Vinte e poucos anos e a louca necessidade de ser bem-sucedido, de Paulo Narley

Há um tempo venho pensando no título acima. Venho maturando a ideia de escrever alguma coisa sobre isso e não sabia como começar – ainda não sei, no entanto, cá me encontro.

O ano tá terminando e eu não sou muito de fazer retrospectivas, mas creio que este ano não possa passar sem uma rápida olhada para trás.

Quanta coisa me aconteceu durante esse ano (e creio que com você também, leitor hipotético). Não vou escrever uma retrospectiva clichê, elencando todos os fatos e conquistas que aconteceram no decorrer desse ano, afinal, aqueles que me leem são pessoas que me conhecem e sabem de tudo o que houve, tudo o que veio e tudo o que se foi. E, sendo muito otimista (coisa que não sei ser em demasia), creio que, para aqueles que leem meus textos e não me conhecem, pouco vai importar saber o que aconteceu comigo durante esse ano.

Por isso, e inspirado em um texto do livro “O Que Eu Tô Fazendo da Minha Vida?”, do Daniel Bovolento, que eu ganhei de um amigo muito querido – inclusive, se você estiver me lendo, Daniel, um salve ai para você (veja como sou uma pessoa otimista…) –, andei pensando muito sobre a pressão que é colocada em cima de nós para que com vinte anos já sejamos bem-sucedidos. Cobram de nós estabilidade financeira e emocional – esta última um pouco mais difícil de conseguir do que a primeira (esse sou eu não sendo otimista) – e aí começamos a nos cobrar também. Queremos que tudo dê certo logo.

No primeiro ano do ensino médio, você já tem que saber o curso que pretende (por favor, Medicina, viu? Nada de artes, letras, música…). Termina ensino médio e já pula pra faculdade, sai da faculdade passado em um concurso, vai pro mestrado, doutorado, salário de dez mil reais, namoro, apartamento na cobertura, viagens para o exterior uma vez por ano, casamento, filhos… ufa! E ninguém te pergunta se tu tá pronto pra isso nem se tu realmente quer isso… Estranho, né?

Confesso que meio que me encaixo no descrito acima, pois terminei o ensino médio e já fui logo para a faculdade. Tenho a sorte de ter uma família maravilhosa que sempre apoiou meus sonhos e, assim, não fui para Medicina, apesar do esforço incansável de algumas pessoas em me convencer de que eu deveria cursar algo da saúde, mas me formei em Letras e sinto um orgulho danado disso. Lembro que, apesar de estudar em uma instituição pública, eu havia colocado em mim a pressão de que tinha de terminar o curso no tempo certo, mesmo que esse tempo não fosse o MEU tempo, o que me fez perder muitas oportunidades. Não que eu me arrependa, mas por que eu fiz isso? Pela pressão de ser bem-sucedido aos vinte e poucos.

Sai da faculdade e logo consegui um emprego normal, de revisor de textos, nada de salário de dez mil reais. Daí, veio a pressão de passar em um concurso (afinal, um ano de formado é muito tempo para estar sem passar em um concurso, e aquele seu primo já passou em um logo no finzinho da faculdade). Faz o primeiro, não dá certo. O segundo, e nada… E, no meio de tudo isso, bem no meu interior, uma voz vinha me dizendo que ainda não era hora, que eu tinha de fazer o mestrado primeiro (um sonho desde o início do curso), apesar disso, segui tentando a vida de “concurseiro”, mesmo sabendo que tinham outras coisas a serem realizadas antes, como, por exemplo, o livro que estou prestes a lançar. O que eu consegui tentando passar por cima de uma vontade minha? Dor de cabeça e uma sensação de inutilidade…

 Tentei a primeira vez o mestrado e não consegui, sai arrasado. Tentei a segunda… NADA. Até que esse ano deu certo, amém? Amém!

Não quero aqui me vangloriar de nada, ainda estou em construção e falta tanto, mas quero apenas dizer para você (em qualquer fase da vida que você esteja) que não se pressione demais! Não busque sonhos que não são seus! Não faça escolhas que não são as suas! Isso não quer dizer que você deva ficar ai parado(a), com a bunda no sofá, vendo Netflix e esperando que tudo dê certo. Não! O que quero dizer é que você deve lutar por aquilo em que acredita e ouvir o que tua cabeça e coração dizem (geralmente, no meu caso, o coração anda mais certo) e não aquilo que outras pessoas julgam certo para você. Parece frase de adolescente rebelde, mas a vida é tua e quem vai ter de lidar com tuas escolhas é você!

Não adianta se empenhar em algo que não te faz bem. A vida não é tão curta assim, para que a gente tenha que ser bem-sucedido aos vinte anos de idade. Há aqueles que são, claro, e isso é muito bom, PARA ELES, mas ninguém é igual.

Se você é jovem e tá lendo isso, calma, respira, conta até dez e caminha no teu ritmo. Se você é pai/mãe (eu, novamente, sendo otimista), não bota pilha nos teus filhos, não queira escolher nada por eles, mas se orgulhe das conquistas deles (mesmo que, para você, possam parecer pequenas), apoie os sonhos deles, afinal, é disso que a vida, em sua maioria, é feita: sonhos.

Bem, a você (adolescente, adulto, idoso) que chegou até aqui, eu te digo: você tá só começando, eu tô só começando e tudo bem não saber para onde ir, em alguns momentos do caminho. O grande lance é não parar nem desistir.

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