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Veios, de Niel Lims: Quando a arte pulsa pelo mundo

Cartaz "Veios", de Niel Lims; Acervo pessoal do artista

No seu cotidiano, certamente você se depara com uma série de cartazes, cartazes promocionais, informativos, comerciais… mas você sabia que cartaz também pode ser uma obra de arte? Exatamente! Uma obra de arte! 

E você também sabia que temos um artista piauiense conquistando espaços no circuito nacional e internacional com seus cartazes? Pois temos!!! 

Daniel Lima (ou Niel Lims como assina agora seus trabalhos), design gráfico, ilustrador e cartazista, já levou suas obras, tanto comercialmente quanto em exposições, para países como Alemanha, Estados Unidos, França, Indonésia, México, Polônia e mais recentemente para a Rússia, além de ter participado de eventos em diversos estados no Brasil.

Niel Lims; Acervo pessoal do artista

O projeto experimental “Veios” vem circulando desde o ano passado em importantes exposições em Nova Iorque e na Cidade do México, pelo “Vozes das Américas”, organizado pelo Red Tipográfica e, neste ano, foi apresentado em Belém-PA no evento DiaTipo Belém, que reuniu oficinas e apresentações de projetos de caráter significativo comercial e cultural, como nos relatou Niel. 

Atualmente, o cartaz está sendo exposto em Fortaleza-CE, no KUYA – Centro de Design do Ceará, juntamente com os outros trabalhos que foram expostos no “Vozes das Américas” ano passado; no KUYA, foi renomeado de “Maleza. Design em Resistência – Polinização”. 

Cartaz “Veios”, de Niel Lims; Acervo pessoal do artista

Em entrevista à Geleia, Niel Lims contou mais sobre suas experiências como cartazista, sobre seu processo criativo e sobre a repercussão de “Veios” pelas galerias do Brasil e do mundo! Confira a seguir:

Geleia Total: Daniel, você poderia nos contar mais sobre sua trajetória como design gráfico e ilustrador? E como se deu seu desenvolvimento artístico de maneira mais específica para a produção de cartazes?

Niel Lims: Bem, eu iniciei minha trajetória nessa área criativa em meados de 2019. Factualmente, sou formado em Mineração pelo IFPI, mas não tenho uma formação acadêmica no meio artístico propriamente dito, sou autodidata como designer e ilustrador. Já no ponto de desenvolvimento de cartazes, desde o começo da minha atuação como designer, fui mais apaixonado por criar cartazes do que logotipos, identidades visuais e outros, porque vejo como um “lugar” de melhor experimentação da linguagem verbal e visual. Os cartazes experimentais, para mim, são ativos culturais importantes para divulgar e educar sobre assuntos pouco falados. Também, claro, servem como ativos financeiros, ao longo da história do design gráfico isso já é postulado.

Cartaz por Niel Lims; Acervo pessoal do artista

Geleia Total: Agora, de maneira mais específica sobre sua obra “Veios” e o evento que ocorreu em Belém, como foi o processo, tanto para o desenvolvimento do cartaz quanto para chegar a um evento como esse que reúne artistas de todo o Brasil?

Niel Lims: “Veios” é um dos poucos cartazes que me arrepio quando falo… Gosto muito de ler artigos variados e, na maioria das vezes, os meus cartazes experimentais nascem a partir dessas leituras que faço, e “Veios” foi resultado da leitura do artigo “Autodecolonização – uma pesquisa pessoal no além coletivo”, de Jaider Esbell, um produtor cultural indígena da etnia Makuxi, de Roraima. O processo para criar esse cartaz foi longo, em torno de um mês, sem dias sequências, e foram 14 folhas de rascunhos para chegar no resultado final. Antes de chegar no evento DiaTipo Belém, o cartaz foi exposto em Nova Iorque e Cidade do México, no ano passado, juntamente com outros 47 cartazes. Para o evento de Belém, foi um processo diferente, em relação às outras duas cidades, pois eu inscrevi o trabalho para ser apresentado e explicado ao público, serão 5 trabalhos de apresentação.

Geleia Total: No processo de leituras e elaboração de cartazes, tem algo que te chame atenção tematicamente?

Niel Lims: Eu costumo ler mais artigos científicos, mas, quase sempre, a elaboração de um cartaz vem de artigos que dialogam sobre temáticas sociais. Inclusive, existe um cartaz que ainda não divulguei, porque não está pronto, que irá abordar uma palavra que ainda não existe no nosso vocabulário, é uma proposta de uma palavra criada por uma pessoa e achei muito interessante. Porém, posso dizer que “Veios” é a personificação do meu processo criativo: a curiosidade, para alimentar o flerte com o desconhecido; a disciplina, para ser a consistência da experimentação de conceitos; e a resiliência, para ter a capacidade de adaptar a novos entendimentos.

Cartaz por Niel Lims; Acervo pessoal do artista

Geleia Total: E o que “Veios” traduz pra você?

Niel Lims: “Veios” é sobrevivência daquelas e daqueles que querem entender quais são suas origens.

Geleia Total: Como artista piauiense, como é para você alcançar esses espaços com seus cartazes? E como você se percebe no cenário cultural daqui, principalmente como um ilustrador e cartazista?

Niel Lims: Bem… é uma pergunta bem reflexiva… Assim, o cartaz, de um modo geral, é uma produção elaborada a bastante tempo, é uma forma de divulgação, informação, enfim, muito buscada por marcas, empresas, eventos variados. Eu me apaixonei pelos cartazes porque sempre fui meio cinéfilo, sempre gostei de ver cartazes de filmes e ficava pensando em como eu também poderia criar como designer e ilustrador. Só que, entrando no cenário piauiense, aqui ainda é muito escasso esse tipo de trabalho com o viés mais artístico. Então, quando tem algum projeto por aqui eu sempre coloco a produção de cartaz no meio, mas ainda não temos uma cultura cartazista tão forte fora do circuito meramente comercial. Algo que tento trazer para fazer essa ponte entre o meio comercial e o artístico é o desenvolvimento de tipografias personalizadas, que tornam mais flexíveis essas questões funcionais, comunicacionais e artísticas.

Cartaz por Niel Lims; Acervo pessoal do artista

Geleia Total: E como foi pra você a experiência de estar em um evento como a DiaTipo Belém, já que nesse evento você pessoalmente apresentou sua obra?

Niel Lims: A DiaTipo Belém reuniu designers de tipografias e ilustradores do Brasil e da América Latina como um todo com experiências muito diferentes, então minha expectativa já era bem alta. Para mim, foi maravilhoso ter a oportunidade de apresentar todo o processo para profissionais mais experientes e também para iniciantes como eu, além de toda a experiência imersiva que vivi na cidade. Existe uma coincidência interessante, o organizador do evento de Nova Iorque em que “Veios” esteve exposto também esteve no evento de Belém, e ter essa oportunidade de falar com uma pessoa tão experiente é muito gratificante. E mais, hoje, a comunidade de designers e ilustradores da América Latina é a mais inovadora, sem dúvidas, então, é muito importante poder fazer parte disso.

Geleia Total: E sobre seus outros projetos, além do “Veios”?

Niel Lims: Então, até agora, eu venho inscrevendo em exposições com mais frequência cartazes experimentais que eu já tinha feito antes. Por enquanto, já participaram quatro cartazes experimentais meus em cinco cidades diferentes. Além disso, tenho um projeto de 2019, o primeiro cartaz que criei a partir de uma leitura de artigo, que, em breve, será um projeto de edição limitada. Por enquanto, infelizmente, não posso fornecer muitas informações por conta do vínculo com dois estúdios de Nova Iorque. O artigo em que me baseei basicamente fala sobre como um cofundador e diretor criativo, de um studio de design, se inspirou em uma organização inovadora de renome mundial para ajudar criar futuros possíveis e desejáveis para marcas. Ele cita que “passamos a enxergar o futuro mais como uma estrutura ou construção”. A minha resposta para isso foi dar uma nova perspectiva, de um símbolo global que já existia, que enfatiza a força coletiva de criar o amanhã.

Com exclusividade para a Geleia, o artista compartilhou no início de setembro mais uma conquista de “Veios”:

“O cartaz foi selecionado para uma exposição em uma bienal global, a ‘Golden Bee Biennale’, que nesta edição será exposta em várias cidades da Rússia, e em 2027 será lançado o catálogo da bienal. Desde o início deste trabalho experimental, a base de tudo isso foi a curiosidade de querer entender o artigo de Jaider Esbell, o cartaz foi a resposta que geraram estas consequências, fico feliz não somente pelas seleções, mas também pela proximidade que tive de querer entender sobre a importância de nossas origens.”

Além dessa oportunidade maravilhosa, Niel Lims também nos contou sobre uma possível colaboração com a Galeria de Jaider Esbell, em Roraima, para uma edição limitada de “Veios” e que está na expectativa para que em breve possa divulgar novas parcerias e projetos.

Daniel transforma sua compreensão sobre o mundo em tipografia e ilustração e no cartaz vira ARTE.

Acompanhe mais de Niel Lims em:

IG: @desig_niel

E-mail: desig_niel@hotmail.com

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Texto por: Elara A. Moretz-Sohn

Revisão por: Paulo Narley

Contato para sugestões ou correções, envie e-mail para: redacao.geleiatotal@gmail.com

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