A fotografia poética de Caio Negreiros

“A poesia é uma coisa que faz parte, independe da minha vontade de escrever. É uma necessidade, é como respirar, é como água, como tomar cerveja”, diz Caio Negreiros. Um criador que brinca com a imagem na poesia, a poesia na imagem, a poesia visual e a fotografia poética, Caio Negreiros é natural de Teresina, bacharel em Direito, pela Universidade Federal do Piauí. É fotógrafo, poeta, procurador do município de Teresina. Já publicou os livros de poesia “A decadência das horas” (1993), “Portal do Hades” (1996), “Sobras do dia” (2002) e “Poemas insidiosos” (2012). Como fotógrafo, teve fotos suas publicadas no livro “Livro: Piauí-Brasil -Alto Ribantejo -Portugal -Identidades e Diversidade Cultural”, nas revistas Revestrés (nº 14 e 24) e Fotografe Melhor (ed. 254), e no site viajeaqui.abril.com.br. Caio Negreiros é o olhar de Teresina, sempre captando luzes das estruturas da cidade, mostrando uma cidade que não dorme, se transforma constantemente.

Foto: Rebeca Santos

“A poesia é uma coisa que faz parte, independe da minha vontade de escrever. É uma necessidade, é como respirar, é como água, como tomar cerveja.” Caio Negreiros

Nome Completo: Kayo Douglas Mesquita Negreiros

Descrição: Poeta, escritor e fotógrafo

Data de Nascimento: 02/071973

Local de Nascimento: Teresina

Perfil escrito pela Geleia Total
Escrito por:
 Alisson Carvalho
Revisado por: Narley Pereira Cardoso 

A infância do artista

Caio Negreiros relembra que não teve influências da família na busca pelo caminho das artes, mas que sempre se nutriu com muita música romântica que, de certa forma, foi transformando o seu olhar e construindo um repertório de cultura emocional, segundo o fotógrafo. Posteriormente, o menino começou a se interessar muito pelo futebol e quis fazer do hobby um projeto de vida, mas a meta de se tornar jogador de futebol profissional foi interrompida por uma lesão no joelho. Há muita criação no esporte, Caio frisa isso e completa que o futebol também é poesia, pois tem a arte do drible e a improvisação, que é própria do esporte. Sem tantas possibilidades de continuar jogando, o menino começou a investir mais nos estudos e foi quando se deixou impregnar pelo encanto da literatura.

Fragmentos de poesias

Foi estudando literatura no ensino médio que Caio Negreiros aproximou-se da música. Atraído por Caetano Veloso, Chico Buarque, entre outros, foi conquistado pela poesia melódica dos cantores de MPB e enveredou para a música. Então, Caio estudou música, na Escola de Música, no projeto Música Para Todos, chegando a cursar mais da metade do curso de Violão Popular, experiência que proporcionou uma base musical ao artista. A aproximação com outra arte fez Caio Negreiros fortalecer a outra paixão, pela literatura, manifestando na forma de versos e poemas a sua criatividade. Foi quando o jovem poeta arriscou rabiscar os primeiros poemas e no período que se dedicava aos estudos para o vestibular que ele conheceu a poeta Marleide Lins. Sem pestanejar, Caio entregou para a poeta alguns poemas e um pequeno manuscrito, esta sugeriu ao jovem escritor a publicação de um livro com aqueles poemas e, assim, surgiu o primeiro livro do escritor, intitulado “A decadência das horas” (1993).

Imersão na fotografia

Não importa se driblando, escrevendo ou fotografando, Caio Negreiros cria espontaneamente, independente da sua própria vontade. Essa necessidade de expressar suas sensações, dúvidas e pensamentos vez por outra assume a forma de imagens, são fragmentos do seu olhar de criador. Caio Negreiros começou a fotografar em 2013, usando o próprio celular, e os resultados começaram a chamar a atenção dos colegas que recomendaram que ele tentasse experimentar fotografar com uma máquina fotográfica, pois ele conseguiria aprimorar a sua fotografia. Caio Negreiros seguiu o conselho e, além da câmera, passou a estudar os grandes nomes da história da fotografia, sobre a história da arte. Aos poucos, o poeta foi redescobrindo o encanto da criação, mas dessa vez, por meio da imagem, foi explorando a câmera nova e posteriormente estudando as funções do equipamento. As fotografias tiradas no modo automático foram passando para o modo manual e ganhando mais personalidade. Caio conta que, assim como a poesia, as fotografias foram nascendo espontaneamente, intuitivamente, como uma poesia visual.

Foto: Rebeca Santos

“A fotografia é a forma de fixar o olhar que eu tenho sobre as coisas, é o suporte, como a poesia em que o papel é o suporte das palavras.” Caio Negreiros

Um suporte para a inspiração

O suporte muda, mas a inspiração continua tecendo, por isso, Caio Negreiros está em processo constante de criação e ele permite que esse processo seja espontâneo, livre de amarras, que seja uma torrente de criatividade. Seus poemas não seguem um padrão, flutuam entre temas existencialistas e metapoemas (poemas em que o autor tenta explicar o próprio poema). Além disso, Caio Negreiros se inspira muito no dia a dia, no cotidiano, na sua própria existência e relação com o mundo, inclusive com o ritmo da urbanidade. A poesia, para o poeta, é também uma forma de fuga, de se esquivar das experiências sufocantes que massacram e se tornam comuns. “Acho que a arte te dá essa possibilidade de fugir”, pontua Caio Negreiros. A poesia é o assunto recorrente na obra do poeta, ele comenta que está sempre tentando compreendê-la. Já a fotografia, “é a forma de fixar o olhar que eu tenho sobre as coisas, é o suporte, como a poesia, em que o papel é o suporte das palavras.” A obra fotográfica de Caio Negreiros tem como tema predominante a cidade, Teresina, focando na arquitetura e explorando a luz em condições com pouca luminosidade, como durante a noite. “Eu vejo como que a luz altera a beleza das coisas. Uma luz interessante modifica totalmente aquele objeto ou as pessoas”, lembra Caio Negreiros.

“Nada e tudo, né? A fotografia é a forma de fixar o olhar que eu tenho sobre as coisas, é o suporte, como a poesia, em que o papel é o suporte das palavras.”

A transformação da fotografia

Caio Negreiros deixou o celular de lado, para explorar a câmera digital, potencializando o seu trabalho com a imagem. A câmera ficou guardada durante três meses, até finalmente Caio começar a explorar o equipamento e perceber as nuances que era possível utilizando uma câmera fotográfica. Ele conta que a busca pela imagem sempre caminhou no mesmo sentido da poesia, das construções dos versos. O fotógrafo foi buscando um olhar não convencional e reflete sobre como o seu olhar sempre foi fora do comum. Antes mesmo de pensar em ser fotógrafo, Caio conta que já gostava de explorar os poemas visuais, a imagem na poesia e relacionando com as demais artes, pois tudo isso é relacionado à forma como o criador, o artista, sente. Este só precisará aprender uma técnica para transmitir esse sentimento. Para Caio Negreiros, essa técnica se manifestou na fotografia e na poesia de forma igual.

Pontos de luzes

Caio comprime, na rima, um universo de pensamentos. Seus haikai demonstram a maturidade atingida não só na literatura, mas na fotografia, além do seu olhar em relação às artes. A sensibilidade que se aninha nos traços do poeta está expressa nas suas obras, assim como nas diversas antologias nas quais suas criações se fizeram presentes. Caio Negreiros extrai luz da penumbra e transforma a noite em arte, por meio do seu olhar poético. O fotógrafo vai garimpando as suas fotos na paisagem citadina e superando os obstáculos para conseguir captar o ângulo que melhor rima com as suas criações. Suas fotos são como textos materializados que ganham vida com o olhar do espectador, nunca são totalmente estáticas, são fotos que mudam conforme a iluminação, o posicionamento e perspectiva do observador. Caio Negreiros possui poesia até no olhar, suas fotografias conquistaram rapidamente o público, e os seus versos ecoam pelo Piauí sem limites, despertando, provocando os leitores e inspirando outros poetas e fotógrafos.

Contatos

facebook.com/caionegreiros87

instagram.com/caionegreiros

caionegreiros.myportfolio.com

E-Mail: caionegreiros87@gmail.com

https://caionegreiros.myportfolio.com/poemas

Fotos

Este slideshow necessita de JavaScript.

Bibliografia

A Decadência das Horas (1993);

Portal do Hades (1996);

Sobras do Dia (2002);

Poemas Insidiosos (2012).

Fotos Publicadas

Livro: Piauí-Brasil -Alto Ribantejo -Portugal -Identidades e Diversidade Cultural – CEIPHAR/ITM -FUNDAC, 2013. ISBN :978-989-Si610-7-0/ 978-85-61062-06-4

Revista Revestrés #14, Maio/Junho 2014 – ISSN 22388478

Revista Azul Magazine #24, Abril 2015 -Editora Arranjo de Letras Eireli

Site www.viajeaqui.abril.com.br National Geographic Brasil- Março 2016

Revista Fotografe Melhor, edição 254, Novembro 2017.

Outras fontes

http://165.22.43.48/2018/03/29/a-fotografia-e-o-direito-de-imagem-caio-negreiros/

http://www.icsrita.org.br/poesia-caio-negreiros/

http://www.revistarevestres.com.br/algomais/occupyareves/por-caio-negreiros/

 

Última atualização: 30/06/2018

Caso queria sugerir alguma edição ou correção, envie e-mail para geleiatotal@gmail.com.

3 Shares:
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você Pode Gostar
Leia mais

Maria da Inglaterra

Maria Luiza dos Santos Silva, mais conhecida como “Maria da Inglaterra”, nasceu em Luzilândia em 1940. Começou a…
Leia mais

Lais Rosa

Ela é um sucesso nas redes sociais, seus textos ultrapassaram as fronteiras e conquistaram admiradores de todas as…