Cachoeira do Engenho Velho, em Cocal da Estação

O dia começou cedo para um dia de folga. 8 horas da manhã já estavam todos acordados. Tomamos café reforçado (umas tapioconas da dona Neide/minha sogra) e, depois de comprar uma corrente de armar rede com um cadeado pra amarrar os capacetes, seguimos nas motos, eu, Vanessa (minha noiva que é de Cocal), Dom Henrique (amigo/baterista e fotógrafo) e Luana (amiga e namorada do Dom). Da cidade de Cocal até a entrada da trilha para a cachoeira, são uns 20km o que dá no máximo meia hora de viagem. O trecho tem alguns buracos devido às chuvas recentes, mas nada que seja o fim do mundo. Vale a pena prestar atenção nas paisagens. Já dá pra avistar  a serra, a cidade de Cocal dos Alves ao longe, próximo ao posto fiscal, e também o local onde ficava a barragem de algodões, cenário de uma catástrofe há alguns anos atrás.

A chegada se dá quando avistamos a placa da divisa do Piauí com o Ceará, antes da SEFAZ/CE. À esquerda uma trecho curto de estrada de areia fofa nos leva até o começo da trilha, com pedras e mata. Compramos a corrente porque não tem ninguém pra olhar os capacetes, as motos ou qualquer garagem ou algo assim, é realmente um passeio bem “roots”.

No começo da trilha, o caminho é mais íngreme e cheio de pedrinhas, convém prestar atenção para não deslizar o pé. Se torna um pouco cansativo por isso, pois gasta-se muita energia tentando manter o equilíbrio. A primeira parada se dá na nascente de um riozinho que desconhecemos o nome ou se de fato chega a virar riacho. Lá encontramos um casal de sapos tomando banho e um caranguejeira que, já sem uma das patas, resolveu descansar em cima de uma pedra (ver as fotos). Demoramos pouco coisa ali.

Quando saímos, pensamos ter nos perdido do caminho pois a trilha tinha mudado. As chuvas recentes mudaram um pouco o que percorremos da última vez. A trilha tinha um pouco de lama e o riozinho parecia quer queria nos acompanhar. Voltamos e vimos que era por ali mesmo. Nesse momento um calor muito grande se apossou do lugar. A mata tava muito alta, também pelas chuvas, e ai por isso o calor fica retido na umidade das plantas (creio eu). Foi difícil, mas pouco depois uma baita nuvem melhorou a sensação (mas nos deixou preocupados).

Andamos um bocadinho e chegamos na segunda parada (obrigatória hahah). Foi o riacho. Pense que ele tava forte. Da última vez mal passava do joelho. Dessa vez além de passar da cintura ainda tava bem forte a água. Tem muita pedra escorregadia nessa travessia e por isso estávamos morrendo de medo. Por um instante achei que íamos voltar. Mas ai, eu passei primeiro, com dificuldade mas passei, me sentando nas pedras maiores, e busquei um tronco caído para usar de corrimão pra todo mundo passar mais seguro sem medo de ser levado pela água. Dai o Dom encaixou numa pedra maior que tinha lá e depois todo mundo passou. Foi suado, mas a aventura vale muito a pena, a gente se sente muito bem depois dessa.

Depois do rio não tem mais nada de muito aventureiro, o caminho é quase que totalmente plano. Você encontra uma pedrinha aqui e outra ali; uma cansanção ou uma urtiga; um grilo ou uma formiga gigante. Mas ai, andando mais uns 10 minutos você chega na grande cachoeira do Engenho Velho. Ai, de cara, você já percebe que valeu a pena. Antes de entrar no hall da cachoeira, você tem uma visão de cima dela. É algo extremamente impactante. Foi  a primeira cachoeira que eu vi (a única até agora eu acho), coisa fenomenal.

O banho é muito bom. A água é um pouco gelada, mas nada muito desagradável. Nesse dia tava caindo tanta água que tava até chovendo perto da cachoeira. Alguns nativos pescavam de tarrafa, sem que tenhamos visto um peixe sequer. Perto da queda d’água tinha um buraco que provavelmente estava muito fundo. Não me atrevi ir até o final para ver até onde ia, no entanto, dava pra perceber que ele ia descendo. Aproveitamos bastante o local pra que valesse a pena todo o esforço. Depois voltamos.

A única coisa que posso dizer da volta é que cansa mais que a ida, porque você vai subindo então, como diz o ditado, pra baixo todo santo ajuda. Em certos trechos é até melhor, como quando fica íngreme. Recomendo levar alguma comida, especialmente dessas bem energéticas, pois a subida cansa muito, e como a tendência é passar muito tempo banhando na cachoeira, você gasta toda sua energia. Outra coisa: levar água. De preferência em algo que agarre em você, numa bolsa ou mochila, principalmente pelo trecho de travessia do riacho. Nós não usamos sapatos de trilha ou botas,  mas talvez isso tivesse ajudado um pouco.

Para chegar na Cachoeira você tem que ir pra Cocal, que fica há 90km de Parnaíba. Seguindo pela  BR 343 (seja vindo por Teresina ou por Parnaíba) você dobra na altura da placa de Cocal, que fica no entrocamento com a PI 213. Daí é só seguir direto até Cocal da Estação. Depois, continue na PI 213 até a divisa e siga os paços do começo desse texto. Se você vier do Ceará, pode ir por Viçosa do Ceará e pegar a CE 232, descendo a Serra. Caso ache que está perdido, pergunte aos locais, pois quase toda a gente desses dois estados são muito gentis e não hesitarão em ajudar.

Texto escrito por Arthur Rodrigues dos Santos. Fotos de Dom, baterista da Banda Carnawood.

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