Lendas e assombrações piauienses na série animada Causos de Medo

Publicada no final de janeiro de 2021, a série de animação Causos de Medo trouxe relatos de visagens e lendas piauienses. Com três episódios de poucos minutos de duração, a primeira temporada se passou no meio de estradas de terra, dentro das casas alheias, provando que a mistura de criança e assombração é algo que dá muito certo.

A série é realizada pela Produtora SRN, de São Raimundo Nonato-PI, com direção geral e roteiro de Bruno Paes. Cada episódio possui um estilo de ilustração diferente, enchendo os olhos com cores, com os traços se desenhando na tela ou com um fundo em preto e branco mais realista.

A infância é um dos elementos centrais desse projeto, seja porque as histórias são sobre o encontro de crianças com lendas e visagens, seja porque o projeto em si nasceu da vontade de contar histórias depois de tanto ouvi-las na infância. Foram colhidos cerca de 30 relatos, a maioria da região sul do Piauí, e foram selecionados três para formar a primeira temporada.

O primeiro episódio, baseado no relato de Maria do Socorro, já traz um elemento clássico de lendas piauienses: uma praga de mãe. Com o título Bode dos chifres de ouro, a história nos apresenta um menino desobediente indo entregar comida para o seu pai na roça. No meio do caminho… bem… algo encontra o menino.

O Caminhão, baseado no relato de Laurineuza, é o segundo episódio e nos apresenta uma menina que dá aulas para outras crianças da região. “De primeiro, não tinha escola, os pais de família pagavam um professor pra ensinar os seus filhos”. E é assim que ela encontra o seu aluno mais difícil, o filho de um fazendeiro.

Esses dois episódios se utilizam do folclore das luzes em estradas. Alguns que as veem dizem se tratar de almas penadas vagando pela noite, outros falam sobre OVINIS, que acompanham as pessoas por todo o caminho até em casa. Falam também de que se trata de lendas como a do Carneirinho de Ouro, que corre pelo Morro do Leme, em Oeiras.

O terceiro episódio – o relato de Dedé e Ivonete – gira em torno de uma mulher com a filha. Tentando se aproximar de suas raízes, ela vai passar alguns dias na casa de uma parenta. Porém, as noites são passadas em claro, principalmente porque, no quarto ao lado, em hipótese alguma pode faltar uma vela, lâmpada, seja o que for, acessa. “Eu acho que você deixou uma luz ligada, tia”. É uma promessa. Você já deve imaginar que a casa do episódio As Visitas é mais cheia do que aparenta ser.

Essas histórias percorrem o imaginário não só do Piauí. Mesmo que falem de lugares específicos ou de coisas supostamente perdidas no tempo, elas conversam muito com todos, são histórias que compartilhamos, que já ouvimos ou contamos da nossa forma, aumentando nossos pontos ao conto.

O diretor geral e roteirista – Bruno Paes –, em entrevista concedida ao Meio Norte, fala sobre os relatos: “Percebi que existem elementos comuns nos casos. Luzes, animais estranhos, vultos, caminhões, lobisomens. Porém, o que mais me chamou a atenção foi a individualidade como isso aparece para cada entrevistado”.

Esses causos de medo são nossos, são de Odete, de Maria do Socorro, são de Bruno. Não é uma história só de Lagoa de Baixo, é uma história da rua de trás, da casa vizinha, do quarto ao lado, da casa da avó. Compartilham algo em comum: são próximas da gente.

Fontes:

Entrevista com Bruno Paes ao Meio Norte

Sobre o Carneirinho de Ouro

 

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