O método geleiense

Há uma ilusão de que tudo que fazemos carece de organização, antes de tudo não quero desmerecer quem tem impregnado em si o impulso de criar e construir algo sem um sistema qualquer.

O que quero dizer é algo muito debatido nas disciplinas introdutórias em qualquer curso do terceiro grau, portanto não é nada de novo e nem acrescentará nenhuma fórmula secreta.

Todo o esforço que fizemos ao longo do tempo foi para sobreviver e prosperar como espécie. Com isso, adquirimos uma característica, assim como outros animais, de diminuir o esforço empregado em alguma atividade produzindo ferramentas.

As tecnologias foram se aprimorando, independentemente de grau de conhecimento ou instrução. Suponho que somos um animal que resolve problemas: se está frio procuramos abrigos e agasalhos; se tá calor procuramos refrigeração; se sentimos fome buscamos alimentos; se acaba os recursos tentamos reproduzir aqueles produtos escassos.

Não existe nada de novo nisso, mas acabamos indo um pouco além e modificamos o meio para que ele nos ofereça aquilo que precisamos.

Criamos sistemas quando percebemos que era possível reproduzir as ações eficientes, quando reproduzimos aquilo que dá certo e relatamos as falhas, quando aperfeiçoamos os percursos que fizemos e quando, na repetição, nos damos conta de que aprender com os erros nos livra de falhas reincidentes.

Aprendi isso lá no teatro, pois tive um professor bem rígido e que tinha um método bem definido. O método não é algo que limita a criação, pelo contrário, é um modo de ter uma segurança já que ele te permite – por meio da técnica – manter um padrão mínimo na forma como você desenvolve seu trabalho.

Posteriormente aprendi a fazer fichamentos de tudo que eu lia, infelizmente só na Academia, mas isso me permite revisitar pensamentos e citações de obras extensas quando falta tempo e tenho pressa.

É cansativo? Sim! Exige mais? Sim. Porém facilita na organização de qualquer trabalho.

A Geleia Total tem tudo aplicado, foi aqui que aperfeiçoei tudo que tinha aprendido. Foi a primeira experiência concreta de organização de uma empresa. Nada fugia do controle, tudo era pensado e seguia o sistema criado para esse tipo de organização.

Por isso, reflito sobre a forma como enveredamos para o conforto. Quando não existe um sistema tendemos a ir afrouxando o laço. É preciso um código que mantenha uma performance mínima, como desenvolvemos na GT.

Esse sistema metodológico é importante e garante a continuidade dos trabalhos, não precisa ser inflexível, pois é impreterível que tenha plasticidade para dar possibilidade de inovações, mas deve ter uma identidade que demonstre seu conjunto de princípios e valores.

Temos uma sede e uma vontade de produzir, de criar e de construir; todavia, aprendemos ao longo desses anos que é importante dar pequenos passos. Principalmente quando se trata de uma iniciativa independente. Manter um projeto é oneroso, requer tempo e esforço de todos os envolvidos no processo.

Cada trabalho bem-sucedido criou expectativas e ocasionalmente muitas ideias surgiram, surgem e surgirão, mas sabemos que cada nova ideia para se materializar necessita de capital humano que requer muito tempo, ferramentas e meios para que o produto final saia com qualidade.

“Quando pode, quando tem recurso, quando existe tempo, quando, quando, quando…”

Há casos que arriscamos, pois não dá para esperar as condições ideais, principalmente quando elas não surgem no horizonte. Para esses casos vou citar uma frase que aprendi com o idealizador desse projeto:

Faça o que der com os recursos disponíveis, faça o seu melhor mesmo que nas menores coisas que exigem o mínimo, porque tudo merece respeito e entrega.

 

Lourrane Carolina no Salipi 2019
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