Em 2026, o Grupo Cultural Luar do São João celebra 15 anos de história levando aos principais festivais juninos do país o espetáculo “Entre a Cuia e o Perdão”, que revisita a lenda do Cabeça de Cuia, um dos maiores símbolos do imaginário popular piauiense, em uma homenagem à cultura, às tradições e à identidade do estado.
Em pouco mais de uma década, a Luar consolidou-se como uma das principais quadrilhas juninas do Brasil. Campeã nacional e bicampeã regional, o grupo é reconhecido pela força cênica, pela ousadia de seus espetáculos e pela capacidade de se reinventar a cada temporada, conquistando o público por onde passa.
Em seu release de apresentação do tema, a Luar do São João destaca que “Entre a Cuia e o Perdão” revisita a lenda do Cabeça de Cuia ao imaginar um novo destino para Crispim, marcado pelo perdão e pela esperança. Em seus 15 anos, o grupo homenageia a cultura piauiense por meio de um espetáculo inspirado no encontro dos rios Parnaíba e Poti, valorizando as tradições ribeirinhas e a devoção a São Pedro, padroeiro dos pescadores e símbolo da identidade cultural da comunidade.

Nascida no bairro Mocambinho, na zona Norte da capital, a Luar presta homenagem à própria região onde surgiu, valorizando um território rico em tradições, turismo, arte e manifestações populares.
A equipe da Geleia Total conversou com o diretor do grupo, Ramon Patrese, e brincantes destaque, Amanda Gracielly (Rainha) e Juliana Márcia (Maria Bonita), que falaram sobre a construção do espetáculo e a importância de valorizar a identidade cultural piauiense.



Segundo Ramon Patrese, a escolha do tema representa um presente da Luar para Teresina em seu aniversário de 15 anos. Para ele, revisitar a lenda do Cabeça de Cuia é também uma forma de promover um reencontro com a história, os mitos e as tradições da cidade.
“Nosso espetáculo fala sobre perdão, redenção e pertencimento. Buscamos imaginar um novo desfecho para a história de Crispim, mostrando, por meio da arte, um caminho de reconciliação com a nossa terra, nossa cultura e nossa memória.” – Ramon Patrese
O diretor destaca que o espetáculo pretende despertar no público o orgulho de ser teresinense e piauiense, valorizando elementos que fazem parte da identidade local, como o encontro dos rios Parnaíba e Poti, a religiosidade em torno de São Pedro e as tradições das comunidades ribeirinhas.
Além da emoção, Ramon acredita que o espetáculo também cumpre um papel importante de preservação cultural.
“A lenda do Cabeça de Cuia é muito conhecida pelo povo, mas ainda possui poucos registros artísticos. Como fazedores de cultura, queremos contribuir para eternizar essa história, valorizar a nossa religiosidade e valorizar as pessoas que construíram esta cidade, os ribeirinhos e as lavadeiras que deram origem à cidade de Teresina, levando essa história para o Brasil por meio da dança, da música, do teatro, das artes plásticas e da literatura presentes no espetáculo produzido pela Luar do São João em 2026.”

Ele explica que diversos elementos da encenação foram inspirados na realidade do Poty Velho, como a representação da Vila dos Pescadores, das lavadeiras, das embarcações, da fé em São Pedro e da pintura do santo que protege a comunidade às margens do rio Poti. Todos esses símbolos ajudam a construir um retrato poético da origem de Teresina e da vida ribeirinha.

Para a Rainha da Luar, Amanda Gracielly, representar essa história vai além da dança.
“É muito especial dar vida a uma história que faz parte da identidade do nosso estado. Entrar nesse universo me aproximou ainda mais da nossa cultura e me fez perceber o quanto as nossas lendas merecem ser conhecidas e valorizadas. Hoje sinto ainda mais orgulho de ser piauiense e de representar essa riqueza cultural.”
Amanda também acredita que as quadrilhas juninas exercem um papel fundamental na preservação da memória do povo.
“Contar histórias do nosso estado é mostrar quem somos. O Piauí possui uma cultura rica, cheia de lendas e tradições que merecem ser valorizadas. A quadrilha transforma essas histórias em emoção. Meu recado para a juventude é que tenha orgulho de ser piauiense, valorize as nossas raízes e ajude a manter viva a nossa cultura, porque ela faz parte da nossa identidade e da nossa história.” – Amanda Gracielly
Quem também destaca a força simbólica do espetáculo é Juliana Márcia, intérprete da personagem Maria Bonita. Para ela, participar de uma montagem inspirada na lenda do Cabeça de Cuia representa mais do que vestir um figurino: é carregar a memória e a identidade do povo piauiense.
Juliana conta que cresceu ouvindo a história narrada pela avó e pelas professoras, sempre associada ao respeito pelos rios e pela natureza. Por isso, subir ao arraial para interpretar essa narrativa desperta um sentimento profundo de pertencimento.
“O Cabeça de Cuia não é apenas um personagem de lenda. Para mim, ele representa uma memória da infância e um ensinamento sobre respeitar o rio. Participar desse espetáculo é como entrar em outro espaço e ajudar a contar uma história que todo piauiense já ouviu. Isso fortalece ainda mais o orgulho de ser do Piauí.”

A brincante afirma que o espetáculo também mudou sua forma de enxergar a própria identidade cultural. Segundo ela, revisitar uma lenda genuinamente piauiense faz com que o público passe a valorizar ainda mais o patrimônio imaterial do estado.
Juliana acredita que o Piauí possui inúmeras histórias que ainda precisam ser conhecidas e transformadas em arte.
“Temos muitas lendas e muitas histórias para contar. Às vezes elas não são conhecidas por falta de curiosidade, mas fazem parte da riqueza do nosso povo. A cultura do Piauí merece palco, luz e investimento.”
Ela ressalta que a escolha da Luar por apresentar, pela primeira vez, um espetáculo inteiramente baseado em uma narrativa piauiense demonstra coragem e compromisso com as próprias raízes.
“Nós, piauienses, não precisamos ser cópia de ninguém. Precisamos apenas ter coragem de contar as nossas próprias histórias. A Luar fez isso ao transformar uma lenda triste em uma mensagem de esperança e pertencimento. Representar o Piauí com aquilo que é nosso é motivo de muito orgulho.” – Juliana Márcia
Ao celebrar seus 15 anos, a Luar do São João fortalece sua vocação de transformar a cultura popular em espetáculo, levando aos arraiais não apenas um grande show, mas uma homenagem às raízes, à memória e à identidade do povo piauiense.
Viva a nossa cultura viva!
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Texto por: Luan Rodrigues
Revisão por: Elara Moretz-Sohn
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