Visão do Rio Parnaíba, de Francisco Miguel de Moura

(Com o perdão de Da Costa e Silva, o maior dos poetas piauienses).

 

Parnaíba, te vejo intensamente,

na dor de “velho monge” resignado,

a dar vida, prendido na corrente,

a derramar-te ao longe, e fatigado.

No rijo dorso levas, noite e dia,

lendas, canoas, barcos, pescadores.

E em cada braço, a verde ramaria

enfeitada de rendas e de cores.

Sem bordão, sem rosário, sem vaidade,

desafias o sol, a areia ardente,

abraçando cidade e mais cidade.

Nessa faina, ora calma, ora inquieta,

Humildemente, carismaticamente,

Cantas do canto que cantou o poeta.

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