Jardim do mulato, Cimério Ferreira

 De primeiro era um riacho

transparente e brilhante

encravado e navegante

no coração da infância

Nesse tempo era outra ânsia

ver da beira do riacho

meninas tomando banho

numa nudez elegante

De onde vem essa água

esguia lágrima de terra

costumeiramente seca

de onde vem essa água?

Hoje bem sei de um lugar

cheio de belas pessoas

E que também é o lar

de duas estranhas lagoas

Dizem que uma é tão funda

nunca se chega ao final

É como mágoa profunda

de um amor imortal

A outra lagoa é rasa

que espalha água no mato

E desta água vaza

É que nasceu o Mulato

O Mulato é o riacho

que me traspassa a memória

com muitos sonhos de baixo

Mas isso é outra história

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