O Dono do Gato, por Valéria Lima

Imagem: Danilo Grilo Cunha
Imagem: Danilo Grilo Cunha

Existia um bicho ciumento, nonsense total. Invejoso fora de série. Dentro da megasérie mais estulta com cenário Terra. Aquela série debochada que deixa a ‘caixa viva’ chuviscando, porque a tempestuadora e conveniente ideia pessoal foi lançada para não ser vista nem ouvida. E ninguém assiste a ela. Não tem nada. Nada mesmo. Zero a dizer por ignorância do saber. Quando não, lacônicas azáfamas. Mas o bicho está do outro lado esperneando com lápis de cor rosada e uma parede aplainada a ser rabiscada. Tudo plano! Tudo plano e, ao mesmo tempo, calamitoso. Fugiu da caixa. Sobre cor não há censura nem padrão. Há? É uma cor forte, entende? Mas apenas uma cor. Existe azul também, frágil por sinal, mas não apenas essas duas. Para frente! Para frente, Brasil! Agora o bicho quase chora. Subliminalmente cólera de si mesmo. Chora, réptil! E faz outros transvazarem água em sal de Pérsia ou em aguardente com grânulos de Mossoró. Sentimentos diversos e nenhum razoável sequer. O réptil rasteja e espirra forte. Deu merda. Puta que o cuspiu! Não avisa. Se eu disser que o foca estava perto. Sempre tem um, uma. A lente oportunista, e oportuna, de seu parceiro, resolveu sozinha cair no chão. Sem revelação. Mas ficou tudo bem. Está tudo bem. Ficou melhor ao serem lançados no solar autoclave. Quente! Insuportavelmente! É destruidor e exacerbado luminescente às sensíveis retinas. Tão forte que no inferno o outro, o bicho, se confortará. É um descanso merecedor a qualquer ser humano. Para o bicho, idem. Pobres dos bichos! O inferno não é aqui. Talvez pior. Então o bicho se vê diante da ‘caixa viva’ desligada. Ele se vê como espelho. Quem é este tolo diante de mim? Perguntou com as linhas acima dos olhos bem franzidas. Chupou azedume no imaginário intercorrente. Ele tem um limoeiro lunático. Bom, diante do bicho eram mamonas assassinantes na película dispersa que, por fim, transcenderam a tela. Que coisa! O medo diário o fez ligar de novo, já que estava desligada sem perturbar o gato. Aciona o gato. Trovoadas prateadas. Vira a chave. Chamuscou-se ele no sofá. Não! Deixa eu lembrar… Este assento foi dilacerado somado às flatulências acumuladas. O bicho não venceu. Nem gritou bonito ao teatralizar risco de lâmina sem ferrugem. Puf! O sofá afundou-se direto para o forno a Fahrenheit infinito. A boiada saiu de casa a gosto do bicho. Fecha chave do gato. O espetinho custava 200 contos imaginários. Seiscentos já foram com cinzas, e daí?

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