Uma antologia para lembrar que “Você Não Está Sozinho”

Você vai se emocionar com essa antologia escrita pelas mãos de seis autores independentes de várias regiões do país e que aborda reflexões sobre o período da pandemia da covid-19. Os autores da antologia  “Você Não Está Sozinho”, Adriel Cristan, Cássio Cipriano, Alisson Carvalho, Noé Filho, Paulo Narley e Cardoso, tem emocionado o público com o trabalho que abordam assuntos como o distanciamento social, reclusão, isolamento, solidão, saúde mental, produtividade, entre outros.

E o objetivo dessa publicação é oferecer palavras de acolhimento, de esperança e positividade, em meio ao caos que estamos vivendo. Por isso, eles disponibilizaram gratuitamente o e-book em diversas plataformas. Se você quiser adquirir a obra, basta clicar nos seguintes links:

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A antologia foi organizada por Cássio Cipriano e Paulo Narley, que concederam uma entrevista à Geleia Total. Confira:

  1. Eu queria que vocês contassem um pouco das motivações que levaram vocês a proporem a antologia.

Cássio: Em meio à pandemia, tenho visto como a literatura tem sido refúgio para muitas pessoas. Vários autores e editoras têm disponibilizado obras gratuitamente, o download de e-books aumentou bastante e vários autores têm lançado obras de ficção e não-ficção inspiradas pelo momento delicado que estamos vivendo no mundo inteiro. Mas, ao mesmo tempo, ver muita coisa acontecendo e o mercado editorial se movimento, mesmo em meio ao caos, começou a me deixar aflito e eu enfrentei um bloqueio criativo.

Em uma conversa com o Paulo Narley, contei como estava me sentindo e ele se identificou. A partir daí pensamos a antologia, como um projeto colaborativo entre autores independentes que, se unindo e somando forças, buscariam criar textos com reflexões sobre o momento que estamos vivendo e conceber uma obra para ser disponibilizada gratuitamente, de um modo que alcance pessoas com facilidade e que elas possam se identificar. Essa foi a principal motivação que fez a antologia “Você Não Está Sozinho” nascer.

Paulo: O projeto nasceu muito naturalmente, em meio a uma conversa com o Cássio. Não lembro de tudo sobre o que a gente conversava, mas falávamos sobre o momento e as travas criativas que estamos enfrentando. Nos comparávamos a outros escritores que estavam cheios de projeto. Então, pensamos em como seria legal convidarmos amigos/autores para compartilhamos como tem sido a experiência de isolamento para cada um. A partir disso, nasceu a antologia, dessa necessidade de sabermos que nós não estávamos sozinhos.

  1. O que significa a antologia para vocês?

Cássio: A antologia surgiu como uma forma de nos unirmos a outros autores independentes, somando forças e motivando uns aos outros, para contar nossas experiências e sentimentos sobre a pandemia e compartilhar com outras pessoas, que também tem vivenciado e sentido coisas parecidas. Para mim, a antologia significa muitas coisas, como união, acolhimento, empatia, motivação e esperança.

Paulo: Sobretudo, união e estreitamento de laços. Através dele, tenho estreitado laços, além dos escritores que o compõem, com leitores. Além de ser gratificante gestar um projeto e ver que as pessoas se identificam com ele após o nascimento. É, ainda, novos olhares para novas possibilidades dentro do campo literário.

 

  1. Como a literatura tem ajudado a ressignificar o momento de quarentena?

Cássio: Literatura tem sido o meu refúgio, me ajudado a não surtar. Sou professor e coordenador de curso em uma instituição privada de ensino superior e tem sido bastante desgastante lidar com as questões do trabalho nesse momento delicado, em que professores e alunos tiveram que se adaptar da noite para o dia às aulas on-line, para que as instituições não parem. Profissionais da educação e instituições de ensino tem sido alvo de muitas críticas por conta disso e lidar com isso, assimilar isso tem sido muito complicado. Em meio a tudo, tenho utilizado a literatura como uma espécie de terapia. Quando sento para escrever, deixo os meus problemas do mundo real e me transporto para o contexto das histórias que escrevo e, nesse momento, muitos projetos tem nascido. Além de pensar e executar o projeto da antologia “Você Não Está Sozinho”, em parceria com outros autores, lançarei no final de junho o primeiro volume da minha nova série literária, chamada “Amores no Colegial”, uma divertida e descontraída novela teen, ambientada na primeira metade da década de 2000, com muitas referências musicais daquela época.

Paulo: Pra mim, a literatura sempre foi refúgio. Seja lendo ou escrevendo, desde sempre busco abrigo por entre as páginas de histórias nos dias em que tudo parece pesado demais. Desde que a quarentena começou, tenho, cada vez mais, conhecido novos autores e suas histórias (ficcionais ou reais) e isso tem contribuído muito para que a rotina pesada do home office não me engula de vez. Escrever também tem sido outra forma de colocar as ideias no lugar e não surtar durante esse momento. Sempre acreditei e defendi esse poder que a arte literária possui de nos levar para outros lugares. Lendo ou escrevendo, a literatura tem me ajuda a me desconectar do caos que nos rodeia sem me deixar alheio ao que acontece.

  1. Qual a importância da antologia para vocês?

Cássio: Para mim, como um dos idealizadores e organizadores, a antologia “Você Não Está Sozinho” representa a experimentação de algo novo, completamente fora da minha zona de conforto. Ainda não havia me envolvido em um projeto com essas características, com outros autores e atuando mais por trás de todo o processo de produção editorial. A antologia também representa um ato de resistência, em um mercado tão complicado e seletivo como é o mercado editorial no Brasil. “Você Não Está Sozinho” reúne seis autores independentes, LGBTQIA+, de diferentes regiões do país, mas especialmente das regiões Norte e Nordeste, de onde ainda é tão difícil ver autores conquistando espaço e ganhando projeção nacional ou internacional.

Paulo: Representa muito! É o primeiro projeto em que entro como organizador, o que, por si só, já torna o projeto lindo pra mim. Além disso, é a oportunidade de mais pessoas conhecerem meu trabalho e de eu conhecer também novas escritas, o que vem acontecendo desde que formamos o grupo que iria compor os textos e se amplificou quando o e-book foi lançado. A antologia é, ainda, um modo de nos aproximarmos, mesmo que distantes, criar um canal de apoio para esse momento tão complicado. É, também, resistir. Resistir enquanto sujeito, escritor e pessoa LGBTQIA+. Mas creio que a importância maior seja a que o próprio título carrega: mostrar para quem a lê que, por mais isolado que estejamos, não estamos sozinhos, que todas as questões e dificuldades pelas quais estamos passando nesse momento, não são só nossas. É um meio de levar um pouco de carinho para aqueles que precisam.

 

  1. O que vocês esperam do público após esse lançamento?

Cássio: A recepção do público à antologia “Você Não Está Sozinho” foi muito boa. Estreamos na 4ª posição entre os e-books mais baixados gratuitamente na categoria de Antologias da Amazon e, no dia seguinte, subimos para a 3ª posição. Muitos leitores têm falado sobre a antologia em suas redes sociais e entrado em contato com os autores, para expressar suas opiniões e contar sobre como se identificaram com o que é abordado nos textos. Isso é gratificante e nos motiva a seguir em frente com o projeto. Nada impede que, no futuro, a antologia tenha novos volumes.

Paulo: Espero que as pessoas continuem abraçando o projeto, assim como tem acontecido nesses primeiros dias de lançamento. Que os textos colocados ali possam levar bons sentimentos para todos, além da reflexão. E que os leitores continuem vindo até nós, autores, compartilhar da experiência. Espero muito que o projeto seja levado adiante e que novas edições possam nascer dessa parceria.

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