Insólito, de Italo Cristiano

procurei em tuas pernas

a matéria da poesia;

do que poderia ser feito o músculo

que pulsa qual um coração

quando meus dentes o arranham

dos pêlos eriçados

qual um cacto do sertão

quando minha língua

os absorve

do que seria feita a pele

se de repente do branco

fosse rubro

ao sabor do que lhe chega ao ouvido

das veias aflorando sangue

tal um vulcão expelindo calor

sob o peso das mãos

é a medida do verso

a matéria das pernas

tal qual um inseto

iluminando a noite

eu, bicho-homem

devassei teu campo de flores

 

Ítalo Cristiano

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