. Com uma escrita que aborda temas como o não pertencimento, o existencialismo, Laís Romero tem uma escrita bem engajada, cuidadosa e com tamanha delicadeza, que consegue encantar e sensibilizar os olhares mais distraídos. Nascida, formada e deformada sob o Sol opressor da cidade verde, cujo céu é majoritariamente tingido pelo azul agoniante, uma abóboda celeste tão monocromática que maltrata os olhares mais sensíveis, a escritora demonstra os mais diversos sentimentos na sua escrita. Laís Romero está prestes a lançar o seu primeiro livro e se tornou referência, seja em sala de aula, como educadora preocupada com a escrita, ou para leitores e escritores.

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Fragmentada;

De onde vêm os leões;

Poema da noite;

Estudo n° 07;

nº 03;

Água viva;

Aforismo sobre a morte.

Outras fontes

http://desenredos.dominiotemporario.com/doc/14-poesia-LaisRomero.pdf

https://www.revistarevestres.com.br/blog/brobro/consideracoes-sobre-escrita/

http://www.diretorioliterario.com/leia-mulheres-teresina/

https://www.revistarevestres.com.br/algomais/occupyareves/aquela-voz/

https://issuu.com/revistaacrobata/docs/acrobata_5

Última atualização: 24/09/2018

 

Caso queria sugerir alguma edição ou correção, envie e-mail para geleiatotal@gmail.com.

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