Parque Nacional de Sete Cidades, onde sólidas memórias se fazem presentes

Ponto turístico de relevância histórica e arqueológica, o parque possui paisagens incrivelmente belas, formadas pelo conjunto de pedras, sendo estas esculpidas pela ação dos ventos, chuva, flora e calor, estas rochas decrepitas, possuem aproximadamente 190 milhões de anos e são subdivididas a partir do codinome de cidades.

Criado em 1961, o parque fica localizado a cerca de 206 km da capital do estado, possuinte de uma área total de 6.221 hectares, com percursos liberados ao público, onde o trajeto pode ser feito de veículo próprio, por trilhas ou até mesmo de bicicleta. O parque é reconhecido internacionalmente por possuir um acervo magnífico de pinturas rupestres de mais de 6 mil anos, que indicam a passagem do homem pré-histórico pela região, como também pelo exemplar de transição da caatinga e do cerrado.

 

Data de Criação: 08 de junho de 1961, por Jânio Quadros (Decreto 50.744). Entretanto, há controvérsias.

Rota: Possuindo acessos pelos municípios de Brasileira e Piracuruca, ambas as rotas contendo exemplares de arquitetura de relevância histórica. A partir de Teresina, seguindo pela BR-343, até Piripiri, cidade de apoio principal, com uma distância de aproximadamente 26 km, em estrada asfaltada, que vai direto a portaria do parque, sendo possível também a rota que vem de Fortaleza a Piripiri, pela BR-222.

Horário de Funcionamento: o parque fica aberto à visitação das 8:00 às 17:00, todos os dias, incluindo feriados. Vale ressaltar que não há cobrança para entrar no parque, entretanto, é importante a contratação de um guia turístico, sendo o período de dezembro a julho a melhor época de visitação, pois é quando a cachoeira e a piscina natural possuem volumes consideráveis e a vegetação possui um verde mais atrativo.

Contato: (86) 3343-1342.

As Cidades

A Primeira Cidade, é conhecida como piscina dos milagres, por possuir uma nascente (uma das principais, das 22 presentes no parque) que nunca deixou de jorrar, mesmo nos períodos mais difíceis de seca na região. Além da nascente, é possível ter acesso a algumas outras atrações de cunho arqueológico, que são os troncos de árvores petrificados e pedras que formam imagens dispersas, levando o nome de acordo com a representação da mesma. Essa disposição dos codinomes é seguida por todo o parque. Nesta primeira, a Pedra dos Canhões e a Pedra da Gia, formação que lembra uma rã, com a boca aberta, são as mais conhecidas.

A Segunda Cidade, arco do triunfo, recebe esse nome devido à sua forma, que lembra um arco francês, sendo um dos pontos mais fotografados do parque. Nesta cidade, temos a presença de um dos pontos mais altos de todo parque, o Mirante, com 82 m de altura, onde se tem uma visão panorâmica de todo o contexto do mesmo. Além destes, temos também as formações biblioteca, que lembra um local com livros empilhados, entre outras. A Cabeça de Dom Pedro II, é a Terceira Cidade. Lembrando o perfil do rosto do imperador, esse ponto possui um alto índice de visitação. Além dessa formação, a cidade possui um monumento, Mapa do Brasil, que possui até mesmo a divisão dos estados, e a Gruta do Estrangeiro, a maior gruta presente nas cidades.

Na Quarta Cidade imaginária, o que mais chama atenção é a presença de um segundo mapa do Brasil, como o da Terceira Cidade, entretanto, sem as divisões estaduais, e a presença da Gruta do Catirina, que recebeu este nome em homenagem a José Catirina, um dos curandeiros do parque que residiu na nesta.

A Quinta Cidade foi a que me chamou mais atenção, já que nela se encontra a Pedra das Inscrições, local onde é possível se encontrar algumas pinturas pré-históricas, como também a Pedra do Camelo, do Rei e a Furna do Índio, com inscrições que lembram as técnicas de rituais de caça. Na Sexta Cidade, o que chama atenção são as pedras que lembram animais, com a Pedra da Tartaruga e do Cachorro.

E, por fim, a Sétima Cidade, onde o acesso só é permitido perante autorização, já que esta é uma parte da reserva ecológica de preservação da fauna, flora e dos monumentos ricos em inscrições rupestres, que provavelmente passam por processo de catalogação.

Tremendo esquecimento com nome de Tremembés

Acho de suma importância olhar para o lugar sabendo de sua história, assim como a capital e o país, o Parque de Sete Cidades tem suas partes enevoadas da história, onde o sangue e suor não são catalogados, tornam-se esquecimentos. A região onde hoje se encontra o parque era povoada por tribos indígenas, onde se destacavam os Tremembés, que habitavam proximidades do litoral e do rio Parnaíba. Apesar de tantas pesquisas feitas, não encontrei uma única que falasse sobre estes, sobre sua presença na região, sua contribuição para com o lugar.

Presentes principalmente na região do Ceará, esses indígenas, originalmente nômades, viviam num território que abrangia o sul do Maranhão até o Rio Acaraú, onde hoje temos o estado do Ceará. Não há resquícios históricos de sua permanência no estado do Piauí, talvez por terem apagado sua história, assim como sua existência e seus direitos. Como inundar os sentidos com uma história de resquícios, se há lacunas nas quais não podemos ver?

Escrito por: Lourrane Silva

Revisado por: Paulo Narley

Fotos por: Valdeci Ribeiro

 

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