No dia 29 de agosto (sábado), ocorrerá o lançamento de mais um livro pela Editora Geleia Total!
O livro de contos “Para sempre madrugada”, do escritor teresinense Ayrton de Souza, é a reunião de dez histórias de horror que, ambientadas em Teresina, combinam o cotidiano banal da cidade com elementos fantásticos, aparições fantasmagóricas, monstros e assombrações para dialogar sobre temáticas sociais, tais como: violência, saúde mental, políticas públicas, entre outras. A proposta, segundo o autor, é questionar a naturalidade com a qual a sociedade enxerga e trata situações ultrajantes no dia a dia.


Ayrton de Souza, além de escritor, também é professor e pesquisador com mestrado em Letras e editor-colaborador na Geleia Total, tendo sido um dos responsáveis pela coletânea “Piauí 2123”. Antes de “Para sempre madrugada”, o autor também conta com a publicação do e-book “O Vírus em Dolores”, além de contos publicados em plataformas de texto e escrita.
Para o lançamento de “Para sempre madrugada”, que ocorrerá neste sábado, dia 29, na Biblioteca Cromwell de Carvalho, às 15 horas, a Geleia Total entrevistou Ayrton de Souza para conversar mais sobre o livro, processos criativos e expectativas. Confira:
Geleia Total: Primeiro, como surgiu a ideia de “Para sempre madrugada”?
Ayrton de Souza: Em algum momento eu decidi escrever sobre o que acontecia ao meu redor. Fascinado pela escrita do O.G. Rego de Carvalho, busquei construir narrativas que fossem ambientadas em lugares que estive ou que são importantes no espaço em que vivo. Os elementos fantásticos e a estética do horror sempre fizeram parte do meu interesse criativo, mas ao conhecer autoras como Mariana Enriquez e Monica Ojeda, além de ter feito parte de um período de alta popularidade das revistas virtuais de ficção especulativa e lido coletâneas como o Farras Fantásticas, da antiga Editora Corvus, tive uma compreensão da importância de falar sobre os meus arredores através da minha maneira de interpretar, que é essa que deriva para o insólito. Então, iniciei escrevendo contos com temas que já tinha refletido sobre e, ao longo da escrita, outros foram surgindo.
Geleia Total: Como foi o processo de desenvolver as dez histórias que compõem o livro?
Ayrton de Souza: Foi um grande aprendizado. Apesar de já ter autopublicado textos anteriormente, sinto que a escrita do “Madrugada” foi feita com mais profissionalismo. Acho que só nesse livro eu realmente me vi como escritor. Havia os períodos de escrita, de betagem, de edição, de reescrita. Então, mesmo se eu estivesse com bloqueio criativo, ele logo passava e sempre havia algo para ser escrito. Muita coisa que foi posta para o papel, durante as edições e reescrituras, foi apagada, mas escrever é mesmo esse ato de se sustentar com os miolos das coisas.

Geleia Total: Todos os contos são situados em Teresina e você explora o cotidiano da cidade a partir de elementos do horror e do fantástico, com figuras assombradas, sobrenaturais, fantasmas… Apesar disso, podemos entender que o horror nos contos se manifesta para além do sobrenatural, mas também na forma como as personagens lidam com as questões?
Ayrton de Souza: Algo que sempre falo quando mencionam a presença do sobrenatural é da cultura da dessensibilização. Vivemos em um país construído sobre os mais diversos tipos de violência e, quando você faz uma reforma em casa, a não ser que derrube todas as paredes e refaça tudo do zero, os tijolos da fundação permanecem. Com o tempo, sinto que fomos acostumados a aceitar alguns processos de violência e a tê-los como naturais, normais. Como partes de uma casa da qual não podemos partir.
Para mim, sinto que utilizei o horror para mostrar o lado oculto que foi tido como cotidiano.
A sinopse de quase todas as histórias do livro passa por cenas consideradas “banais”. Agora, quando um fantasma passa a assombrar alguém, ou um carro ganha vida própria ao atropelar pessoas, é como se as histórias pudessem ao menos causar o mínimo do desconforto que os leitores precisam sentir para perceber que existe algo de errado, incômodo e horrível na casa em que vivemos e que pensamos ser bela.
Geleia Total: Qual a importância para você de explorar os cenários de Teresina na sua literatura, sobretudo, pelo seu foco no horror?
Ayrton de Souza: Existe um interesse no sentimento de que o leitor se sinta representado na história que lê, mas também uma busca pessoal de entender o meu lugar no mundo. Entender como faço parte de uma rede maior de relações, de existências e de histórias que me levam a compartilhar um sentimento com um grupo maior de pessoas. Em outras palavras, onde a cidade começa e termina dentro da gente, seja historicamente e/ou socialmente.
Geleia Total: Como pesquisador, em outros momentos, já comentou sobre as influências que suas pesquisas e leituras têm sobre sua escrita, poderia comentar um pouco sobre?
Ayrton de Souza: Ter conhecido e lido Mariana Enriquez no mestrado me fez ter mais coragem de me jogar de cabeça no que eu gosto, que são histórias macabras. Fazer parte do GEMAL, Grupo de Estudos sobre o Mal em Literatura, liderado pela Professora Carolina de Aquino Gomes, me abriu um mundo novo e um leque infinito de possibilidades. Academicamente, as leituras teóricas me fazem ter um olhar mais crítico sobre aquilo que faço e a escrita teórica, para mim, funciona como um outro tipo de exercício. Quando canso de um, vou para o outro, mas ultimamente tenho ficado bem mais na ficção.
O autor de “Para sempre madrugada” contou, ainda, para a Geleia sobre o dia e a escolha do lugar para o lançamento de seu livro: “O lançamento ocorrerá na Biblioteca Estadual Cromwell de Carvalho, na frente da Praça do Fripisa, coração do centro da cidade. Em Agosto, no mês de aniversário da cidade. Em um livro sobre histórias ambientadas na cidade, parece ser uma boa coincidência.”
A expectativa de Ayrton com o lançamento é de que seus futuros leitores aproveitem e que se encontrem “em alguma rua estranha que coube nas páginas do livro”.
A Editora Geleia Total e o autor Ayrton de Souza reforçam o convite: venham para o lançamento!

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Texto por: Elara A. Moretz-Sohn
Revisão por: Paulo Narley
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