Resquício qualquer de ociosidade, por Alisson Carvalho

Vinte e oito caracteres escritos.

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Toda a equipe de assessoria fora acionada, ninguém encontrou o meliante, por sinal chefe de Estado e a autoridade máxima da pequena ilha chamada, por meia dúzia de portugueses, de Pau Rubro ou algum apelido similar. A confusão não esperou o findar da manhã para viralizar, o tuíte se espalhou que nem as fofocas de antigamente e em poucos segundos a Alvorada empestou-se do flash daqueles pirilampos barulhentos, a tão temida corja de fotógrafos que eram os profissionais proibidos nos corredores oficiais.

Nunca se viu aquela casa tão agitada, afinal era sempre uma traquinagem nova. O tempo corria contra a nação, cada segundo empossado era um risco diferente. Sussurravam pelos bastidores. Eram uns boatos bem perturbadores, diziam os serviçais.

Descobriu-se, outro dia, que a equipe doméstica era composta por perfis variados. O meliante, irritado e detectando a ideologia de gênero na escolha dos seus serviçais, mandou demitir todos os homens, pois “lugar de mulher é n…”

_Senhor, presidente. Você não pode falar isso em público.

Abafaram o caso, ninguém soube, pesquisaram e vasculharam todas as notícias e nada foi encontrado, ficaram aliviados, caso encerrado.

Mantinham-no sob vigilância constante, estava tudo seguindo o cronograma. Em breve ficaria nítida a inaptidão para o cargo e todos exigiriam uma substituição. Por hora era essencial correr para evitar mais uma travessura virtual.

Achamos ele!

Todos pararam incrédulos diante da grande porta de vidro. Toda a imprensa convocada, as câmeras apontadas para a caricatura de presidente. Os músculos da face do meliante começando sinalizar as primeiras expressões que concretizaram as palavras vergonhosas deixando toda a equipe do governo – que assistia à cena quase em câmera lenta – boquiaberta e um tanto enojada com o tal discurso.

Cortaram o cabo do microfone.

Encerraram a coletiva. Disseram ter sido um engano.

 

Foto: Victor Martins

 

 

 

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