“Precisava transformar isso em algo positivo”, diz Noé Filho ao lançar o livro “Cores sob nossas peles”

Foto reprodução/ José Ailson (Um Zé)

Literatura LGBT ganha espaço de discussão com produções que buscam se livrar de estereótipos sobre orientação sexual e identidade de gênero.

Foto reprodução / José Ailson (Um Zé)

Na última quinta-feira (11), em evento na galeria The Doors, foi lançado a primeira obra literária do piauiense Noé Filho. “Cores sob nossas peles” é uma reunião de doze contos que retratam o dia a dia e dilemas de pessoas comuns, mas com um diferencial: os protagonistas são lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT’s).

O autor se inspirou em situações de homofobia vistas por ele para escrever o livro. “Não entrava na minha cabeça como alguém podia ser tão intolerante com uma coisa que não diz respeito, ou muda algo em sua própria vida, por isso tentei transformar em algo positivo ao invés de ficar apenas guardando aquele sentimento ruim” explica Noé.

A obra foi apresentada ao público num bate-papo intimista, onde primeiro o moderador, Alisson Carvalho, que também escreveu o prefácio do livro, quis saber o porquê de cada um estar no evento, revelando assim a diversidade ali presente.

“O título me provocou a necessidade de começar a leitura pela narrativa visual.” Alegou Alex Sampaio no depoimento sobre experiência, dando a assim visibilidade ao trabalho do ilustrador Carlos César. Segundo Noé as ilustrações de Carlos deram o complemento perfeito ao texto, sendo possível chamá-lo de coautor.

Foto reprodução / Capa por Carlos César.

Sobre o processo de ilustração, Carlos César diz que a liberdade que lhe foi dada pelo escritor teve papel decisivo para que a imagens fossem construídas da forma que estão na obra. “Quando comecei a ler logo constatei que o conceito visual seria sobre dança, sobre performance, sobre como ‘dançamos’ na vida”.

A obra foi recebida com muito entusiasmo pelo púbico, que destacou a importância de materiais com temática LGBT que rompam com os estereótipos de erotização e tragédia, para que a sociedade possa crescer em conhecimento e empatia. “É muito relevante no sentido de promover discussão” é o que afirma Karoline Dourado, estudante de psicologia.

Noé tem expectativas otimistas com a produção “mesmo que o ‘público ideal’, que seriam os héteros, não comprem, um filho gay pode presentar a mãe, uma filha “trans” pode presentear o pai e assim ajudá-los a entender seus dilemas e diminuir os conflitos por meio da empatia que a leitura pretende criar”.

Atualmente o livro está disponível em E-book e em versão física que pode ser adquirida diretamente com o escritor, basta contatá-lo nas redes sociais. Mas em breve estará a disposição em algumas livrarias de Teresina.Confira na íntegra as fotos do lançamento.

Site do livro: www.coressobnossaspeles.com

Por Rodrigo Alves.

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