A partitura de criação da artista Deusa Sofia

Atriz e artista visual Deusa Sofia é natural de Teresina-Pi. Formada em Artes Visuais pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), professora de artes, faz parte do Coletivo Piauhy Estúdio das Artes desde 2017. Deusa tem alguns trabalhos construídos, dentre eles destacam-se os espetáculos teatrais “Experimento nº 1” (2017), “Pinóquio e Gepeto ao sabor do vento” (2018) e “Sonatas de Amores, não” (2019). Além disso, a atriz também compõe o elenco do projeto de leitura dramática “A hora do Ângelus” e “Ciclo de Leituras Dramáticas”. Deusa Sofia nesses quatro anos de profissão também participou de trabalhos de publicidade, animações de festas, eventos, videoclipe e é assistente de direção no Coletivo Cine Nuclear colaborando nos curtas “Amélia” e “Bia” (2020), respectivamente. Deusa Sofia também foi uma das selecionadas para o Prêmio Residência de Criação em Artes Visuais (2020).

 

“O teatro é um ofício que se faz ao caminhar, um encontro comigo e com o outro, seja ele público ou colega de cena. E além de me permitir experimentar uma atividade artística, que eu amo, ele é a forma que posso praticar meu aprimoramento como ser humano, pois eu acredito que existe melhoramento, evolução e que isso está no teatro.” Deusa Sofia

Nome Completo: Deuselita de Melo Cardoso

Descrição:  Atriz e Artista Visual

Data de Nascimento: 1989

Local de Nascimento: Teresina-PI

Escrito por: Alisson Carvalho
Revisado por: Paulo Narley

 

Oficina de criatividade

Dos resquícios mais distantes que pairam na memória de Deusa Sofia existem aqueles que demonstram a ligação familiar com as artes, apesar da família não possuir grande relação com esse meio ela conta que as lembranças do pai cantando volta e meia surgem como essa ligação. Além disso, ter ganhado uma caixa de livro do pai ainda a infância teve um impacto na sua relação com a sua ligação com as letras. Foi no núcleo familiar de Deusa que eclodiu o desejo por se expressar artisticamente de maneira acentuada e ela frisa como desde criança gostava de pintar, desenhar, escrever histórias, reescrever histórias de filmes, enfim, explorava amplamente a sua criatividade. “A leitura para mim foi a primeira arte a ser despertada”, diz.  Essa aptidão foi crescendo espontaneamente e sendo reconhecida pelos demais, tanto que Deusa era convidada para as atividades artísticas escolares chegando inclusive a apresentar uma peça teatral na Praça Saraiva ainda no ensino médio em um período que não tinha sequer pretensões de enveredar pelas artes cênica.

 

O encontro com as artes

A leitura é capaz de promover grandes mudanças, permite ao leitor viajar por caminhos desconhecidos e descobrir conhecimentos condensados nas entrelinhas. Não é por menos que Deusa Sofia era – e é – apaixonada pela leitura, tanto que já na adolescência ela geralmente visitava a biblioteca Abdias Neves e como optava por visitar o local até fora dos períodos letivos, como nas férias de final de ano, começou a ser presenteada com livros pelas bibliotecárias. E segundo Deusa, isso foi marcante na sua relação com a leitura. A leitura foi o que motivou Deusa a enveredar pelas artes, mesmo quando era uma criança ela começou os primeiros rabiscos para dar vida ao que lia nas histórias infantis, graças aos livros ela também quis atuar e estudar o teatro. Deusa conta como é uma apaixonada pela música e isso a levou para o curso de Letras-Inglês, mas o chamado para as artes começou a pesar mais e ela migrou para o curso de Artes Visuais na UFPI onde experimentou, pelo menos amadoramente, várias expressões artísticas como o audiovisual que viria a ser o seu tema de pesquisa no trabalho de conclusão de curso.

 

As contribuições do Coletivo, pensando coletivamente

Nessa constante busca por vivências artísticas e conhecimentos na área, Deusa Sofia entra em contato com alguns projetos como o SescConfluências das Artes (2015), organizado pelo Sesc, uma espécie de fórum setorial das artes visuais com o objetivo de promover um debate em torno da linguagem a partir de uma visão sistêmica, e também como uma incubadora, por incentivar o desenvolvimento de soluções para as problemáticas apontadas.

Lá ela teve a oportunidade de conhecer alguns artistas que são amigos e inspiração: como a artista plástica Esther Araújo, o músico e diretor de teatro Antônio Morabito e o artista visual e fotógrafo Alexandre Sequeira.

Mesmo assim ainda não tinha encontrado uma âncora até que ela é informada sobre a seleção de atores do Coletivo Piauhy Estúdio das Artes. Deusa participou da seleção em 2016 e segundo a artista essa entrada foi responsável por grandes mudanças na sua vida e que acontecem até atualmente. Nessa nova etapa da vida da artista a vivência em grupo permite uma constante investigação sobre aspectos variados em busca de um rigor técnico, ao passo que essa mineração desses conhecimentos é também responsável pela conscientização da partitura corpóreo-vocal. Para a atriz, esse esforço pela consciência corporal é uma busca que acompanha o artista e que nunca para. Foi dentro do grupo que ela literalmente foi batizada com o seu nome artístico Deusa Sofia, como sugestão do Diretor Adriano Abreu, e que segundo ela é muito representativo. O grupo deu a atriz um caminho mais definido no campo de possibilidades e permite que ela tenha oportunidade de estudar os seus obstáculos internos, dialogando honestamente consigo e com os outros para, por meio desse entendimento, achar um caminho.

“A Deusa Sofia enquanto artista já experimentou um pouco de música, um pouco de dança em oficinas e no curso de artes visuais e hoje como atriz ela procura usar tudo que aprendeu para as suas criações.” Deusa Sofia

 

Uma comunicação íntima

Geralmente os atores e atrizes iniciam os seus trabalhos com o texto o que não é bem o caso de Deusa Sofia que possui uma prática que precede esse caminho, segundo a atriz o trabalho do Coletivo envolve laboratórios de corpo e voz e só posteriormente é que o elenco se debruça sobre o texto.

Portanto, a sua construção envolve entender as sensações físicas e emoções dessas personagens que ganharão vida ao longo do tempo. Construir e criar é um esforço duradouro que atravessa outros momentos além do momento em grupo, são sensações sutis que vão dando o arcabouço necessário para esse processo. Cada tipo de criação é específico, para o teatro ela gosta de criar diálogos internos com as personagens. “Minha irmã me disse que no teatro eu quero entrar nas mentes das pessoas e quero que as pessoas entrem na minha mente. Então é isso, é um trabalho de visualização no qual eu preciso construir essas imagens de forma que eu me sinta ali dentro e que eu traga as pessoas para essa criação.”

 

As contribuições para a construção de um trabalho

As muitas referências ajudaram a solidificar os conhecimentos de Deusa Sofia passam antes pelas artes visuais, pois além da sua formação em artes visuais ela estudou muitos dos artistas. Além dos livros lidos ao longo da vida e músicas escutadas também compõe esse repertório que para a artista é construído lentamente pela relação da pessoa com a sua cultura. O artista visual Danilo Medeiros é o nome que lhe vem a mente quando pensa em alguém das Artes Visuais que lhe inspira e como referência.

Como professora de artes ela frisa que o teatro ajudou muito a se desenvolver e tentar transmitir conhecimentos de forma mais dinâmica. Dessa forma, as transformações do teatro ultrapassam os palcos, modificam até a forma de se comportar e enxergar o mundo. “Estar no teatro modificou a minha forma de agir em sala de aula, na vida, mesmo seguido o planejamento eu tento buscar a presença do aluno, uma das buscas do ator é estar presente, dessa forma eu busco trocar mais verdadeiramente com os alunos”. Um colega de trabalho e formação que destaca como inspiração e contribuição para sua vida na docência é o artista visual e professor de Artes John Robert Jr parceria para amizade e o ensino da arte.

“A Deusa Sofia enquanto artista já experimentou um pouco de música, um pouco de dança e hoje como atriz ela usa tudo que aprendeu para as suas criações.”

No teatro Deusa Sofia destaca os seus colegas de trabalho inicialmente e conta que essas referências se ampliam conforme ela vai lendo, interagindo, viajando, entre outros.

Por conta do trabalho conheceu e viveu trocas importantes para sua trajetória como com o músico e professor de canto Edvan Soares, músico baiano Elinaldo Nascimento e o músico e professor de acordeom e música Francisco Borges.

Para Deusa Sofia, foram os valiosos conhecimentos compartilhados pela Silmara Silva, Adriano Abreu, Carlos Augusto Aguiar, Erica Anunciação, Állex Cruz e Waldfran Soares que vão contribuindo também para a sua formação como artista e pessoa com muito respeito, generosidade luz e amor à arte.

 

Teatro como uma escolha, uma aptidão

Deusa Sofia enveredou pelo teatro e foi descobrindo o seu próprio caminho, um trajeto cheio de pesquisas e estudo que impactaria em diversos aspectos do seu dia a dia. Deusa Sofia é uma pesquisadora, leitora, apaixonada pelo conhecimento e que abraçou a arte em sua vida. Ela frisa que esse ofício provoca uma transformação interna e consequentemente externa. O teatro, portanto, é a sua forma de manifestação, de expressão e de aperfeiçoamento, além de ser a arte que cura, afinal o teatro é sinergia. Além do teatro, Deusa Sofia é integrante do Coletivo Cine Nuclear que foi formado em 2020 e já está se estruturando para apresentar novos trabalhos no audiovisual.

Contatos

Facebook.com/deusasofia

Instagram.com/deusa_sofia

Fotos

Vídeo

Espetáculos

Experimento nº 1 (2017);
Pinóquio e Gepeto ao Sabor do Vento (2018);
Espetáculos: Sonatas de Amores, não (2019).

Outras fontes

O Núcleo Experimental de Cinema exibirá os curtas “Amélia” e “Bia”

http://piauiestudio.blogspot.com/2021/01/cenico-funcional-treinamento

Última atualização: 11/03/2021

Caso queria sugerir alguma edição ou correção, envie e-mail para geleiatotal@gmail.com.

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