Natal do órfão, de Santiago Vasques Filho

—      “Mamãe, Papai Noel não veio ainda?
No ano passado ele chegou tão cedo!…”
E a mulher, voz tremente, à tarde finda,
tenta encobrir o trágico segredo:

—      “Vai dormir, que ele vem… Não tenhas medo.
Olha as estrelas… Como a noite é linda!…

Põe teu sapato ali, que o teu brinquedo

há de deixar, por perto… É cedo, ainda…”

 

Dorme o garoto, e acorda com surpresa,
vendo vazio o velho sapatinho!

—      “Ele não veio!…” E logo o pranto vaza.

—      “Sim, filhinho, não veio… com certeza
não encontrou teu pai pelo caminho,

ou se esqueceu do número da casa!…”

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