José Nascimento e a dança como ferramenta de comunicação

O bailarino e coreógrafo José Nascimento é natural de Altos-PI, tem formação técnica em Administração. Já são dezoito anos de dedicação à dança e nesse período passou por grupos como Grupo Apocalipse, Equilíbrio Cia de Dança, Balé Folclórico de Teresina, Cia Balé da Cidade de Teresina, Casa de Zabelê e Só Homens Cia de Dança. José Nascimento já foi contemplado com prêmios de coreógrafo revelação quatro vezes consecutivas no Festival de Dança de Teresina, além de ter se destacado com a montagens de trabalhos como “Narbrenha”, “Atrás da porta”, “Fuá” e “Cirandar”. Ele acumula prêmios como coreógrafo com trabalhos montados na Só Homens Cia de Dança e já participou do projeto SESC Amazônia das Artes com o espetáculo Grave Grove, além de ter feito participação no projeto Palco giratório com a Cia José Nascimento para fazer intercâmbio com Denise Stultz e no projeto Quinta com Dança, ambos organizados pelo SESC. Atualmente José Nascimento é bailarino no Balé da Cidade de Teresina, Só Homens Cia de Dança e coreógrafo da Cia José Nascimento.

“A dança contemporânea se apropria do que ela quiser, ela não tem rótulos, não tem formula.” José Nascimento

Nome Completo: José Raimundo Ferreira do Nascimento

Descrição: Bailarino e coreógrafo

Data de Nascimento: 26 /10 /1983

Local de Nascimento: Altos-PI

Perfil escrito pela Geleia Total
Escrito por:
 Alisson Carvalho
Revisado por: Paulo Narley

Rabiscando a dança

A criação é uma inquietação que não cessa. Não importa quais as vias de transmissão da ideia, pois quando se quer falar, ela simplesmente se manifesta com os traços artísticos da espontaneidade. Esse desejo de criar aflorou já na infância de José Nascimento, que começou a se expressar com o desenho. O grafite do lápis passou a ser a sua ferramenta de comunicação, o que fez com que os pais investissem no futuro do garoto inscrevendo o filho em aulas para desenho. Contudo, José Nascimento, que costumava desenhar retratos das revistas, não gostou de ter o peso das regras moldando a sua criação, por isso, rapidamente desinteressou-se pelo curso e, consequentemente, pelo desenho, tamanho era o seu lado intuitivo, afinal, ele gostava da espontaneidade artística.

Dançar é resistir

A dança propriamente dita surgiu na vida de José Nascimento por volta dos quinze anos de idade, quando ele mudou-se para Brasília e certo dia, assistindo à programação da TV local, viu um comercial que continha a dança urbana como elemento principal da mensagem. O interesse pela nova arte causou surpresa nos familiares, que já estavam acostumados com a ideia de José como desenhista. Posteriormente, depois de retornar à Teresina, José Nascimento, que participava de grupos da pastoral da igreja da qual fazia parte, ingressou no grupo de dança montado pela bailarina e coreógrafa Cleia Raquel, que havia deixado o Grupo Balé Folclórico de Teresina recentemente. José Nascimento entrou para o Grupo Apocalipse com dezesseis anos de idade. Contando com ele, o grupo agregava aproximadamente quarenta bailarinos. A experiência no grupo teve grande importância, pois foi crucial para o jovem artista decidir que a dança faria parte da sua vida. A paixão por essa arte superou todos os obstáculos que foram surgindo e, para bancar as despesas com a dança, José Nascimento começou a trabalhar com o pai como ajudante de pedreiro e dividia o seu tempo entre as aulas de dança e o trabalho. “Eu trabalhava com ele o dia todo, aí seis horas eu saía e ia para dança, pois a dança começava seis e meia”, rememora José Nascimento. A rotina puxada não impediu o crescimento do bailarino, que permaneceu somente durante um ano no grupo, pois a própria coreógrafa quis ver José alçando voos maiores, crescendo na carreira, e sugeriu que ele investisse na profissão.

Se jogando no mundo da dança

José Nascimento, por intermédio e orientação da coreógrafa Cleia Raquel, começou a vislumbrar o mundo da dança como uma possibilidade concreta de profissão. A partir disso, fez testes para integrar dois grupos, o Grupo Balé Folclórico e um grupo que estava surgindo, o Cia Equilíbrio de Dança, organizado pelo bailarino e coreógrafo Negro Val; José decidiu ficar no grupo recém-nascido. O bailarino permaneceu dois anos no Cia Equilíbrio de Dança e, posteriormente, ingressou no Balé Folclórico, que tinha como coreógrafa a bailarina Luzia Amélia. A experiência durou seis meses e foi interrompida pela ida do bailarino ao Rio de Janeiro para participar da audição na companhia de dança do coreógrafo Ramirez Menezes. O retorno ao Piauí marca a volta de José à Cia Equilíbrio de Dança, que durou alguns meses, pois graças ao desejo de viver da sua arte, o bailarino começou a trabalhar como dançarino em uma banda de forró da região, o que durou dois anos. Posteriormente, a convite de Fernando Freitas, José começou a dançar no Grupo Casa de Zabelé. No mesmo período, fez o teste do Balé da Cidade de Teresina, onde permanece até hoje.

“Eu não me vejo sem a dança e eu não quero fazer com ela qualquer coisa.” José Nascimento

Rompendo com os rótulos

José Nascimento conta que foi a dança que o aproximou do mundo das drags. Até então, ele desconhecia esse universo e foi graças a uma festa à fantasia que ele teve a oportunidade de romper os próprios conceitos e se permitir ousar um pouco mais. Como fantasia, o bailarino escolheu uma de bruxa, mas ele não queria ser uma bruxa qualquer, queria ser uma bruxa bem adornada e bonita. A montagem do figurino e a maquiagem despertaram inúmeros elogios, e as próprias pessoas começaram a associá-lo a uma drag. Depois de tanto questionarem o seu nome de Drag, José Nascimento criou espontaneamente o nome “Anne Love”. O bailarino conta que, graças a isso, a Só Homens Cia de Dança chegou a ser comparada à Cia de Homens, pois os integrantes do Grupo também se travestiam. Com o tempo, a Só Homens Cia de Dança começou a apresentar performances de Drags e, a partir dessas experiências, surgiu o grupo Five Queens. O grupo começou a propor a desconstrução de algumas ideias e a buscar uma imagem própria. “E eu carrego a Anne em cima de mim”, frisa José. Envolto nesse espaço criativo é que surge o espetáculo “Trindade”, que fala sobre a drag, o cavalo e o xaile, usando como trilha sonora os fados portugueses, além de levar para a cena os performers e bailarinos Adriano Abreu, José Nascimento e Samuel Alvis (que, além de atuar, é também o coreógrafo do espetáculo). “A sensação que eu tenho dançando Trindade é a mesma de quando eu dançava Molduras, de êxtase, eu fico encantado com Trindade.”

O pulso criativo

José Nascimento, além de bailarino, é coreógrafo. A maioria dos seus processos coreográficos nascem de modo espontâneos e, à medida em que o artista vai tomando consciência daquela ideia, ele começa a expor os seus insights para os bailarinos que comporão a montagem e vai transformando as ideias em movimentos. José Nascimento se considera um coreógrafo mais flexível, sempre presando pela qualidade do movimento, mas sem esquecer a individualidade de cada bailarino. Ele admite que gosta quando os bailarinos se apropriam da ideia e compreendem que também são criadores. E é esse poder de desenvolver a ideia do movimento proposto acrescentando características individuais e dando sentido ao movimento que transparece a verdade para o espetáculo ou coreografia. A Cia José Nascimento nasceu como resultado de um curso ministrado pelo bailarino e se constituiu pelo desejo de continuar trabalhando com os alunos, que sugeriram o nome. Atualmente, a Cia vem se destacando e acumulando inúmeras conquistas. “Na minha Cia, eu não trabalho com a limpeza muito rígida, eu gosto de deixá-los mais livres, claro que com um trabalho coeso. Quando eles se apropriariam e dançam com a verdade deles, é lindo.”, afirma o bailarino.

José Nascimento: eu não me vejo sem a dança

José Nascimento experimentou um pouco de tudo na dança, seu ecletismo e curiosidade fizeram dele um bailarino com visão ampla e, sobretudo, aprofundada no universo inesgotável que é essa arte. Desde que iniciou seus estudos, percebeu o quão gigantesco é o leque de opções da corporeidade e, por isso mesmo, tornou-se um pesquisador do corpo, dos movimentos, da dança. O bailarino, que sempre está ávido por novos conhecimentos, nunca estagnou, pois está constantemente buscando sair da sua zona de conforto para desafiar-se e demonstra com a sua experiência de vida como é possível insistir naquilo que se gosta, afinal, José Nascimento inseriu a dança em tudo da sua vida. De ajudante de pedreiro a bailarino, o artista é inspiração para as gerações subsequentes, além de ser um formador de destaque de uma nova geração de bailarinos. José transparece seu carisma e simplicidade nos movimentos, o que atrai olhares e encanta multidões, tanto quanto a elegância de Anne Love, pois o artista é uma pulsão de criatividade inesgotável, que, mais do que beleza, é resistência, rompe rótulos e transforma tudo em movimento, em arte.

Contatos

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Fotos

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Vídeo

Espetáculos

Molduras (só homens Cia de dança);

Vermelho (só homens Cia de dança);

Um ou cinco contos (Grupo arte dança);

Narbrenha (Bale da Cidade de Teresina);

Cirandar (Bale da Cidade de Teresina);

Sonho de Alice (Academia Cythia Layanna);

O mundo de Dorothy (Academia Cythia Layanna);;

Ponta de agulha (Academia Cythia Layanna);

Atrás da porta (Bale da Cidade de Teresina);

Fuá (Bale da Cidade de Teresina);

Casa de taipa (Bale Popular do Piauí);

Todo lado (Equilíbrio Cia de dança);

Centelhas (Cia José nascimento);

Pétalas (Cia José nascimento);

Regionar (Cia José Nascimento).

Outras fontes

https://cidadeverde.com/noticias/270869/bale-da-cidade-se-apresenta-em-novo-projeto-o-teresina-em-danca

http://www.capitalteresina.com.br/noticias/cultura/junta-leva-artistas-piauienses-para-se-apresentarem-no-festival-panorama-rj-57610.html

https://cidadeverde.com/noticias/288690/casa-da-cultura-tera-mostra-de-cinema-e-de-oficinas-de-arte

 

Última atualização: 21/01/2019

Caso queria sugerir alguma edição ou correção, envie e-mail para geleiatotal@gmail.com.

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