Valciãn Calixto lança “Exu Não É Diabo” e aborda o racismo religioso no Brasil

O piauiense Valciãn Calixto lança nesta segunda-feira (25), dia de cultuar Exu, o single Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan), que a um só tempo aprofunda suas pesquisas com os ritmos nordestinos como o coco, traz um novo instrumento aprendido pelo músico nos últimos seis meses, o cavaquinho e, sela de vez sua ligação com a música de terreiro, o que já vinha propondo desde Nada Tem Sido Fácil Tampouco Impossível, seu disco de 2020.

Faixa do EP Macumbeiro 2.0, com previsão de lançamento para agosto, a composição escrita há quase um ano, fruto da vivência e estudos de Calixto, vem para desmistificar a concepção errônea que o Brasil tem de que a entidade e o orixá Exu, das religiões de matrizes afro, possam ter qualquer ligação ou semelhança com o diabo, figura coercitiva do cristianismo.

Mais urgente e necessário que nunca, o single Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan), calhou de ser lançado quando o país vive dois episódios de intolerância e racismo religioso de grandes proporções.

Podemos ver isso com o recém acontecido caso de Lázaro, um serial killer evangélico, mas que foi acusado pela PM de práticas satânicas, discurso rapidamente comprado e divulgado pela imprensa nacional, que associou de maneira criminosa imagens e símbolos dos cultos de terreiros ao assassino, fortalecendo no imaginário popular o racismo religioso para com as religiões de matrizes africanas. Não bastasse esse desserviço, a caçada ao criminoso foi usada como justificativa para que policiais militares perseguissem e invadissem irregularmente casas de Umbanda e Candomblé e coagissem pais e mães de santo entre o Distrito Federal e Goiás.

À baila vem ainda o resgate do ‘Caso Evandro’, de 1992, com série, reportagens e podcasts a respeito, mostrando como três pais de santo foram torturados pela polícia e obrigados a confessar que sequestraram e mataram um garoto de sete anos. Um pedido de revisão criminal sobre o caso será impetrado no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR).

Na desconstrução de um olhar ainda colonial e preconceituoso com as manifestações e culturas negras no Brasil, Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan) é um alento, um motivo e um caminho para uma nova consciência brasileira. A faixa ainda se fortalece com os samples de Fora Bolsonaro, reza cantada em um congresso por Dona Palmira da Paraíba e do Samba de Coco Irmãs Lopes.

YouTube: Exu Não É Diabo

FICHA TÉCNICA

Gravação: Calistúdio ( Teresina-PI)
Voz, cavaquinho, guitarra, baixo, fantasia e percussão adicional: Valciãn Calixto
Backing Vocal: Eryka Alcântara
Mix/Master: Valciãn Calixto
Capa: Casa Raiz de Ogum em Teresina-PI
Sample 1: Menina Eu Vou Dizer – Samba de Coco Irmãs Lopes
Sample 2: Fora Bolsonaro – Dona Palmira da Paraíba

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