A essência da dança da bailarina Jaciara Kallyla

A dança é mais que o movimento do corpo, é uma pedagogia da mente que modifica e disciplina a vida do bailarino em todos os sentidos. A dança mudou a vida da Jaciara Kallyla, que é bailarina, professora, coreógrafa de dança do ventre há 9 anos e pedagoga. Ela já participou de aulas e workshops com bailarinas nacionais e internacionais ao longo da sua trajetória e formação como bailarina. A artista acumula no currículo diversas participações em espetáculos grandiosos como “As mil e uma noite” (2017) e “Alice no país das maravilhas” (2018), apresentados pela Companhia Izabell Lins, além do espetáculo “Emoções” (2012), sob direção do professor e coreógrafo Daniel Moura em parceria com a orquestra Tamoio. Como professora de dança, Jaciara atua ministrando aulas de dança para crianças e adultos há muitos anos.

Foto: José Ailson Nascimento

“A dança representa a maior parte da essência do que sou.” Jaciara Kallyla

Nome Completo: Jaciara de Oliveira Santos

Descrição: Bailarina, professora e coreógrafa de dança do ventre

Data de Nascimento: 02/04/1991

Local de Nascimento: Teresina

Escrito por: Alisson Carvalho
Revisado por: Paulo Narley

Foto: José Ailson Nascimento

A paixão pelas artes

“Eu sempre fui apaixonada por arte e esporte”, diz Jaciara Kallyla. A teresinense radicada em Timon-MA, desde a infância, sempre foi atraída para o campo das artes e conta que ganhou um concurso de dança escolar aos quatro anos de idade. Desde aquele tempo, ela dançava as coreografias das dançarinas de grupos de axé e outras bandas de sucesso na época. A paixão pelas artes foi acompanhando a futura bailarina, que enfrentou, durante o seu amadurecimento, o bullying por ter estrabismo. “Eu gostava tanto de estudar que, mesmo com bullying, eu queria estar na escola”, frisa. Jaciara nunca deixou de dançar. Apesar da timidez causada pelas sequelas das perseguições, ela relembra que participou de muitas gincanas e eventos escolares para montar coreografias, nas quais também atuava dançando. Essa empolgação toda se estendeu até os treze anos de idade e foi importante para o seu desenvolvimento como estudante, segundo a própria bailarina.

Vencendo as barreiras

Jaciara Kallyla chegou a enveredar para a área das artes cênicas quando conheceu o ator e diretor Vitorino Rodrigues, que era professor da escola em que ela estava matriculada. E, graças à experiência, chegou a participar de algumas montagens para eventos escolares. Essas participações duraram até a saída de Vitorino da rede escolar, que, na ocasião, convidou a aluna para ingressar no seu grupo de teatro. Jaciara relembra o quanto o estrabismo dificultou a sua interação naquele período, tanto que ela recusou o convite do diretor de teatro por vergonha de se colocar em destaque. Desse período em diante, a bailarina dedicou-se aos estudos e continuou montado coreografias esporadicamente para apresentações na escola. Posteriormente, Jaciara começou a fazer aulas de canto no mesmo local que oferecia aulas de dança do ventre. Ela permaneceu no canto por algum período, até ter conhecimento das aulas de dança que eram ministradas pela bailarina e coreógrafa Izabell Lins. Foi por meio desse projeto que ela conheceu a professora de dança que mudaria a sua vida, ensinaria não só a consciência corporal, mas princípios fundamentais para melhorar sua autoestima e fortalecer a sua confiança. A dança não é só uma paixão para Jaciara, é também a sua profissão e salvaguarda, foi o espaço onde ela aprendeu a superar as suas barreiras.

Mergulhando na dança do ventre

Jaciara Kallyla conheceu a dança do ventre por volta dos 19 anos e desde então nunca mais largou. Ela começou a estudar canto, mas não tardou muito a desviar o caminho e começar a experimentar a dança do ventre. O que nasceu como paixão, foi sendo transformado em profissão gradualmente, mas desde o início a artista já começou a se entregar e procurar aprender detalhadamente como funcionavam os movimentos e princípios da dança. Graças ao empenho e dedicação, em pouco tempo, a bailarina já estava se apresentando com a Companhia Izabell Lins. “Eu morria de vergonha, mas amava dançar”, comenta. A bailarina conta que foi ganhando mais respeito por meio da dança e isso foi essencial para fortalecer a sua confiança. Tudo se legitimou quando ela passou a dar aulas, pois percebeu a importância que a dança tinha para a vida de todos que buscavam, nessa expressão artística, uma forma de se libertar ou de se profissionalizar.

“Depois da dança foi que me descobri, pois foi a dança que fez eu superar o bullying, foi a dança que fez eu ter segurança.”Jaciara Kallyla

A alfabetização do corpo

“A educação me escolheu porque eu gostava de lecionar desde antes da graduação, por isso, eu fiz Pedagogia”, frisa Jaciara Kallyla. A artista sempre conciliou sua profissão com o estudo acadêmico e trabalhou a dança no universo da educação. Da mesma forma, ela admite que talvez não tenha sentido dificuldades em educar seus alunos porque já havia vivenciado a experiência da didática de sala de aula na graduação. Por isso, ela foi aprendendo com a sua professora e “mãe de dança”, Izabell Lins, a também alfabetizar o corpo, pois o dia a dia vai criando bloqueios quase imperceptíveis, que são identificados pelos profissionais da área da dança e que são dirimidos de forma prazerosa com a atividade artística. A dança é uma questão de educação e foi o principal argumento da bailarina e educadora no seu trabalho de conclusão de curso, mostrando a importância da multidisciplinariedade. Agregar elementos da cultura local também sempre foi uma das preocupações da professora e bailarina, que discorre sobre o seu bairrismo a sua paixão pelas produções piauienses, uma paixão que é transmitida nas aulas sempre regadas por músicas autorais piauienses como algumas melodias da banda Validuaté, colocadas como pano de fundo das suas aulas.

Ornamentando um sonho

A primeira vez que Jaciara Kallyla subiu no palco foi com as vestes ornamentadas artesanalmente, ela mesma fez a sua roupa e relembra que, durante a preparação pré-apresentação, enquanto se maquiava, sentiu-se inteiramente realizada. “Eu nunca tinha me imaginado numa roupa de dança, mas quando coloquei a roupa e me maquiei, eu me senti muito bonita. Eu ficava e ainda fico muito feliz quando vejo aquelas mulheres reunidas para dançar”, afirma. Jaciara conta com carinho como é gratificante estar rodeada pela sua companhia de dança e como é comovente ver suas alunas superando os desafios e dançando no palco. “Eu já trabalhava com crianças na Pedagogia e na dança então aí é que eu tenho mais prazer. Hoje, uma das minhas realizações é dar aulas para crianças, pois eu amo demais ver elas em cima do palco”, frisa. Jaciara Kallyla conta que, para criar, é preciso se envolver de alguma forma com a música, pois a dança tem mais a ver com emoção. Como coreógrafa, Jaciara prefere criações que são impactantes e que demonstrem a graciosidade dos movimentos.

Foto: José Ailson Nascimento

Descobrindo-se por meio da dança

Jaciara Kallyla é um exemplo de dedicação e superação. A bailarina, que começou a dançar inspirada nos seus ídolos, foi vencendo todas as barreiras para fazer do seu sonho algo concreto. O amor pela arte é o principal combustível para seguir nessa missão de educar por meio da dança e ajudar tantas outras mulheres com o elemento essencial, no qual é bombardeado constantemente por diversas violências e cujo poder tenta sempre limitar a liberdade da performance e autoconhecimento. Dessa forma, dançando, Jaciara Kallyla demonstra como se impor no mundo. Para a artista, colocar-se como protagonista é essencial para também criar referências para as próximas gerações e o que mais alegra a artista é ver o brilho no olhar do público após cada apresentação. “Depois da dança foi que me descobri, pois foi a dança que fez eu superar o bullying, foi a dança que fez eu ter segurança”, pontua Jaciara Kallyla.

Contatos

Facebook.com/jaciara.deoliveirasantos

Instagram.com/jaciarasantosdv/

Fotos

Vídeo

Espetáculos

“Emoções” com a coreografia “Cavalgada” (2012);
“Solos para Teresina” com a coreografia “Mejance” (2016);
“As mil e uma noites” com a coreografia “Ali Babah e os 40 ladrões” (2017);
Coreografia “khawleeya show” (2018);
“Alice no país das maravilhas”  om a coreografias “Gato de Cheshire e 6 coisas impossíveis” (2018).

Outras fontes

Última atualização: 15/07/219

Caso queria sugerir alguma edição ou correção, envie e-mail para geleiatotal@gmail.com.

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