A resistência por meio da dança de Ana Clara

A bailarina de dança afro, Ana Clara, é natural de Teresina, mas radicada em Amarante desde criança. Atualmente, vive em Floriano, onde se dedica ao curso de Bacharelado em Nutrição. Além disso, ela é organizadora e professora do Movimento Encrespa Amarante-MEAMAR , Papo Enrolado (Palmeirais-PI), integrante do Modjumbá (Floriano-PI) e Grupo de Capoeira Contemporânea (Regeneração-PI). Ana Clara já circulou por diversos municípios piauienses e maranhenses fazendo diversas apresentações, como Regeneração, São Francisco – MA, Palmeirais, Floriano e Teresina. Em Água Branca, além de se apresentar, ela ministrou oficinas. Ana é pregressa de projetos culturais como o Projeto Cultura Viva. A bailarina faz da dança um meio para mostrar toda a riqueza da Cultura Negra.

    

“A dança representa paz, pois no momento que escuto o atabaque ou o tambor eu sinto como se tivesse lavado a minha alma.” Ana Clara

Nome Completo: Ana Clara da Silva Oliveira

Descrição: Bailarina de dança afro

Data de Nascimento: 19/07/1998

Local de Nascimento: Teresina-PI

Escrito por: Alisson Carvalho
Revisado por: Paulo Narley

O desabrochar da paixão pela dança

A paixão pelas artes é algo que surge de maneira espontânea, mas quando acontece é impossível negar o desejo de criar. Independentemente de qualquer obstáculo a alma do artista é uma represa de criatividade incontrolável, impossível de ser barrada. Foi assim também com Ana Clara que cresceu assistindo as bandas se apresentando nos programas de TV e desde cedo começou a se interessar pelas coreografias de estilos como swingueira e funk. Com o desabrochar do desejo pela dança Ana Clara começa a tentar reproduzir as coreografias das músicas que mais gostava e de tanto brincar de imitar os bailarinos ela passou a dançar espontaneamente. Para Ana, a dança é uma pausa na correria, nos problemas do dia a dia, uma oportunidade de mergulhar dentro de si e encontrar a paz que só a dança é capaz de proporcionar.

O primeiro grupo de dança

Ana Clara não esperou por ninguém para iniciar o próprio grupo de dança, assim que compartilhou do deseje de criar um grupo juntou algumas amigas e juntas começaram a organizar as suas próprias coreografias. O grupo era composto por ela e mais seis colegas( Andressa Cristina, Micaela Maria, Maiara Sobrinha, Larissa Lima, Bruna Alves) e não tardou muito para começar a circular pela escola e dentro de eventos da própria cidade. Assim que ganharam mais confiança as meninas começaram a ousar mais e participar de festivais nas cidades vizinhas. Ana Clara conta que o grupo começou a dançar o estilo Street Dance e as inspirações para as coreografias vinham da internet, com algumas modificações feita pela própria bailarina, além disso era ela a responsável também pela edição das músicas. “O amor pela dança sempre habitou em mim, mas somente com os projetos da escola eu pude desenvolver mais esta arte”, crava.

A importância da escola para a valorização da arte e cultura

Ana Clara descreve como foi fundamental o ambiente escolar para o seu desenvolvimento e para o aperfeiçoamento das suas habilidades com a dança. Com um modelo de Educação focado em conhecimentos holísticos ela pode entender a sua relação com o mundo. Foi na escola CETI Polivalente que Ana começou a se identificar artisticamente, pois foi onde entrou em contato com um projeto desenvolvido pelas GRE’s estaduais que tinham o objetivo de criar coreografias e músicas relacionadas ao Quilombo Mimbó e às histórias de Amarante. O projeto gestou o Grupo Cultura Viva que teve como coreógrafo o bailarino Negro Val e a letra para a música foi desenvolvida pelo professor Neilson. Segundo Ana Clara, a música falava da Cultura Mimbó, do Cavalo Piancó, entre outros aspectos Cultura de Amarante. O espetáculo circulou por alguns lugares na própria cidade como no Festival Cultura Viva no Mimbó e em outras cidades como em Palmeirais. Para a bailarina essas experiências foram essenciais na construção das suas escolhas filosóficas e políticas.

Raízes profundas e galhos culturais fortes

Foi por meio da dança e do projeto Cultura Viva que Ana Clara começou a se aprofundar mais no universo da dança, pois além das informações obtidas ela conheceu diversos profissionais nos muitos eventos que começou a participar. A bailarina começou a entender as suas origens e perceber a importância de valorizar a Cultura, pois somente quando conhecemos as nossas raízes é que podemos defender quem somos. Dessa forma a artista foi conhecendo e participando dos grupos Movimento Encrespa Amarante-MEAMAR , Papo Enrolado (Palmeirais-PI), Modjumbá (Floriano-PI) e Grupo de Capoeira. “Esses movimentos me ensinaram que é importante se amar, se empoderar e conhecer a nossa própria força. Só quando conheci isso foi que passei a amar também as pessoas”, frisa. Ana Clara conta que o Movimento Encrespa já teve quatro edições e que além desse evento o movimento promove ações durante o ano. Em novembro a bailarina participa dos eventos no quilombo Mimbó que tem uma importância muito grande na sua trajetória. A bailarina apaixonada pela cultura da região conta que já foi integrante do grupo folclórico Cavalo Piancó e lá ela pode circular pelas cidades vizinhas fazendo apresentações da dança. “O Cavalo Piancó é uma dança nascida em Amarante onde os fazendeiros durante as noites enluaradas para afugentar os cavalos, os animais que comiam suas plantações e suas vazantes, criavam essa dança. Passavam a noite dançando para não dormir.”

“O amor pela dança sempre habitou em mim, mas somente com os projetos da escola eu pude desenvolver mais esta arte.” Ana Clara

Quando a criação germina

Para Ana Clara a dança é uma oportunidade de expor todas as referências da sua ancestralidade, é por meio da dança que ela consegue se comunicar com o mundo para demonstrar as belezas das suas raízes. Para a bailarina a arte está diretamente vinculada com a política e a educação, pois na sua experiência ela percebeu o quanto a dança e as demais atividades artísticas serviram para despertar a consciência que ela possui atualmente. Por isso, o sentimento que mais motiva a arte de Ana é a liberdade, pois é somente por meio da liberdade que podemos desempenhar atividades que causam prazer. “A dança representa paz, pois no momento que escuto o atabaque ou o tambor eu sinto como se tivesse lavado a minha alma”, diz. Com um processo criativo bem espontâneo, Ana Clara costuma pensar na coreografia primeiro e durante os ensaios vai aplicando o que imaginou, alterando os movimentos para encaixá-los na música quando for conveniente. Para a bailarina as suas grandes referências artísticas são pessoas como as suas professoras Sâmia Alves e Maria das Graças, conhecida carinhosamente como Gracinha ou Pérola Negra, além do coreógrafo e bailarino Negro Val.

Transformando vidas

Ana Clara é pregressa de uma projeto escolar que formou não só artistas, mas uma comunidade consciente do seu papel social e da importância da valorização da própria Cultura. Uma artista que desde os doze anos de idade é envolvida com a Capoeira e que mesclou todas as suas paixões demonstrando o poder que a arte possui de integração. Assim como o batuque do tambor, a trajetória da artista está fincada na dança Afro e sua integração ao movimento ajudou a entender que não existem fronteiras insuperáveis. A artista frisa que um ato que parece simples pode demonstrar uma superação e enfrentamento, por isso o movimento MEAMAR foi um divisor de águas na sua vida, por ensinar, por abrir portas, dilatar a imaginação e permitir vivenciar experiências impares. Soltar os cachos pode ser transgressor, pode despertar discussões sobre diversos temas que são trabalhados na arte da bailarina. Graças a essas ações muitas vidas são transformadas e atualmente a dança assume um papel transformador, pois nos diálogos das suas aulas ela descreve que aprende muito. Ana Clara é uma das referências da dança Afro de Amarante e vem ocupando os espaços e mostrando para as novas gerações a importância de se amar, se aceitar e se empoderar.

Contatos

Facebook.com/anna.klara.50

Instagram.com/cllarana_

Email: cllarana00@gmail.com

Fotos

Vídeo

Outras fontes

https://somosnoticia.com.br/noticias/cidades/amarante/iv-encrespa-acontece-com-grande-publico-em-amarante-189003.html

Última atualização: 29/01/2020

Caso queria sugerir alguma edição ou correção, envie e-mail para geleiatotal@gmail.com.

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