Tropicalia: Um RPG brasileiro à moda antiga

Fonte: Paulo Henrique Franqueira/Steam

Revisão: Joana Tainá

O Brasil é um país culturalmente diverso, entretanto, na história de sua trajetória cultural, algumas expressões populares se tornaram periféricas, retiradas do eixo central do país e diminuídas ou doutrinadas por outros valores e culturas que surgiram ou foram inseridas no país por influências externas. Logo, existe um apagamento cultural constante que, considerando o caráter branco, burguês e exploratório da colonização no Brasil, é de se esperar que toda cultura não-branca tenha sido atacada. Tropicália é um jogo que recupera signos da cultura indígena brasileira e adapta ao formato de RPGs antigos, mesclando a diversidade cultural do país com um jogo que compreende bem o que fazia os velhos RPGs serem memoráveis.

Fonte: Paulo Henrique Franqueira/Steam

Primeiramente, Tropicália é um jogo simples. Nele, jogamos como Kaique, um ágil guerreiro da etnia Guarani e que teve sua namorada sequestrada por uma divindade do folclore Guarani chamada Tau. Diante disso somos inseridos em uma região rica em fauna e flora, onde Kaique se vê em perigo diante do ataque constante de animais da floresta que ali vivem. Ao explorar o mapa, encontramos outros personagens com que podemos interagir, conversar, fazer troca de itens, e alguns que recompensam a subida de nível do personagem. Já que, claro, isso é um RPG.

A premissa de Tropicália é, além de fazer referências à cultura indígena brasileira, referenciar também RPGs famosos de Super Nintendo. Mas, para mim, que não tive muito contato com esses jogos em específico, o que Tropicália me relembra são os primeiros jogos de Pokémon que saíram para GameBoy e GameBoy Color. A estética do ambiente que visitamos lembra muito jogos como Pokémon Gold e Silver, lançados em 1999, só que com sprites coloridos e uma pixel art de animais e personagens bem mais bonita e uma trilha sonora que se mistura bem com todos os outros elementos.

Fonte: Paulo Henrique Franqueira/Steam

Sobre a estética, Tropicália consegue ser, ao mesmo tempo que referencial, bastante único ao trazer tantos elementos de fauna e flora brasileiros com uma reprodução visual por meio de pixel art. A ideia de se ter batalhas em turno contra onças-pintadas, araras, caranguejos e serpentes é bem legal e o sistema de luta, que permite o jogador utilizar ataques físicos, ataques mágicos como Raios, Bolas de Fogo, Ventanias, ou fugir, se conseguir. Além de itens utilizáveis no meio de batalhas, cada um com uma propriedade única: Caju, Boldo, Aloe Vera, etc.

Com essa multiplicidade de sistemas, apesar de ser um jogo de escopo pequeno, Tropicália demonstra ser uma fonte de diversão duradoura.

Fonte: Paulo Henrique Franqueira/Steam

Com essa multiplicidade de sistemas, apesar de ser um jogo de escopo pequeno, Tropicália demonstra ser uma fonte de diversão duradoura. O jogo espera que o jogador tenha interesse em explorar todo o mapa, batalhar e acumular experiência e pontos de habilidade ao lutar várias e várias vezes com os inimigos que se encontram nos matagais do mundo, mas apesar disso, existem alguns pontos a serem melhorados.

Tropicalia é, também, um jogo lançado em early-acess, ou acesso antecipado, o que quer dizer que é um produto jogável, mas que ainda não está finalizado ou chegou a estar “pronto”. E apesar de visualmente e sonoramente ser um produto muito interessante, existem pontos a serem aparados, como por exemplo a progressão em Grind. O termo Grind consiste em um jogo em que, para subir de nível, o jogador tem que passar por repetidas lutas em um mesmo lugar até ter nível o suficiente para avançar mais um pouco no mapa do game, mecânica muito recorrente em RPGs antigos, o que não é uma surpresa de se ter em Tropicália, considerando seu escopo. Todavia, até mesmo alguns fãs de RPGs podem, atualmente, não gostar tanto desse tipo de mecânica, já que alguns jogos contemporâneos buscam aliviar o Grind, tornando o game menos repetitivo ou maçante.

Apesar do Grind, jogar Tropicália pode ser uma experiência bastante recompensadora.

Fonte: Paulo Henrique Franqueira/Steam

Apesar do Grind, jogar Tropicália pode ser uma experiência bastante recompensadora: os visuais são convidativos, as imagens dos animais da fauna brasileira e de frutas e sementes da flora passam a sensação de estarmos jogando um game brasileiro que saiu para Super Nintendo, algo que seria impossível na época, mas que o game consegue executar bem. E já que Tropicália está em aceso antecipado, ele tem potencial para melhorar, aparar suas mecânicas e se tornar em uma experiência completa de um RPG sobre o coração do Brasil, sua história e cultura primária.

Fonte: Paulo Henrique Franqueira/Steam

Cópia do jogo cedida pelo desenvolvedor.

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