Hugo dos Santos celebra carreira e lança álbum homônimo

Meu povo me dê licença, minha mãe a sua benção, tenho um verso pra cantar. Venho lá de onde não lembro, cresci no colo do vento, chorei na hora de andar…

Nascido no Mato Grosso e com mais de 10 anos de atuação na cena cultural do Piauí, Hugo dos Santos é músico e compositor, com trabalhos lançados desde 2011, com os EPs das bandas Trinco e Guardia Nova. Daí em diante foram uma série de shows em diversos espaços do Piauí e do Nordeste, além de álbuns com outros projetos e solos. Em 2018, o músico em parceria com o DJ PTK (Do Quilombo Louco Beats) o projeto Tupi Machine, que lançou um álbum no mesmo ano.

No ano de 2021, após um ano de pandemia sem shows, Hugo começou a lançar alguns singles solos, o primeiro foi “Telha”, com participação da cantora parnaibana Brisa, que tem mais de 14 mil plays no spotify e recentemente “Tudo Aquilo Que Arde em Meu Peito”, que entrou na playlist editorial “Sambas da Manhã” do spotify e está chegando aos 10 mil plays.

Agora, o artista se prepara para lançar seu terceiro trabalho solo. O disco homônimo tem 5 faixas que foram produzidas em Teresina durante esse momento intenso e tenso pelo qual passamos de pandemia. “Canções sobre os tempos bons do passado, esperanças para o futuro e também alguns gritos presos no peito, que precisavam sair”, comenta Hugo dos Santos. Um trabalho que dialoga com a música popular brasileira e com algumas de suas raízes, mas também se conecta com o contemporâneo através de experimentos com voz, violão, sintetizadores e percussão. “São texturas sonoras que nos levam em alguns momentos para ambientes psicodélicos e camadas com muito reverb que claramente vem de influências da música Dub Jamaicano”, explica o artista.

Em entrevista a Geleia Total, Hugo dos Santos ressalta que, o disco de uma forma geral, possui letras que retratam alguns sentimentos usados como respostas para as angústias vividas durante esse período pandêmico. “São diálogos comigo mesmo, uma olhada pra um espelho possível. Quando olho hoje o todo do disco sinto uma atmosfera entre uma calmaria que acoberta algo denso, e algo que a palavra esperança já não abarca, mas ajuda a exemplificar nesse momento. Acho que isso se dá porque a angústia, ansiedade são energias que atravessam os sensores desse tempo agora, desse acumulado. Então de uma forma geral as letras tentam esse diálogo com essas sensações. Nesse momento penso que as letras são a tentativa de descrever o que a palavra esperança não abarca.”

O artista ainda explica que iniciou suas composições no período de isolamento social em parceria com outro amigo, Levi. Aconteceu de em algum momento a coisa do isolamento aliviar um pouco e fui com companheira e meu filho Tomé pro litoral do Piauí. Durante os dias que passamos por lá me juntei basicamente ao Levi e o músico André Oliveira e começamos a captar as bases de violão e experimentar, dialogar sobre o que pensávamos das composições. Não foi um processo simples porque a princípio nossas energias ainda estavam se alinhando pro trabalho, e ainda estávamos na procura do caminho do disco, e tudo isso com muito pouco tempo pois levou acho que uns 5 dias pra me dedicar a esse trabalho de captação dos instrumentos”.

Vencer desafios profissionais numa pandemia não é nada fácil, o músico afirma que para a carreira, o novo projeto representa um passo importante. “A nível de carreira, tempo de caminhada até aqui, é um passo importante no sentido de perceber uma maturidade na execução. Já num nível pessoal, existencial, é curioso notar essa atmosfera do disco que me parece ser uma calmaria que transpassa sentimentos densos. As composições foram feitas nesse período recente e, que tá tudo tão intenso e caótico. Então tenho algum tipo de contemplação com o que ouço nesse trabalho, tendo em vista essa atmosfera, e principalmente por ainda perdurar a situação de pandemia, política e social. Me parece uma trilha sonora relevante pra essa travessia.”

A produção é assinada por Levi Nunes (Da banda Ultrópico Solar; Nevi Lunes) e conta com a participação de membros da Ultrópico na sua feitura. O disco foi gravado na casa do produtor Levi Nunes em Parnaíba-PI e mixado e masterizado no BlackRoom estúdio em São Luís-MA. Trata-se de um trabalho com composições que nasceram na cidade de Teresina e foram gravadas no litoral do Piauí. Do rio para o mar. Do mar para a rede. Da rede para quem ao vento soprar.

“Musicalmente é um disco em essência que dialoga com o violão brasileiro. As composições foram feitas no violão, a maioria de forma muito espontânea, mas Bile foi um estudo, um experimento, uma tentativa de algo novo, e até agora desconheço alguma composição naquela levada de violão que se deu. Dito isso, a atmosfera que envolve o todo do disco são camadas de reverb e delay tape que gosto muito. A coisa que pra mim surge ali na música jamaicana, dub, e também umas pitadas de psicodelia que também gosto muito”, completa.

Não deixem de conferir O EP que está disponível em todas as plataformas digitais: https://onerpm.link/248167137307

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