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Macbeth, do Grupo Escalet: uma crítica por Aci Campelo

Macabeth, Grupo Escalet; Acervo do grupo

A Tragédia de Macbeth, de William Shakespeare, nova montagem do Grupo Escândalo Legalizado Teatro – ESCALET, da cidade de Floriano, foi apresentada no 14º Festival Nacional de Teatro do Piauí como parte das comemorações dos 40 anos de existência do Grupo, a serem festejados em 2027. O que se viu foram cenas de encher os olhos e de encantamento.


Macbeth é a tragédia menos complicada de Shakespeare, mas traz na sua ação toda a carga dramática do enredo sofisticado sempre presente nos textos do dramaturgo inglês. Em Macbeth, Shakespeare explora a ambição, a vilania e até onde o ser humano pode chegar para alcançar o poder. Na tessitura do texto entra a genialidade do autor com elementos fantásticos, bruxas, crimes hediondos, o famoso regicídio – matança de rei, loucura, vingança e suicídio. Que o diga o próprio Macbeth e sua esposa Lady Macbeth.

Macabeth, Grupo Escalet; Acervo do grupo


O Grupo Escalet enfrenta o desafio de montar Shakespeare com brilhantismo. A partir da concepção do espetáculo, direção, a adaptação do texto, a pesquisa iconográfica por César Crispim, tudo mostrado de forma clara e compreensível. O impacto do elenco quase todo de atores negros e uma atriz branca que se destaca pela força da personagem Lady Macbeth em um figurino exuberante que contrasta com sua ambição e maldade. A própria concepção do figurino feita por César Crispim, que remete ao século XVIII, enriquece o poder das personagens, completadas por uma caracterização e maquiagem bem trabalhada realizada por Harleandra Greyek.

Macabeth, Grupo Escalet; Acervo do grupo


Concebido para ser apresentado em espaços alternativos, o espetáculo surpreende pela beleza estética, pontuado por uma trilha sonora e musical executada ao vivo com pesquisa de Ítalo Gabriel e César Crispim. A apresentação no festival foi ao ar livre numa fachada o que deixou as cenas distantes umas das outras. E aí entra a questão do palco italiano onde o espetáculo também pode ser apresentado: Por que não? Possibilitando, assim, criar uma atmosfera de mistério e terror suscitado pela tragédia, com uma luz menos densa e compactado as cenas.

Detalhes marcam o espetáculo. Nos conflitos internos e nas visões de Macbeth lenços vermelhos de sangue no pescoço de atores dão um distanciamento Brechtniano, e Lady Macbeth na loucura que a leva ao suicídio veste uma túnica vermelha se despindo da riqueza e do poder em um trono manchado de sangue.


Numa ambientação povoada de Lurdes, bruxa, rei, assassino e criado, fica a sensação de dever cumprido. Destaque para Paulo de Tarso Tapety, Macbeth; Harleandra Greyek, em sua exuberante Lady Macbeth; Rodrigo Silva, Macduff; Ítalo Gabriel, Banquo; Francisco Ribeiro, criado e Beatriz Rocha, a bruxa, talvez vestida um pouco como bruxa de contos de fada. Fica no caminho a fraca e insegura interpretação de Luan Miranda como Malcolm, que não mostra ao espectador a imponência do herdeiro do trono.


No conjunto da montagem ponto para o Grupo Escalet e sua ousadia em montar Shakespeare e ser um farol em um momento crítico que atravessa o Teatro. A luz vem do interior, resistência e luta.

Texto por: Aci Campelo, dramaturgo

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