A SURPREENDENTE FLORAIS DA TERRA QUENTE, POR WONNACK

10 mil no dia da entrevista. Hoje, quase 25 mil. Esse é o número de vezes que a música A Semana foi executada no Spotify. A banda Florais da Terra Quente lançou seu single dia 9 de maio e já possui números expressivos em menos de um mês. A banda que se intitula de coletivo começou com o pé direito e tem muito mais a mostrar.

A Semana é a música de trabalho do coletivo Florais da Terra Quente e foi gravada no Toca Estúdio pelo engenheiro de som e produtor Wilseff Lago. Para cobrir os gastos da gravação da música a banda usou da criatividade e organizou um evento para isso. 

 “A gente falava para as pessoas que estávamos fazendo o evento para gravar uma música e as pessoas se solidarizavam” – Marcelo Moura Fé.

ARTE DO SINGLE

A ideia inicial era usar uma foto para ser a capa do single, mas o grupo discutiu e resolveu usar uma obra de arte, pois querem unir as diversas linguagens artísticas, como pintura e música.

“Partimos de uma incerteza para buscar uma certeza. Discutimos e resolvemos usar uma obra de arte feita por alguém daqui” – Moisés Rêgo.

A arte é uma tela com tinta a óleo pintada por Mavi (Mária Vitória). São águas vivas flutuando no espaço.

“Pedimos para ela ouvir a música e escolher uma arte dela que se encaixasse com o que sentia da música. Ela enviou a arte pra gente e de cara concordamos. A música fala da loucura do cotidiano, de chegar em casa e sonhar e a capa são águas vivas flutuando no espaço e passa essa ideia surreal” – Marcelo Moura Fé.

CLIPE

As imagens e roteiro são de Oliver e Moisés Rêgo, guitarrista e baterista respectivamente. O clipe é de produção própria da banda.

“A ideia do clipe é perceber Teresina acordar para o começo de uma semana. No clipe mostramos o dia amanhecendo com o sinal fechado, depois ele abre e a cidade começa a se movimentar até chegar no segundo momento que é mais intimista, onde a banda aparece” – Oliver.

“Iniciamos as filmagens 4h30’ da manhã, pois queríamos imagens do dia amanhecendo. Um detalhe é que quando o sinal abre você espera que tenha muita movimentação das pessoas, dos carros e na verdade não mostramos isso, mostramos a cidade vazia sem seus personagens por que a percepção de intimismo que mostramos depois é que vem mostrar que essa movimentação é dentro do contexto mais interno das pessoas. Não fomos pensar no cotidiano óbvio de mostrar pessoas andando, nós fomos fazendo recortes do vazio de Teresina, da suposição de pequenos movimentos na cidade partindo do nosso movimento de câmera, do nosso olhar a procura de personagens que não existem. A gente faz as ligações das imagens por meio de interseções e as pessoas em seu cotidiano criam interseções” – Moisés Rego.

LETRA

“A música basicamente fala sobre alento, no caso, alento é uma pessoa. Eu precisava fazer uma música sobre Teresina, eu queria falar da minha rotina, da rotina de Teresina e isso não é algo ruim na música, é só um complemento, algo que acontece. A música foi composta nesse contexto de chegar em casa depois de enfrentar um trânsito, ônibus, sair de uma aula, do trabalho, chegar em casa e desabafar. Você precisar que a semana passe logo pra poder ligar para aquela pessoa que você quer encontrar no fim de semana, por isso que a capa do single encaixou com a letra, pois quando eu vejo essas águas vivas no espaço, é algo que me foge da realidade, então, é como se a música fosse um convite para um mergulho que você sai daquela rotina, que você está vivendo aquilo e está achando bonito, mas no final de semana você convida aquela pessoa para fugir daquela realidade e viver uma experiência surreal que é muito íntima, a música trata disso e ela foi composta nesse contexto, num dia cansativo e de alguém que espere querendo desabafar chamando seu alento para um convite” – Marcelo Moura Fé.

PROJETOS

Lançar 3 singles (com clipes) até agosto. E até dezembro lançar um álbum com 12 faixas.

“Somos um coletivo, sendo um coletivo temos muita diversidade. As músicas vão se interligar, mas elas vão causar certo espanto pela diversidade de estilos que vamos tentar explorar, mas no fim terá uma identidade nossa” – Marcelo Moura Fé.

FLORAIS DA TERRA QUENTE

A banda escolheu um nome bem piauiense exatamente por levar com ela referências regionalistas.

 “Queríamos um nome que significasse a nossa vibe de música, de roupa, de estilo e ao mesmo tempo remetesse ao nosso estilo de música que é piauiense, pois gostamos de trazer referências regionalistas e pensamos em Florais, mas sentíamos que faltava alguma coisa, então a Cami Rabelo sugeriu que colocássemos Da Terra Quente e achamos legal por estar levando o Piauí no nome. Sendo que quando a gente vai pra qualquer lugar do Brasil e fala ‘sou do Piauí’ as pessoas comentam: ‘pô, mas é quente, né?’ Aí ficou Florais da Terra Quente” – Marcelo Moura Fé.

“Florais também é um produto de manipulação farmacêutica, então, floral é uma coisa que você toma para uma transformação interna que é pelo aspecto espiritual e é bem comum aqui em Teresina nas farmácias de manipulação, onde você pode pedir florais pra quem está ansioso, florais pra isso, pra aquilo” – Moisés Rego.

MENSAGEM FINAL

“Criamos um coletivo partindo do pressuposto que sozinho a gente não ia conseguir. Eu ouvia as composições dos outros e sabia que eram boas, mas eu estando com eles nós vamos alcançar um público maior e mais referências. Por exemplo: eu sou da MPB, mas a guitarra do Oliver é blues rock e na minha música vai fazer total diferença. O que uniu a banda foi o coletivo. Somos 8 pessoas e cada um tem sua bolha social e nós vamos integrar todo mundo. E queremos nos unir com outras bandas, pois é mais fácil todo mundo junto” – Marcelo Moura Fé.

ONDE OUVIR:

 

Spotify

Deezer

 

INTEGRANTES

Oliver: guitarra

Lauane Vieira: teclado

Moisés Rego: batera

Marcelo Moura Fé: vocal e baixo

Juscelino Filho: violão e vocal

Yngla Hillary: violão e vocal

Klenda Pinho: vocal e percussão

Pedro Augusto: violino

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