A música e a poesia de Bebel Frota

A performer, atriz, rapper e poeta de Teresina Izabelle Frota , mais conhecida como Bebel Frota é formada em Educação Física pela Universidade Federal do Piauí. E tem uma longa trajetória nas artes, já atuou como atriz em espetáculos como “Secante”, “Proletarium”, “What can I do?”, “Shana em Chamas”, “1000 Casas”, “Caco de Porcelana”, entre outros. Bebel Frota participou de grupos como a Cia de Teatro Renascer, o Núcleo do Dirceu e Galpão do Dirceu. Junto com Jacob Alves inauguraram o espaço Balde com o objetivo de produzir dança, teatro, artes visuais e dialogar com os artistas. Na sua atuação como performer fez apresentações em países como Portugal, França, Alemanha, Cuba, Áustria. Bebel dividiu palco com grupos de destaque, como Afronto e Além da Loucura (ADL). No ano de 2019 ela lança o álbum “Bebélica” nas plataformas digitais de streaming de músicas e também apresentou no mesmo ano o Show “Bebélica” no Festival Junta. Graças a essa poética visceral e bem crítica ela conquistou duas vezes consecutivas o Slam Biqueira Literária, realizado no Sesc Caixeiral, em Parnaíba.

 

“O mais interessante no teatro foi a construção interna. Se eu não tivesse feito teatro, talvez eu não tivesse tido o tino para entender a vida de uma forma mais subjetiva” Bebel Frota

Nome Completo: Izabelle Frota

Descrição: Performer, atriz, rapper e poeta

Data de Nascimento: 18/02

Local de Nascimento: Teresina

Escrito por: Alisson Carvalho
Revisado por: Paulo Narley

Uma criança teimosa e curiosa

Bebel Frota é filha do professor de capoeira José, conhecido pela alcunha da capoeira Pebança e foi quem sempre inseriu na família todas as referências da arte. O jogo da capoeira, segundo Bebel, envolvia uma mistura de encenações, dança, defesa pessoal, entre outros elementos que despertavam nela o desejo pela arte. Além disso, Bebel relembra como as suas brincadeiras já envolviam a criação, ela compunha os seus próprios universos criando realidades paralelas e atuava imaginando-se atriz, tudo também influenciado pelas novelas da TV aberta. Posteriormente, já com doze anos de idade, ela ingressa na oficina de teatro do colégio ao qual fazia parte e essa oficina gestará o Cia de Teatro Renascer que foi criada e dirigida pelo encenador Wanden Lima. A teimosia de Bebel em não aceitar o mundo tal qual era entregue fez com que ela se desenvolvesse e buscasse sempre ir além das atividades, buscando se compreender dentro dos espaços que estava imersa.

Foto: Victor Martins

A metodologia como base

Bebel Frota conta que teve um vivencia intensa com o teatro e que os benefícios foram as modificações que a experiencia causou em si, pois embora o rigor do teatro tenha os seus aspectos negativos toda a disciplina empregada no grupo provocou nela o desejo de estudar, além da rigidez na sua prática de escrita e de pensamento. Segundo a atriz, no Grupo Renascer existia uma prática de leitura de textos e a construção de referências na área que deu uma base para iniciar as suas próprias pesquisas na área. “O mais interessante no teatro foi a construção interna. Se eu não tivesse feito teatro, talvez eu não tivesse tido o tino para entender a vida de uma forma mais subjetiva”, frisa. Posteriormente ela ingressa no coletivo Núcleo do Dirceu que era o grupo residente do Teatro João Paulo II e que depois se instala em um galpão da mesma região formando o Galpão do Dirceu. Em 2015 o coletivo encerra as suas atividades e ela, em parceria de Jacob Alves, aprovam um projeto no edital Prêmio Klauss Vianna de Dança 2014 e a partir disso fundam o Espaço Balde que promovia a produção, discussão, difusão e viabilização da arte contemporânea e que encerra suas atividades em 2018 deixando muitos frutos.

Alguns trabalhos

“Eu sempre fui muito aquariana, ou seja, sempre me importei muito com lutas sociais mesmo quando não entendia nada sobre isso. Desde criancinha percebia o machismo e ficava me perguntando que porra era aquela. Só depois, com a arte, eu fui entendendo o que significava tudo aquilo”, comenta. Bebel Frota desde os primeiros trabalhos solos já trazia para a cena a reflexão sobre o lugar da mulher no mundo. A sua primeira performance aconteceu dentro do Colaboratório em 2009 no rio de Janeiro no Panorama do Núcleo do Dirceu e ela intitulou de “Você quer inteiro ou por partes. Em seguida ela construiu o solo “What can I do” que, segundo Bebel Frota, depois de algumas conversas com Marcelo Evelin se tornou o solo “Bucetário” e tratava sobre a arqueologia das bucetas. Posteriormente Bebel participa do projeto “1000 Casas” no qual teve contato direto com a comunidade da região do Dirceue a sua ação era o resultado das pesquisas feita em campo, sua performance também abordou a relação da mulher e da violência doméstica. “Eu escutei muitos relatos assustadores das pessoas e isso realmente mexeu muito comigo em um nível bem profundo, pois me deparei com mulheres que eram espancadas por pessoas que elas confiavam. E em 2010 Bebel Frota participa do espetáculo “Matadouro” e depois de um tempo ela se afasta da peça para refletir, só depois, no período que permaneceu afastada foi que sua ideia sobre o feminismo se transformou e quando ela entendeu a sua representação na peça é que ela retorna para o espetáculo.

“Eu sempre fui muito aquariana, ou seja, sempre me importei muito com lutas sociais mesmo quando não entendia nada sobre isso. Desde criancinha percebia o machismo e ficava me perguntando que porra era aquela. Só depois, com a arte, eu fui entendendo o que significava tudo aquilo.” Bebel Frota

Foto: Jairo Moura

As primeiras experiências musicais

Bebel Frota desde criança sempre gostou de músicas que eram consideradas obsoletas pelas crianças da mesma idade, ela conta que gostava de ouvir Maysa, Raul Seixas, Belchior, Elis Regina, Nelson Goncalves, Chico Buarque. Ela conta que não se importava com as críticas, pois o que atraia era a poesia, o ritmo e as letras da música. Apesar da paixão pela música ela nunca se sentiu confiante para cantar até que ela começa a se envolver mais com o Hip-Hop, organizando eventos da área como uma Batalha de Break na UFPI (2013) e outra batalha na Casa do Hip-Hop (2015). A primeira música escrita foi “Legitima Defesa” (2015) que surgiu graças a uma carta-poema escrita durante a madrugada, posteriormente ela escreveu “Furacão” e chamou as cantoras Elaine e Priscila para organizar um evento, o “Rima das Minas”, e cada uma apresentar as suas músicas. Posteriormente as cantoras desfazem a parceria e Bebel começa a cansar sozinha no palco e o seu primeiro show solo aconteceu na Praça da Liberdade depois de uma maratona apresentando o espetáculo Rasha Show. Atualmente Bebel Frota conta que já formou um grupo fixo e conta com a parceria do seu amigo Yan Dalas. “Para mim o rap tem uma relação que nenhuma outra música tem, pois é feito pela rua e para a rua e é algo honesto,  vem de você. A anatomia do rapper é falar a sua realidade, como você vive.”

Foto: Victor Martins

A anatomia da inspiração

Segundo Bebel Frota, os temas que mais atravessam o seu trabalho são aqueles que falam sobre a mulher e os corpos periféricos, pois ela cresceu em um contexto social cheio de dificuldades de acesso. Ela relembra que na infância desejava fazer ballet e que existiam projetos que permitiriam participar das atividades, mas os pais sabiam que não teriam condições de comprar os uniformes necessários para o ballet. Dessa forma essas questões estão presente nos seus trabalhos, além disso a sua poesia fala sobre os dissabores e os prazeres, sobre relacionamentos e também críticas sociais. Bebel frisa que é importante falar sobre as subjetividades de quem vive nas periferias, não apenas as dores. “Às vezes a gente esquece que não tem nada mais político do que se desnudar e falar de amor nesse mundo sem amor. Afinal, os brancos e ricos sempre falaram de amor, porque que a gente que está na periferia temos sempre que falarmos de questões sociais?”, pontua. Para a artista falar sobre essas questões é algo essencial, são fatos que precisam ser relembrados constantemente e a arte tem o poder de tocar nessas questões.

Foto: Victor Martins

Uma voz da periferia

Bebel Frota é a voz da periferia, mas que alerta sobre a importância de se escutar todas as vozes. “Deleuze fala que a arte preconiza. E o que um povo fala sobre a arte fala mais sobre o que ele vai ser do que sobre o que ele é. Porque a arte está sempre à frente.” Nesse sentido, Bebel Frota é uma artista que percebeu desde os primeiros trabalhos a importância da reflexão, do investimento nas leituras e, principalmente, da liberdade de pensamento. Ela sempre esteve mais preocupada com os processos, com as questões, do que propriamente com as respostas e aplicou as suas aptidões em projetos como as Oficinas de Pensamento ou mesmo nas suas inúmeras obras produzidas ao longo da sua trajetória artística. Bebel Frota é uma das vozes que ecoam não para representar, mas para provocar.

Contatos

Instagram.com/bebel.frota

Facebook.com/izabelle.frota

Youtube.com/bebelfrota

Fotos

Vídeo

Espetáculos

Secante;

Proletarium;

What can I do?;

Shana em Chamas;

1000 Casas;

Caco de Porcelana;

Dicografia

Bebélica.

Outras fontes

http://www.revistarevestres.com.br/algomais/10dicas/por-bebel-frota/

https://piauinauta.blogspot.com/2011/09/meninas-do-piaui-ariane-piraja-x-bebel.html

http://entrecultura.com.br/2018/12/04/projeto-casa-danca-encerra-temporada-no-teatro-joao-paulo-ii-neste-sabado-08/

http://www.wikidanca.net/wiki/index.php/N%C3%BAcleo_do_Dirceu

https://cidadeverde.com/noticias/89898/nucleo-do-dirceu-ocupa-teatro-cacilda-becker-no-rio-de-janeiro

http://entrecultura.com.br/2016/11/04/balde-culturaartebatata-frita/

 Última atualização: 02/12/2019

Caso queria sugerir alguma edição ou correção, envie e-mail para geleiatotal@gmail.com.

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