Didática sobre a morte, de Álvaro Pacheco

Tudo o que resta, o tempo para a morte

que por isso é o espaço ancestral.

Todo o tempo que resta — e é para a morte

esse que nos falta em esperança.

E assim nos restando a morte espera

o que somos e em nós se desperdiça.

Guardamos os guardados — e a vida.

(E a morte nos toma o que guardamos.)

Privamos da alegria, em sacrifício,

o que vamos dedicar depois à morte

em nosso campo de avaros a esse tempo

subtraído depois ao desperdício

que poderia ser vida se estivéssemos

na vida mais lentos para a morte.

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