Carla Fonseca e a dança que atravessa vidas

Ana Carla Fonseca é natural de Teresina, bailarina, ensaiadora e pedagoga. Sua trajetória no universo artístico se iniciou no alvorecer de sua infância, tendo, a partir de então, estudado balé e dança em instituições como a Escola de Dança de Teresina.

Ao longo da infância e adolescência participou ativamente de diversas apresentações de dança, eventos escolares, concursos de beleza e Carnaval, além de performances em programas de televisão.

No ano de 1995, passou a integrar o Balé da Cidade de Teresina, onde permaneceu por mais de dez anos, apresentando-se pelo Piauí e pelo Brasil em festivais de dança, com premiação em 2000 como melhor grupo do Festival Internacional de Dança de Joinville – SC.

Durante esse período, participou como instrutora de dança do projeto “A Cara Alegre do Piauí”, junto ao professor Cineas Santos, por mais de dez anos, levando oficina de dança e apresentações pelo interior do estado do Piauí.

A dançarina também traz em seu repertório um vasto trabalho como Coreógrafa de peças e espetáculos. Foi Diretora do Balé da Cidade de Teresina entre os anos de 2014 a 2016. Carla Fonseca desenvolveu apresentações, montagem de espetáculos, performances online e participou de circuitos nacionais; trabalhou como Ensaiadora do Balé da Cidade de Teresina, e atualmente é coordenadora de ensino de educação infantil em Demerval Lobão.

“A dança representa a minha vida, como cresci, como aprendi, como me vi como pessoa.” Carla Fonseca

Nome Completo: Ana Carla Fonseca Moura

Data de Nascimento: 29/01/1979

Local de Nascimento: Teresina – PI

Escrito por: Zidane Medeiros
Revisado por: Junior Magrafil

A arte corporal desde o alvorecer da infância

Carla Fonseca lembra-se que sua mãe era apaixonada por dança, e, ao ter conhecimento da existência da Academia Cecília de Balé, no bairro Marquês, matriculou a filha, onde teve seu primeiro contato com o ramo artístico aos cinco anos de idade. Tal experiência lhe proporcionou muitas apresentações no Centro de Convenções de Teresina.

Em torno do dez anos de idade, fez um teste para ingressar na Escola de Dança de Teresina, a qual ainda funcionava no Theatro 4 de Setembro, obtendo êxito e dando continuidade aos seus estudos. “Tive aulas com Viviane Maranhão, que foi minha primeira professora de balé, estudei com Júlio César, com Sidh Ribeiro”, ela menciona nostalgicamente.

No início da adolescência, aos treze anos, fez parte do curso de Modelo e Manequim da agência UPTODATE, dirigida pela bailarina Ludmila Olicar, fazendo parte do cast da agência em trabalhos de dança, fotografia, passarela e comerciais de TV. Participou, no ano seguinte, do curso de Modelo e Manequim da agência Monique Evans. De modo divertido, a artista rememora um dos comerciais de TV intitulado “Olha o Novo Nilo”, do qual participou. “Muita gente que me vê até hoje tem que falar ‘Olha o novo Nilo'”, ri.

Estas foram as vivências iniciais que marcaram a vida de Carla e a levariam ao seu produtivo trabalho por vir, enquanto artista do corpo e do movimento.

O rebuliço artístico que a movimenta

Aos quatorze anos de idade, Carla Fonseca foi eleita Rainha do Carnaval de Teresina.

Bolsista da Academia Júlio César, integrou o corpo de baile e participou de muitos balés de repertório, entre eles, La Sylphide, Carmen, Paquita, La Bayadère, Dom Quixote. Trabalhou ainda como assistente de palco nos programas Poupa Ganha, Poupa Show, Carlos Morais e Sábado Show, todos pela TV Meio Norte.

Fez participação em eventos como comissão de frente da Escola de Samba Skindô, abertura do concurso de rei e rainha do Carnaval da FCMC e modelo vivo para a oficina de pintura corporal do Tinácio na casa da Cultura de Teresina.

Em 1995, a convite do professor Sidh Ribeiro, passou a integrar o Balé da Cidade de Teresina, companhia de dança profissional. Começou com uma bolsa de estudos, mas com o tempo passou a trabalhar profissionalmente, recebendo salário através de carteira assinada. Como ela frisa, teve a honra de dançar diversos trabalhos de Sidh Ribeiro, Roberto Freitas, Kato Ribeiro, Dongo Monteiro, e de participar de festivais de dança pelo Brasil com premiação em 2000 como melhor grupo do Festival Internacional de Dança de Joinville – SC.

Foi nessa mesma fase que se dedicava como bailarina de palco nos programas de TV mencionados, onde fazia uma abertura em dança, e em seguida punha-se na função de bailarina assistente.

Devido à essas grandes “correrias”, porque Carla ainda precisava conciliar tudo isso com sua formação acadêmica, ela recorda-se de que sua rotina era bem recheada. “Às cinco da manhã, precisava pegar ônibus do Dirceu pendurada, e só quando chegávamos na altura da Usina Santana é que conseguia entrar dentro do ônibus mesmo. Precisava, em alguns dias da semana, faltar as últimas aulas para ir direto para os estúdios ensaiar para os programas de TV; depois disso, saía para o Balé da Cidade”, apesar das dificuldades, ela relembra com graça, divertimento e afeto.

O ritmo da estrada da dança

No Balé da Cidade de Teresina, Carla Fonseca percorreu junto ao grupo quarenta cidades pelos estados do Piauí, Maranhão e Pará com a Caravana de Aniversário do Paraíba em 2001, espetáculos Roberto Carlos e Luís Gonzaga de Sidh Ribeiro.

Enquanto bailarina do Balé da Cidade, iniciou também um trabalho como Instrutora de Dança na Fundação Cultural Monsenhor Chaves, onde permaneceu até o ano de 2006. Carla foi professora e montadora das turmas de Balé Clássico na Escola Helly Batista. Essas experiências a preparavam para seu futuro como ensaiadora.

Entre os anos de 1995 e 2006, Carla vivenciou diversos outros projetos, como o “A Cara Alegre do Piauí”, junto ao professor Cineas Santos, levando oficina de dança e apresentações pelo interior do estado do Piauí.

Participou dos espetáculos C.Q.D. (Como Queremos Demonstrar) e Sacre, do coreógrafo Marcelo Evelin. Em 2006, desligou-se do Balé da Cidade para fazer parte do projeto “Núcleo do Dirceu”. Após isso, no mesmo ano, viu necessidade em afastar-se da dança e dos âmbitos relacionados por questões pessoais.

Retornou ao Balé da Cidade de 2010 em diante, ao receber o convite para trabalhar como ensaiadora. Entre 2014 e 2015 tornou-se diretora, não deixando a função mencionada. Durante sua gestão, lançou o projeto “6ª às Seis”, de performances realizadas em algumas sextas-feiras do mês na casa da Cultura de Teresina, onde convidava artistas diversos para participar. Ainda sob sua direção, o grupo participou do Circuito Sesc Amazônia das Artes, apresentando em 10 estados o espetáculo Grave-Grog do coreógrafo Samuel Alvis.

Após alguns anos, precisou sair novamente para atuar na Pedagogia, área por qual nutre imensa paixão. Em 2018, retornou ao Balé da Cidade, onde permaneceu como ensaiadora até o mês de agosto de 2021. Assumiu em seguida como coordenadora de ensino de educação infantil em Demerval Lobão, onde trabalha atualmente.

 

Abstração e movimento

O processo de criação de Carla Fonseca enquanto ensaiadora é bastante minucioso, pois ela estuda, ouve e assiste aos bailarinos, procurando prestar bastante atenção à individualidade de cada um. O planejamento do tempo sempre foi crucial tanto para este trabalho quanto outros, de maneira que seu passo a passo é bem pensado e organizado para desenvolver o artístico da peça.

No entanto, enquanto coreógrafa, apesar de considerar não haver trabalhado muito neste ramo específico, ela enxerga um modo de produzir não tão definido, uma vez que as ideias surgem mais espontaneamente; gosta de conversar a respeito de seus pensamentos com o intuito de deixar fluir, trazendo exercícios que acredita que possam contribuir com a criação, a leitura e interpretação do próprio bailarino sobre tais exercícios e ideias.

No que diz respeito ao seu trabalho de bailarina, principalmente no Balé da Cidade, Carla afirma sempre ter tido sua imaginação aguçada e estimulada, para que tanto ela quanto os demais bailarinos também cooperassem harmoniosamente com a coreografia. Dessa forma, a artista se tornava parte criadora da composição, já que sua própria interpretação sobre os movimentos se conectava com a coreografia de maneira a gerar resultados únicos.

Carla Fonseca, de modo geral, também se sente bastante inspirada imageticamente. Ao ver uma apresentação, por exemplo, logo começa a imaginar diversas coisas que poderia escrever a respeito, “Não sou tomada só pela beleza do que vi, eu penso em tudo que está por trás daquilo, o porquê daquilo”, coloca ela, acrescentando ainda que a partir de então passa a rodar e pensar muito sobre, provocando assim inúmeras iluminações e ideias.

Os afetos no âmago da dança

Carla Fonseca cresceu estudando balé e dança majoritariamente em Teresina -PI, e apesar de, como em todo ramo, haver precisado estudar e entender referências de fora do Piauí e do Brasil, ela conta que suas principais referências artísticas sempre foram e são as pessoas mais próximas e que a acompanharam em sua jornada.

Menciona com muito carinho Sidh Ribeiro, que esteve ao seu lado durante muitos anos, incentivando seu movimento, imaginação e o prazer de dançar e coreografar. Outra pessoa que a marcou em demasia durante o percurso da vida foi Marcelo Evelin, de quem ela destaca a inteligência e sua maneira única de trabalhar.

Mais uma pessoa que cita afetuosamente é a dançarina Nazilene Barbosa, que foi sua colega de aulas e não somente lhe inspira artisticamente como também no sentido de se tornar uma pessoa realmente comprometida com o seu trabalho, encarando a dança como uma profissão séria e extremamente relevante.

Caminhos e atravessamentos inspiradores

Carla Fonseca é bailarina desde criança, já participou de inúmeras apresentações ao longo da vida, dentre as quais destaca “Fuga” de Sonho Monteiro, que marcou seu início profissional. São especiais para ela também “Fantasia Nordestina” de Sidh Ribeiro e “Sacre”, do Marcelo Evelin.”

Como ensaiadora gosta daquelas que denotaram grande desafio, como a coreografia “Grave-grog” de Samuel Alvis e a coreografia “O Código das Borboletas” de Rafael Gomes.

Carla relata que chegou a viajar até Amsterdã na companhia de uma colega dançarina onde tiveram a experiência de passar um mês conhecendo a escola de dança do país e estudando Dança Contemporânea; “foi muito lindo”, regozija-se.

A artista revela também que, em parte do período que se desligou do Balé da Cidade e contextos relacionados à dança, começou a frequentar a Igreja Batista e imediatamente a fazer parte do Ministério de Dança da instituição realizando trabalhos coreográficos, mostrando assim que, mesmo se “distanciando da dança”, esta acabava por não deixá-la.

Sua carreira é longa e recheada de grandes trabalhos, tornando-a uma artista inspiradora e de grande referência no balé e na dança.

Contatos

Instagram.com/anacarlafonseca2016

E-mail: anacarlafonseca37@yahoo.com.br

Fotos

Vídeo

Experiência Profissional

Bailarina do Balé da Cidade de Teresina;

Ensaiadora do Balé da Cidade de Teresina;

Coordenadora do Balé da Cidade de Teresina;

Diretora do Balé da Cidade de Teresina;

Pedagogia (UESPI);

Coordenadora de Ensino de Educação Infantil em Demerval Lobão – PI.

Outras Fontes

https://cidadeverde.com/noticias/198452/cineas-santos-entrevista-diretora-do-bale-da-cidade-companhia-completa-22-anos

https://pensarpiaui.com/noticia/um-pouquinho-da-historia-do-bale-de-teresina.html

Última Atualização: 12/10/2021

Caso queira sugerir alguma edição ou correção, envie e-mail para geleiatotal@gmail.com.

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