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Minha Voz Marginal

Minha Voz Marginal

Minha Voz Marginal é um monólogo teatral escrito e interpretado por Alisson Carvalho, criado como um grito cênico contra o extermínio simbólico e físico do corpo preto periférico.

Conta a história de um homem negro nasce do barro primário doado a Oxalá, moldado por Nanã e soprado pelos ventos de Iansã, uma origem mítica que serve de ponto de partida para descortinar a ferida aberta do racismo estrutural brasileiro. A partir desse nascimento, o personagem atravessa, em versos que “cospem sangue”, uma sequência de violências cotidianas: a abordagem policial criminosa, a revista humilhante no supermercado, o mata-leão disfarçado de abraço, a bala que encontra sempre o mesmo tom de pele.

Esteticamente, a obra bebe da poesia marginal, do slam, do tambor de terreiro e das cantigas de roda cantadas no Piauí, recusando qualquer tentativa de suavizar ou apaziguar o que expõe. Com essa linguagem visceral, o espetáculo/escrita escancara a hipocrisia de uma sociedade que sexualiza, criminaliza, patenteia e descarta o corpo preto, ao mesmo tempo em que exige “arte pela arte” e silencia o grito de quem sangra.

Mais do que uma denúncia, a peça dá corpo e voz à “lama original” de quem historicamente nunca teve permissão para falar, transformando dor em performance e memória ancestral em resistência cênica.

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